Lisboa Games Week: Será que há ‘dinossauros’ no FIFA 20?

Pedro Moreira “3M”, de 36 anos, e Luís Marques “Lord Valium

Pedro Moreira "3M", de 36 anos, e Luís Marques "Lord Valium", de 45, são jogadores de FIFA e estiveram à conversa com a nossa reportagem nesta 6ª edição do Lisboa Games Week. Já não são nenhuns garotos e, por isso, sabem bem como tem evoluído a comunidade…

3M: "Sou jogador do Vit. Guimarães e ando no mundo do pro clubs e um para um desde o FIFA 95. Profissionalmente jogo há cinco anos, desde que fui para a Real Sociedad em Espanha"

LV:"Comecei no eSports quando entrei numa revista de vídeojogos, a 'Jogosvídeo'. Em 2002, representei Portugal no primeiro Campeonato do Mundo de FIFA em Inglaterra, fui top 36 do Mundo, depois disso estive parado muito tempo e regressei há pouco mais de 3 anos, pela mão do Boavista, onde fui team manager, jogador e treinador. Esta época vou representar o Paços de Ferreira, como jogador e treinador"

São dinossauros?

3M: "Dois pré-históricos deste mundo do FIFA. Sou muito conhecido por ser o único jogador em Portugal que corre no triângulo. É quase um absurdo, todos ficam admirados mas para ver o pré-histórico que sou ainda só havia três botões quando começou o FIFA"

LV: "Faço 45 anos no próximo mês e estou desde o início. Sofri com o estigma dos vídeojogos ser um brinquedo para miúdos mas sempre acreditei, em todas as fases da minha vida. Cresci, vivi e estou a ver isto a acontecer. Ainda ando nesta vida com muita satisfação mas lutei muito para isto acontecer e lutei muitas vezes sozinho"

3M: "A diferença desta LGW é abismal, também por influência do mundo moderno, com YouTube e Twitch que transporta pessoas que se calham estavam resguardadas em casa, agora conseguem ter a alma e coragem de vir a um evento gaming. Meter 100 mil pessoas é incrível, é um absurdo pensar nisto há 5/6 anos"

Como foi o começo? Muita coisa mudou certamente…

LV: "O meu primeiro evento foi em 1993, quando ainda nem se chamava eSports, num fim de semana divivido entre Lisboa e Porto, na altura no Rosa Mota com 1000 jogadores. Sem as tecnologias de hoje. Eu sabia que isto podia acontecer e estar a ver acontecer agora já é um bom sinal. Vejo uma aproximação da realidade que seria os gamers serem aceites como profissionais, como pessoas com direito a fazer descontos e assumir que somos desportistas. Sermos vistos e respeitados dessa forma. Vejo marcas, promotores e produtoras a faturar à custa de jogadores que são eles que fazem a máquina funcionar mas não somos respeitados dessa forma. Vamos a caminho mas há mudanças a fazer. Vejo a mesma imagem de há 30 anos: pavilhão cheio e um entusiasmo enorme."

3M: "Há tempo para tudo e a prova somos nós: trabalhamos, temos filhos, temos tempo para treinos. Um dos meus sonhos é poder entrar num evento, o meu filho já com 18 anos, e poder jogar contra ele a meu lado. 

LV: "Um gamer, um atleta relacionado com os vídeojogos, tem uma vantagem: o reflexo que ele dá aos seus seguidores é que realmente tem de ser uma vida saudável para com a vida. É impossível conciliar álcool, drogas com mundo do vídeojogos. Se caíres nesses caminhos nunca serás um grande atleta. Fisicamente e mentalmente, um gamer com uma legião de fãs não os vão defraudar. Não há hipótese. Agora, se não és aquilo, vais acabar por desaparecer. Estou a falar de uma indústria que pode criar hábitos saudáveis, exemplos saudáveis e criar uma geração com uma ideologia e forma de estar fantástica"

Por Francisco Laranjeira
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