Chegar, ver e vencer... duas vezes. Rogério Ribeiro, CEO da Game Studio 78, criadores de VRock, saiu dos Prémios PlayStation com dois galardões: Jogo Mais Inovador e, o mais desejado, Melhor Jogo de 2016. Confessando que "não estava à espera de nenhum deles", Rogério admitiu porém que estava de olhos na vitória.
"Quando falei com a minha equipa, disse: eu vou lá buscar uma taça. Porque era aquele sonho de já estar há quatro anos a fazer jogos, a abrir e fechar portas, descer ao inferno… Vim do Porto puramente relaxadinho, por aí abaixo, sozinho. Fui ali almoçar, bebi um copo, cheguei aqui e vejo a malta, os projetos e a sua qualidade, e disse: epá, isto não vai ser fácil. Tinha a ideia de levar um prémio, mas quando cheguei aqui isso desvaneceu-se e as expectativas moderaram-se", começou por contar ao Record Gaming.
O representante da Game Studio 78 na gala confessou que a equipa já passou "pelas cavernas" com o insucesso de um título anterior, mas a persistência guiou sempre a equipa.
"Se apenas fizéssemos coisas em que temos certezas, não fazíamos videojogos. Aqui é tudo incerto, há jogadores que gostam e outros que odeiam, e há aqueles que adoram, que são fãs até à ultima. Optámos por este caminho, uma experiência diferenciada, algo ‘casual’. Também dá para ser mais 'hardcore', mas há poucos jogos ‘casual’ na PlayStation. É ‘family’ também, porque qualquer membro pode jogar. Hoje em dia há pessoas que jogam Guitar Hero. O jogo não passou de moda, porque aquelas músicas não passaram de moda. Temos um cliente que nos pediu uma experiência virtual – e nós não fazemos software para terceiros - e eu disse que fazia, desde que pudesse converter isso naquilo que acho que deve ser o jogo".
E, afinal, o que é o VRock? A palavra a quem sabe: "VRock é VR Rock. Juntámos as duas palavras. Controlas uma banda, podes ser qualquer um dos membros (baterista, baixista, guitarrista ou vocalista) e podes desafiar outras bandas. Tens o gameplay num clube, num bar, num estádio, e tens músicas que vais jogando, tudo isto com o sistema VR. Há aqui um sentimento de nostalgia. Ouve-se que o rock está fora de moda mas, se passar agora, toda a gente vai cantar. É um sentimento daquela época. Estamos a falar de um rock clássico, não daquele mais recente".
Uma realidade em breve
Quase perseguido pelas inúmeras entrevistas, Rogério Ribeiro não se mostrou cansado com o cair da noite no Ministerium Club: "É bom. Já as tivemos no passado, mas era na expectativa de que o projeto ia ser algo. Aqui é algo que funciona, algo que as pessoas viram e que é a marca PlayStation que diz: eu quero isto nas minhas consolas. Estamos a falar de 50 milhões de jogadores! Se for um por cento, meio por cento, é fantástico, é um mundo. Isto pode mudar por completo a indústria portuguesa e muda com certeza a Game Studio 78".
Os próximos passos já estão definidos e o novo rebento da Game Studio 78 deve chegar ao mercado em menos de um ano: "Agora é reforçar a equipa, fazer contactos com investidores e publishers. Nós já íamos apostar, mas agora vamos com a certeza de uma grande marca a carimbar o sucesso. Presumo que, entre fins de 2017 e inícios de 2018, o jogo esteja disponível".
Por Luís Miroto Simões