A revolta dos porcos numa espécie de SimCity rural

SimFarm trouxe muitas (mas boas) dores de cabeça nos anos 90

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SimFarm

Lama, tomates, porcos e feno. Bem-vindos a SimFarm. O simulador que a Maxis trouxe ao Mundo em 1993 dificilmente vai sair da minha memória, tal como os calos deixados pela enxada não largam mais as mãos dos verdadeiros agricultores.

Um filho legítimo do famoso pai SimCity, SimFarm chegou até nós através do ambiente DOS, com tudo o que isso envolve. Joguei-o uns anos mais tarde, claro, e, após ultrapassar todos os problemas para instalar algo que, já na altura, era Retro, comecei as minhas próprias plantações.

O objetivo era criarmos a nossa quinta e não se pense que era tarefa fácil. Primeiro havia que escolher um terreno e as suas características, como a proximidade a fontes de água ou o clima. A melhor opção era escolher algo moderado, claro.
Tendo sítio, era altura de pensar. Sim! SimFarm obrigava-nos a pensar muito: será esta a melhor altura do ano para plantar tomates? Dois canais de irrigação chegam para o arrozal? Herbicida a mais não vai borrar a pintura?

Tratar das colheitas era complexo. Em poucos meses acontecia-nos de tudo, desde tempestades a secas extremas, já para não falar nas pragas de todo o tipo de bichos que insistiam em comer as nossas maçarocas (eu sei que a frase soa mal, mas estou apenas a dizer a verdade em bom português).

Havia determinadas plantações cujas colheitas podiam ter feitas com recurso a maquinaria, mas noutras não era possível. Aqui entravam umas senhoras de chapéus que, sincronizadas como nadadoras artísticas, apanhavam-nos os morangos (volto a dizer que não estou a fazer jogos de palavras).

Passemos às vacas (olha pronto!). A criação de animais era, para mim, a área mais divertida do jogo. Com o dinheiro das colheitas conseguíamos comprar algumas cabeças de gado (podia ser bovino, suíno, equino ou ovino) e depois era preciso acolhê-las em celeiros, colocando-lhes à disposição água e comida. Aqui entrava um dos bugs mais irritantes do jogo: mesmo com feno e tanques de água com fartura, mesmo à frente da entrada do celeiro, aqueles porcos – que, lá está, não tinham outro nome – insistiam em não comer e surgia-nos uma mensagem a alertar que não havia alimento à disposição dos animais.

Em SimFarm havia concursos. De vez em quando, aparecia um senhor – que eu instituí como um primo da cidade (o meu inglês não dava para mais) – a convidar-nos para participar em desafios e um deles era apostar em rodeos. Escusado será dizer que nunca ganhei um cêntimo. Havia igualmente concursos de gado, em que mandávamos o nosso melhor suíno na esperança de trazer 500 dólares para casa.

Os adeptos de tratores tinham em SimFarm um paraíso. Era praticamente obrigatório ter pelo menos um, caso contrário tínhamos de pagar para alguém trabalhar para nós. O problema é que ter um trator obrigada à construção de caminhos dentro da quinta: se fossem de terra eram mais baratos, mas as máquinas deterioravam-se mais depressa. Já dizia o ditado que o barato sai caro. A solução? Alcatrão para cima.

Resumindo, SimFarm era uma experiência divertida que nos ensinava que as cenouras não nascem nos supermercados e que a agricultura dá trabalho. Prova disso é que agora percebo por que é que os meus arrozais morriam sempre à sede. Basta olhar para a regra mais elementar da cozinha: uma malga de arroz, o dobro da água. Não falha.

Por Luís Miroto Simões
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