Este é o português que brilha na Turquia

Estivemos à conversa com Francisco "Xico" Cruz

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Chama-se Francisco José Cruz Antunes, mas no mundo dos eSports é o Francisco "Xico" Cruz. Aos 18 anos já cimentou o seu nome neste universo e actualmente vive na Turquia, mais precisamente em Istambul, onde dá os primeiros passos do sonho de ser profissional nesta área, ao serviço dos HWA Gaming, como Mid Laner em League of Legends.

Apesar do rigoroso ritmo de trabalho por terras turcas, acedeu a uma entrevista rápida ao Record Gaming e, logo que a apertada agenda o permita, estará na nossa redacção para uma reportagem mais aprofundada.

Onde e quando surgiu a paixão pelos videojogos?

O meu gosto pelos videojogos começou quando tinha 7 ou 8 anos e via o meu irmão a jogar Battlefield e Counter Strike. Comecei a achar graça aos jogos e também comecei a jogar em LAN com o meu irmão e com o meu padrasto. Nesta fase era Battlefield, mas depois fixei-me no Counter Strike.

Como surgiu a possibilidade de jogares mais a sério?

Aconteceu algures em 2013. Fui com um grupo de amigos a a última XL Party de 2013 e na altura saímos invictos. Na verdade, perdemos contra a melhor equipa nacional daquela altura. E sendo jogadores completamente "random", demos bastante luta a essa equipa. Com isso, acabei por ser chamado para os K1CK em abril. Fui com eles à DreamHack Valencia e foi aí que tudo começou a rolar a sério.

Ou seja, nem tiveste de procurar equipa?

Sim... Nessa altura pensava que iria para onde a vida me levasse. E achava que se fosse realmente bom, alguém acabaria por me chamar. E foi isso mesmo que aconteceu.

E aí percebeste que podias ser profissional?

Sim, sem qualquer dúvida. Poder jogar num evento internacional fez-me pensar que era mesmo aquilo que queria. E aqui estou eu na Turquia!

E nesse processo todo como foi a reação da família?

Bem, sempre me acharam um agarrado ao computador. Mas de certo modo a minha mãe já estava habituada a isso por causa do meu irmão. Por isso, a pior coisa que me fazia era cortar-me a internet à meia noite. Mas quando se aperceberam que ia para Valência com tudo pago para competir, a coisa mudou de figura. A minha mãe entendeu que isto estava a dar frutos e começou a apoiar-me sempre.

E como foi a ida para a Turquia?

Já tinha recebido uma proposta para vir para cá. Mas ainda era demasiado novo para esta responsabilidade e esperei. Mas no início de novembro do ano passado decidi aproveitar esta oportunidade. Achei que que este era o passo que tinha de dar e, se realmente queria fazer disto profissão, não podia esperar. Não saberia se voltava a aparecer uma proposta tão boa como esta.

Ficaste super entusiasmado?

Como é óbvio estava muito contente e muito entusiasmado. Os primeiros dias foram muito bons.

E a situação política e social na Turquia afetou-te nessa fase?

Admito que nunca quero saber muita coisa e sempre fui muito cético relativamente às questões políticas. Nunca me interessei por isso. Portanto não me afetou grandemente e nem sinto qualquer tipo de medo. Podia morrer num ataque terrorista noutro ponto da Europa Europa ou aqui.

E como é o teu dia-a-dia na Turquia?

Acordo por volta das 11 horas da manhã, no máximo meio-dia. Vou ao ginásio, depois tomar um banho e começar a jogar. Pelas 16 horas reunimos, revemos jogos nosso e de outras equipas e treinamos das 17:00 até às 20:00. Jantamos das 20:00 às 21:00. O único tempinho livre que tenho é das 00:00 até às 3:00, onde aproveito para falar com a minha namorada e com a família.

E qual é a tua situação contratual?

Tenho contrato por um ano e penso que a evolução que vou ter aqui me pode ajudar muito para o meu futuro. Será importante ter experiências de palco e construir uma fan base maior à minha volta. E depois continuar!

E em termos de remuneração, dá para os gastos?

Para um jovem português, o meu ordenado é sem dúvida bom. Posso pensar em viver sozinho e começar a ser mais autónomo, para poder deixar a ajuda da mamã de lado e lançar-me para a vida adulta. Mas aqui entre nós, quem é que pensa que um miúdo de 18 anos que joga videojogos é um adulto maturo o suficiente para viver e tratar das coisas sozinho? Nem eu acredito nisso!

E as saudades da namorada e da família?

É um bocado complicado, uma vez que no que diz respeito à namorada por vezes perdemos a paciência e isso leva a alguns problemas. Mas se realmente ambos quisermos dá para continuar assim. E digo aqui em plena entrevista que ter uma namorada como a minha é muito bom, porque ela me acompanha em todos os jogos e tenta sempre animar-me. Quanto à família, é normal. Perguntam sempre se está tudo a correr bem.

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