FM 2020: Aqui estão os donos disto tudo...

Carlos Bessa e Bruno Gens Luís em entrevista Record

Nos bastidores do universo do Gaming há quem diga que as pessoas que não conhecem o Football Manager não são bons chefes de família. E têm razão... O icónico simulador de gestão nasceu em 1992, sob a denominação Championship Manager, e após intrincados problemas, a partir de 2005 passou à atual nomenclatura. E sempre em alta!

Carlos Bessa e Bruno Gens Luís são researchers da Sports Interactive, o que significa dizer que definem os plantéis das equipas portuguesas, do topo da Liga NOS até aos confins dos distritais, para além de definirem as notas dos craques. Mas há mais... São animados, acessíveis e ao contrário daquilo que se vê em varios quadrantes no universo do Gaming, amam realmente aquilo que fazem. E não escondem nada...

Encontro researchers

Bom, antes de mais muito obrigado aos dois por aceitarem esta entrevista. Começo por vos perguntar quais os vossos cargos e funções atuais dentro da estrutura do FM.

O nosso cargo é de Head-Researchers, isto é, responsáveis pela pesquisa em Portugal. A nossa tarefa consiste em coordenar toda uma equipa de assistentes/scout's que vamos angariando, além de garantir que todas as equipas jogáveis estejam o mais completas que nos for possível a todos os níveis. Além de toda esta coordenação, fazemos de o próprio trabalho de pesquisa de forma transversal a todas as ligas jogáveis (1.ª, 2.ª e Campeonato Portugal): detalhar os perfis (elaboração de atributos dos jogadores), criação de jogadores/staff/árbitros, adição de dados biográficos e estatísticos, entre muitas outras tarefas que apesar de não serem visíveis aos olhos do ‘treinador’, são também inseridas pela equipa.

Para todos aqueles miúdos, e alguns graúdos, que têm o sonho de estar um dia no vosso lugar, de que forma é que poderão ajudar-vos na base de dados ou no próprio desenvolvimento do jogo? Para além de perceberem muito de futebol, como se chega até ao vosso patamar?

Temos sempre as portas abertas para a receção de candidaturas para a possível integração na nossa equipa de pesquisa: qualquer interessado em fazê-lo, caso tenha um nível aceitável de Inglês, apenas tem de se dirigir ao nosso website e preencher o formulário lá indicado com a função a que se pretende candidatar (mediante as vagas que lá indicamos estarem disponíveis): https://fmportugal.net/candidatura/. Já a nível profissional, a SI atualiza de forma regular as vagas para a sua equipa interna de trabalho sediada em Londres. Qualquer apaixonado por Football Manager que tenha as qualificações necessárias e espírito para se aventurar fora de portas, pode fazer a candidatura a partir daqui: http://www.sigames.com/careers 

Carlos ergue troféu

E como começou a vossa relação com o jogo? 

Carlos Bessa: Desde muito jovem que sempre fui um fã acérrimo de futebol! Lembro-me de passar sábados inteiros a ver jogos da Premier League e finalizá-lo ao ver um ou dois jogos da nossa Liga. Todo este prazer aliado ao 'poder' que tínhamos em conseguir 'comandar' quem víamos na TV no Football Manager (Championship Manager até 2004) e também encontrar novos craques como os que víamos na TV, fez com que este 'bichinho' se desenvolvesse cada vez mais até ao ponto de na escola o assunto de conversa 'normal' com os amigos ser... discussões sobre as táticas que usávamos; os feitos que conseguíamos (!); os novos craques que encontrávamos numa equipa da 2ª divisão do Brasil! Bons velhos tempos... (risos)

Bruno Luís: Sendo eu mais velho que o Carlos, é normal a paixão ter começado anteriormente. Joguei pela primeira vez, ainda antes de ter o meu primeiro computador, na casa de amigos meus e desde aí, não mais parei, até ser recrutado para a pesquisa Portuguesa. Comecei no CM2 94/95 que só tinha a liga Inglesa, treinava todos os craques que via nos resumos de fim de semana, da RTP2. Imprimia estatísticas e planteis e levava para a escola para mostrar a todos os meus amigos, apesar da maioria nem ligar nenhuma. (risos) Foram-se sucedendo as novas edições, e eu fazia os meus próprios updates que distribuía por todos os conhecidos que jogavam FM. Por essa razão, encontrava muitos erros, os quais, durante vários anos reportei directamente no Fórum da SI, sem alguma vez pensar sequer que poderia entrar na pesquisa. EM 2014 tudo mudou, fui contactado e juntei-me à equipa, onde o Carlos já estava há vários anos.

Escritórios

Pelo que percebo não basta gostar de futebol. É preciso perceber de tática, de dinâmicas, de mil e uma coisas que nem todos conseguem dominar. Vocês têm formação na área do desporto? Curso de treinador ou algo do género?

Ambos fizemos formação em análise e observação, mas posterior à nossa entrada na equipa. Não por necessidade, mas sim por pretendermos melhorar e expandir as nossas qualidades. Na nossa ótica, é preciso algo mais do que apenas isso - é necessária uma grande paixão pela vertente do scouting/análise do jogador e, acima de tudo, sensibilidade para distinguir forma atual, trabalho e talento. Qualquer um que seja um aficionado por esta vertente e que domine minimamente a área da informática na ótica do utilizador, acaba por se sentir ‘à vontade’ na nossa equipa.

E como é o dia-a-dia de alguém com as vossas funções?

Coordenar a pesquisa não é um "trabalho", mas sim um passatempo para as nossas horas vagas pós-laborais e fins-de-semana. Existem duas grandes fases de trabalho, que são subdivididas em fases menores. A principal é de abril a setembro. Durante essa fase, não só estabelecemos objetivos mensais, para a equipa cumprir, como também recrutamos e treinamos novos candidatos a entrar na pesquisa. A segunda fase decorre de dezembro até início de fevereiro, e serve para a atualização do mercado de Inverno. Para além destas duas fases, os nossos fins de semana, e não só, são ocupados com observação de jogo, principalmente ao vivo, mas também através da sua visualização via vídeo. Por esse motivo não se pode dizer que haja uma rotina diária, para além de ir aprimorando a qualidade da nossa base de dados, nas suas diversas vertentes.

Bruno em ação

Como é que o FM passou de ser um simples jogo de computador para uma base de dados que é usada por clubes ‘reais’ e um verdadeiro fenómeno como é atualmente?

O Football Manager pode efetivamente ser usado como uma ferramenta complementar a um departamento de Scouting. Todas as avaliações de jogadores, inseridas na base de dados, são minuciosamente elaboradas de forma singular e inseridas no respetivo contexto competitivo, pelo que se o mesmo ostentar determinadas características que o hipotético clube procura, ou potencial de futuro, as mesmas serão transferidas para a base de dados de forma totalmente isenta. Sabemos que existem outros casos semelhantes ao do Roberto Firmino, que foi descoberto no jogo, no entanto não são divulgados porque poderiam de alguma forma retirar o mérito ao scout que o encontrou, através da nossa plataforma. É tudo uma questão de lógica. É sabido que o trabalho dos "olheiros" ainda é algo desvalorizado pelas direções dos clubes, logo, os scouts para fortalecerem a sua posição no seio da equipa jamais admitiriam que a sua "descoberta" tivesse como origem um jogo de computador. Não são raras vezes que nos vêm pedir opiniões sobre determinados jogadores, mas fica tudo entre "amigos". A mediatização destes casos de sucesso só faz credibilizar ainda mais a base de dados, que é tão afincadamente construída pela maior rede de Scouts do mundo.

Concordam com aquela frase meio polémica de que ‘FIFA e PES são para miúdos e FM é para homens’?

Não é de todo justo compararmos jogos como o FIFA e o PES com o Football Manager. Apesar de ambos serem relacionados com uma paixão que nos une a todos, são completamente diferentes. Além de que os fãs de futebol, de qualquer idade, não gostam obrigatoriamente da vertente de treinador, pelo que é natural que em qualquer idade existam fãs para ambos os tipos de simuladores futebolísticos.

FM2020

A vossa análise é feita maioritariamente ‘in loco’ ou também conseguem ver através de outras plataformas? Ou seja, certamente no passado tinham de ir ver os jogos do Campeonato de Portugal ao estádio, mas agora passa muito mais coisa na televisão.

Continua a ser essencialmente "in loco", porque não só nos permite uma melhor observação de todos os fatores que podem condicionar a exibição dos jogadores, como também podemos aferir das movimentação e trabalho sem bola dos mesmos. Na observação em vídeo, caso a filmagem não seja de plano aberto, algo que não é a norma e quando acontece é de muito má qualidade, foca-se essencialmente nos jogadores com bola, não permitindo assim avaliar jogadores no seu todo em termos de características.

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Por João Seixas
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