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Diogo Morgado transformou-se em Wolverine: «Grande responsabilidade»

Diogo Morgado em ação
• Foto: DR Record

O popular Diogo Morgado, ator português de tremenda qualidade e um dos responsáveis por inúmeras vozes de videojogos, voltou a atacar. É o novo Wolverine e esteve à conversa com o Record Gaming sobre como foi participar na criação deste videojogo. Até porque ser Logan é uma enorme responsabilidade.

Qual é a sensação de dar voz a Wolverine?

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É uma responsabilidade grande e, ao mesmo tempo, um enorme privilégio. O Wolverine é uma personagem que faz parte do imaginário de várias gerações e que tem uma identidade muito própria.

Quando recebi o convite, a primeira sensação foi de entusiasmo, mas rapidamente percebi a responsabilidade. Não era apenas dar voz a uma personagem conhecida. Era encontrar uma voz portuguesa para uma personagem que já tem um registo muito presente na cabeça de milhões de pessoas.

Foi um daqueles trabalhos em que entramos no estúdio com respeito pela personagem, mas saímos de lá com a sensação de termos vivido uma experiência especial.

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Como se preparou para este projeto?

Procurei perceber profundamente quem é este Wolverine na história deste jogo, qual é o seu estado emocional, o que carrega consigo e o que está por detrás daquela atitude muitas vezes agressiva e aparentemente impenetrável.

Também houve toda uma componente fisica. Apesar de ser um trabalho de voz, o Wolverine é uma personagem extremamente corporal. A respiração, o esforço, a dor, os gritos, a forma como reage a um golpe ou a um combate tudo isso tem de passar pela voz.

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Há também uma preocupação muito grande em perceber o universo do jogo e respeitar a visão que a equipa tinha para esta versão da personagem. O meu trabalho foi encontrar o meu Wolverine dentro dessa visão.

Diogo Morgado é Wolverine

Não é a primeira vez que dá voz a um personagem de um videojogo, espera continuar a fazê-lo em projetos futuros?

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Sem dúvida. É uma área que me dá um prazer enorme precisamente porque é muito diferente daquilo que fazemos normalmente enquanto actores.

Num videojogo, a voz pode ter de carregar uma quantidade enorme de informação. Tens de conseguir transmitir uma emoção, uma intenção ou uma acção sem teres necessariamente o apoio da imagem ou do corpo. E isso é um exercício de representação muito interessante.

Se aparecerem personagens e projectos que me desafiem desta forma, como tem acontecido, seria um prazer enorme continuar a explorar este universo das dobragens para jogos.

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Se pudesse escolher outro super-herói para interpretar, qual seria?

Provavelmente escolheria Daredevil. Há algo na forma como a personagem se relaciona com a sua cegueira que considero particularmente poderoso. O Daredevil não é definido pela quilo que os outros consideram uma desvantagem. Ao longo da sua história, desenvolve os outros sentidos de uma forma extraordinária e transforma aquilo que poderia ser visto apenas como uma limitação numa característica que lhe permite perceber e experienciar o mundo de uma maneira única.

E isso, enquanto actor, interessa-me muito. Não apenas pela dimensão do super-herói, mas pela pessoa que existe por detrás dele, alguém que encontrou uma forma própria de transformar a sua experiência de vida numa força.

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Além disso, existe toda a dualidade entre Matt Murdock, o advogado que procura justiça através da lei, e o Daredevil, que a procura de outra forma. São duas facetas da mesma pessoa, com conflitos, fragilidades e contradições muito humanas. São precisamente essas personagens, que têm várias camadas e que não são simplesmente heróis perfeitos, que mais me desafiam enquanto actor.

E confesso que, depois de Wolverine, também seria interessante experimentar um super-herói que gritasse um bocadinho menos.

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Sendo o Wolverine uma personagem que se expressa muitas vezes com gritos, diria que foi libertador poder gritar à vontade no estúdio?

Foi. E foi também bastante cansativo!

Há qualquer coisa de muito libertador em poder entrar numa sala, fechar a porta e simplesmente gritar. Mas rapidamente percebes que um grito de Wolverine não é simplesmente gritar. Tem de ter dor, raiva, esforço, adrenalina, intenção... E há momentos em que sais da gravação a pensar que acabaste de fazer uma sessão de treino físico.

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A grande diferença é que no ginásio ninguém te pede para fazer vinte gritos consecutivos enquanto tentas manter a personagem. Por isso, sim, foi libertador. Mas foi também um excelente exercício para perceber que a voz também tem músculos.

Qual foi o melhor e o pior momento de todo este projeto?

O melhor momento foi provavelmente aquele em que senti que a personagem deixou de ser apenas uma personagem que estava a interpretar e passou a existir através de mim. Há um momento numa gravação em que deixas de pensar na técnica, na tradução ou na voz e simplesmente estás dentro da situação. Quando isso acontece, é muito especial.

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O pior... acho que foram algumas das sessões mais fisicamente exigentes. Há sequências com muitos gritos, esforço e reacções que, quando as repetes várias vezes, começam realmente a cobrar o seu preço.

Mas também diria que esse é um dos paradoxos mais interessantes deste trabalho, aquilo que é mais difícil acaba muitas vezes por ser aquilo que mais prazer nos dá. No final, se tivesse de escolher entre o melhor e o pior, ficaria claramente com a sensação de ter tido a oportunidade de dar uma voz portuguesa a uma personagem que dispensa apresentações. E isso, para mim, já torna este projecto muito especial.

Por João Seixas e Guilherme Cabral
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