Caro amigo João, o Rei do Gaming,
Espero que esteja tudo bem contigo e que o teu reinado esteja a correr como esperas.
Por estes lados virei algumas horas do meu dia do avesso… Quase literalmente!
Pois, eu experimentei a realidade virtual, a grande inovação, o futuro dos videojogos, a ideia que gerou milhões à Sony, à Água Das Pedras e possivelmente ao Sonasol, tendo em conta as pessoas que enjoaram com isto.
Mas antes de partilhar contigo a minha experiência (spoilers) não muito positiva, queria pensar contigo e perguntar-te algo que me passou pela cabeça.
Nós já eramos nascidos em 1995, mas visto que vivemos em Portugal, não sabíamos da existência do Virtual Boy da Nintendo, considerada a primeira consola com 3D estereoscópico, comercializada como um aparelho de realidade virtual. E julgo que não ouvimos falar dela porque foi descontinuada um ano depois e só teve tempo de sair no Japão e EUA.
Mas isto para dizer que sempre tentaram levar a realidade virtual para o mundo dos videojogos. Daí a minha pergunta:
Onde é que isto é uma novidade?! Eu vejo pessoas a comprarem o PlayStation VR como se fosse a nova grande cena, algo nunca antes visto… o futuro! Não! Isto já era o futuro nos anos 80!
Mas revoltas históricas à parte, visto que esta é a nova grande cena do nosso reino, eu quis experimentá-la.
Como sabes, eu sou emetofóbico, o que faz com que tenha algum receio de sentir enjoos com tudo e mais alguma coisa. Mas surpreendentemente, e querendo já retirar esta ideia da cabeça, não enjoei com o VR! E sim, isto para mim é motivo para festejar.
No entanto (espera, vou frisar melhor) NO ENTANTO, foi das experiências mais desconfortáveis que tive.
Não quer dizer que não tenha algo de bom a dizer, mas sendo eu um gamer "antigo", conforto é um fator muito importante na minha experiência de jogo.
Jogar com o PSVR é como jogar com um capacete de mota na cabeça (o calor do verão não ajuda) e com os olhos espalmados no ecrã da TV.
Se quiseres algo mais específico, digo-te que o ecrã de carregamento do EVE ia-me furando a vista com as instruções azul ciano em fundo preto e com Headmaster o "capacete" ia-me saltando.
Sabes como resolvi o problema? Com o EVE foi fácil, fechei os olhos, e com o Headmaster deixei-me estar parado que as bolas batiam-me na cabeça e entravam na baliza (e isso era o suficiente para mim).
Apesar de não ter enjoado, Driveclub foi a pior experiência que tive. Após a primeira curva fiquei tonto e tive que tirar o capacete como se estivesse a acordar dum sonho horrível.
Os únicos jogos que consegui desfrutar e gostar foram Battle Zone e PS VR Worlds, onde um é um jogo de ação simples e outro é um tech demo que mostra bem o quanto a experiência pode ser imersiva. Um jogo em que posso olhar à volta é fixe, mas para isso vou a um centro comercial e dou alguns trocos para experimentar uns minutos e ir para casa. Nunca daria mais de 400€ por tudo isso!
De resto, a minha experiência não foi positiva. Os jogos demoram muito tempo a carregar, há problemas na calibração, se nos movemos um bocadinho demais a imagem fica desfocada ou fora da área…
Chama-me antiquado (sei que não o farás) mas quando jogo gosto de estar confortável. É como ver um filme e precisar de estar com uma tábua nas costas ou apaga-se.
Meu caro amigo, não sei se esta estranha experiência se deve aos meus hábitos de jogador. Eu jogo há 26 anos e associo os videojogos a uma experiência audiovisual interativa. Mas com esta máquina aprendi a valorizar e a ter em conta a importância do meu conforto.
Reconheço o potencial, mas simplesmente não me atrai. E apesar de ver muita gente apaixonada por esta experiência tão cara, não daria o que vale para a ter em casa, nem quereria encher uma mesa inteira dos aparelhos necessários para funcionar, mesmo que me oferecessem.
Se pesquisares na Internet pelo Virtual Boy, verás um facto interessante. É que foi descontinuado porque os consumidores queixavam-se do mesmo que me queixei aqui, só que esse era muito pior, com o ecrã preto e vermelho e sem apoio para a cara… o que estavam a pensar?!
A realidade virtual pode, assim, não ser o futuro dos videojogos. Mas não quer isto dizer que o nosso mundo virtual não possa evoluir!
Mostrem-me uma consola que dê para jogar em qualquer lado e encomendar pizzas e fico rendido!
Espera!... O meu telemóvel já faz isso! Afinal estamos bem.
Um abraço e cá espero notícias tuas,
Zé Consciência