Resident Evil 7: Um arrepio na nuca

A saga regressa às suas origens

Durante anos Resident Evil foi uma imperdível série no género Survival Horror. Aos poucos tornou-se num jogo de acção, a qualidade diminuiu e a atmosfera desapareceu. Agora, depois de muitos pedidos por parte dos fãs, a saga regressa às suas origens.

RE7 arrisca e bem, voltando a ser um jogo de terror e totalmente focado na primeira pessoa. Macabro, violento e envolto num mistério que nos agarra desde o início, RE7 deixa-nos desconfortáveis a cada minutos, tornando-o numa boa experiência do início ao fim. Começando pela parte gráfica, RE7 não é um portento do realismo, mas a atmosfera é fantástica e o design está mesmo muito bom, com cada cenário a tentar explorar ao máximo o nosso desconforto enquanto o que vemos vai contando uma história. Na parte sonora está um dos trunfos do jogo. Joguem com uns bons auscultadores ou sistema de som, apaguem as luzes e o jogo ganha uma nova dimensão. Vamos ouvir coisas que nos alertam e por vezes vamos sobreviver por causa daquele ruido atrás de nós. O trabalho de vozes é bom e a banda sonora cria a atmosfera necessária.

No entanto toda esta atmosfera poderia morrer se o enredo fosse mau. A verdade é que RE7 tem momentos forçados e algumas das revelações são previsíveis, mas também não se pode negar que por vezes nos faz acelerar o coração e o mistério está bem criado. Todavia, é bastante importante explorar bem todos os cenários para descobrirmos pequenas peças do enredo que nos podem passar ao lado e que ajudam a história a tornar-se mais coerente. A conclusão da história está bem conseguida, apesar de deixar algumas perguntas sem respostas, abrindo a porta a uma mais que provável continuação. Ainda no enredo, devo salientar que o jogo não se perde em side quests que não tragam nada de novo à história. Tudo o que fazemos tem sentido, importância e ajuda a compreender o que nos rodeia.

Na jogabilidade o ponto mais fraco está na inteligência artificial dos nosso inimigos, porque se fosse melhor, o jogo ganharia bastante, pois seriamos levamos para um desafio mais arrepiante. Outro aspeto que deveria estar melhor são os puzzles, que deveriam ser mais frequentes e mais difíceis. Nos aspectos positivos temos o facto de o jogo responder bem às nossas acções e também de nos obrigar a racionar com inteligência o nosso inventário. As armas são poucas e com o jogo na dificuldade máxima não podemos desperdiçar, ajudando a aumentar a sensação de desconforto.

RE7 é daqueles jogos em que nunca me senti invencível. Os momentos mais tensos não são aqueles em que o jogo nos tenta surpreender, mas aqueles em que sentimos uma atmosfera verdadeiramente pesada e claustrofóbica. Alguns momentos são memoráveis, principalmente no VR, onde o jogo ganha uma nova dimensão em alguns momentos. Falando rapidamente do VR, nota-se que RE7 não é um jogo feito para o VR, mas que consegue ser melhor no VR porque a experiência se torna mais forte, com uma atmosfera mais pesada e claustrofóbica. Ainda não é um verdadeiro jogo VR, mas é a melhor experiência VR que tive até agora.

No global, este é o melhor Resident Evil desde há muito tempo. Regressa às origens e ganha com isso. Não é um jogo que marque o género, mas o futuro é risonho se o caminho for este. Se gostam de experiências fortes nos videojogos, então este é um jogo a ter.

Gráficos: 4
Som: 4,5
Jogabilidade: 4
História: 4
Nota final: 4

Por Luís Pinto
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