Duck Hunt não era para patos bravos
Estrela da companhia era a pistola que tínhamos para a caçada
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Não sou, de todo, adepto de caça, mas a verdade é que um dos jogos da minha infância passava por deitar abaixo o maior número de patos. Falo de Duck Hunt, o clássico de 1984 (1987 na Europa) produzido pela Nintendo, que colocou as crianças da altura de mira apontada à TV.
O objetivo do jogo era simples, como já expliquei, mas nem por isso deixava de ser viciante. Basicamente íamos à caça dos patos, que voavam das ervas altas com a ajuda do nosso cão. Era ele que os recolhia – caso abatêssemos algum – ou se ria de nós, se a nossa pontaria fosse pior do que má.
Muita da magia do jogo passava pela pistola. A tecnologia envolvida era, à data, um mistério para as nossas pequenas mentes. Como é que a consola/televisão sabia para onde estávamos a apontar? A resposta não estava no ecrã, mas nas nossas mãos.
Quando puxávamos o gatilho, o ecrã piscava numa fração de segundo. Os meus olhos não davam conta, mas os patos eram os únicos pontinhos que continuavam brancos enquanto o ecrã ficava preto nessa fração de tempo. O suficiente para a pistola reconhecer que havia um ponto diferente do resto no ecrã, concluindo: ponto branco = pato.
Sou defensor dos animais. E agora?
E agora a resposta estava no outro modo de jogo de Duck Hunt: tiro… aos pratos. Uma letrinha apenas fazia toda a diferença no jogo. Desta vez não havia aves a sair das ervas, mas sim pratos que eram disparados a toda a velocidade para longe da vista, os quais tínhamos de derrubar com a nossa arma. Bem mais difícil do que a caça aos bichos no primeiro modo, mas pelo menos ninguém saía magoado e o nosso canito podia fazer uma pausa.