Horizon Zero Dawn: Valeu a pena esperar

Completamente rendido a Aloy e companhia

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Horizon Zero Dawn

Prepararem-se, porque depois de lerem estas linhas vão colocar de parte dinheiro para comprar o jogo. É praticamente impossível resistir. Eu avisei...

Horizon Zero Dawn é daqueles jogos que imediatamente depois de começar a rodar na consola nos deixa com aquele sorriso tonto na cara. Um sentimento que apenas experienciamos quando sabemos que o que ali vem tem poucas possibilidades de nos defraudar. Foi exactamente isto que senti e, até ver, não me enganei.

A Guerrilla Games empenhou-se a fundo e ofereceu a Aloy, a nossa protagonista, a responsabilidade de carregar aos ombros uma história bonita, honesta e de certo modo viciante. E é de forma rápida que nos começamos a apaixonar pela bela ruiva. Seja pela forma aprumada como somos confrontados com o passado da rapariga, seja pela forma como logo nestes primeiros minutos somos remetidos para uma ambiência em que sentimos que somos parte daquilo que estamos a jogar.

Neste exclusivo para PlayStation 4, somos remetidos para um universo pós-apocalíptico onde humanos e máquinas têm uma convivência complicada e raramente se entendem. E como é bom jogar a um título em que "mundo pós-apocalíptico" não significa defrontar hordas de zombies, andar a degolar velhinhas e rebentar carros com gadgets de telemóvel.

Em Horizon Zero Dawn, estamos desde cedo emersos num universo graficamente imaculado e que, ironicamente, dá ares de uma espécie de paraíso… corrompido. Corrompido pelas máquinas que não sabemos muito bem de onde vêm e para onde vão e que, de certo modo, nos deixam desconfortáveis desde início, seja pela forma magistral como o som está trabalhado neste jogo, seja pelo modo arrojado como o tempo e os elementos climatéricos vão mexendo com a nossa personagem e, por inerência, connosco.

Depois de nos afeiçoarmos a Aloy nos primeiros instantes, chega a trama e com ela uma narrativa absolutamente bem construída. Neste RPG de mundo aberto, com uma mapa de enormes proporções e onde realmente nos perdemos se não estivermos atentos às indicações de ecrã, a "novela" que se instala é fortíssima. E, conforme sempre foi ponto de honra para o estúdio de desenvolvimento, não enfrentaremos muitas "realidades" absurdas. Ou seja, quase tudo tem uma explicação lógica e que se enquadra com a narrativa. Não existem coisas do género – "E depois apareceram as máquinas por artes mágicas". Tudo tem uma remissão à narrativa principal e à suas premissas. É por isso, aliás, que a densidade esquemática da personagem principal não tem comparação com os demais personagens. Mas esse é provavelmente o objectivo de quem desenvolveu e estruturou esta história.

Embarcamos então numa aventura principal, que nos garantirá muitas e boas horas de diversão, mas que têm ainda como complemento uma série de outras "quests" paralelas, que nos colocarão frente a frente com uma miríade de outras personagens que nos ajudarão a não perder o foco e, mais importante ainda, a não perder o gosto pelo que estamos a fazer.

Num mundo infestado de máquinas perigosas, ter e melhorar as armas é um meio para atingir o fim. Mas não é só andar de um lado para o outro a disparar setas em chamas. Neste jogo, sábio é aquele que sabe dosear os momentos de inspiração guerreira com os momentos de humildade em que o melhor a fazer é mesmo passar despercebido e dar uma corrida para fugir.

Esta é outra das magias deste jogo. Podemos ao longo da trama dar uma tónica mais guerreira, mais emocional ou mais ponderada à nossa personagem. Seja pela forma como responde aos diálogos que vai tendo ao logo da aventura, seja pela forma como abordamos as dificuldades. E, neste particular, admito que prefiro sair sem protecção para o meio do rebanho de máquinas e destruir tudo de forma heróica, ao invés de esperar pacientemente pela melhor forma de destruir o que quero com inteligência e tática de ataque. E sei que estou errado. O próprio jogo não encoraja os combates corpo a corpo, preferindo as opções mais distantes e engenhosas. Mas pronto, um dia mudo de abordagem…

Mas há mais...

Só falta mesmo dizer que para além do aprumado detalhe gráfico, da engenhosa narrativa e da personagem principal imaculada, que rapidamente ascenderá à galeria dos imortais dos videojogos, ao lado de Nathan Drake, Lara Croft e Kratus, entre outros, há muitos outros motivos de interesse. A exploração de mapa é fenomenal, as missões são bem construídas e não se limitam a ser mais do mesmo e, muito importante, temos opções em quase tudo o que fazemos. Podemos andar a correr, podemos montar uma máquina e galopar pelos campos verdejantes, podemos dar uma de Uncharted e galgar montanhas aos saltos e podemos nadar pelos riachos como um golfinho. Liberdade total num mapa engenhosamente construído e que não deixa dúvidas a ninguém.

Para além disso, no que diz respeito à longevidade do jogo, estão garantidas muitas dezenas de horas. Como já referi, só a Missão Principal deverá tocar nas 30 horas, mais uma série de missões paralelas que ninguém vai querer rejeitar.

Mas é tudo perfeito neste jogo? Claro que não. Mas confesso que ter as legendas em português como única coisa a apontar de negativo até acaba por ser simpático. Muitas vírgulas fora de sítio, algumas ideias pouco perceptíveis e maiúsculas no lugar de minúsculas. Acontece a todos, mas não deixa ninguém satisfeito.

Num outro ponto menos positivo, por vezes é complicado seguir as personagens que nos conduzem a outro local. Se calha a darmos uma corridinha, o boneco fica confuso e, muitas vezes, perde o sentido e fica parado… Mas tudo o resto anula estes detalhes.

Feitas as contas, parece-me que HZD vai desde já ficar candidato a jogo do ano. Dificilmente surgirá um título que o afaste, pelo menos, do pódio de 2017. É cedo, mas eu sei bem do que estou a falar. Em breve a revolução Aloy vai começar e ninguém ficará indiferente.

Enredo – 5
Gráficos – 5
Jogabilidade – 4,5
Som – 4,5
Nota final – 5

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Por João Seixas
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