Carla Morgado: Um sonho cumprido em Tóquio

Apenas 25 portugueses conseguiram completar as World Marathon Majors. Aveirense é uma delas

Londres, Nova Iorque, Berlim, Chicago, Boston e Tóquio. Seis cidades muito ricas do ponto de vista cultural e turístico, mas que dizem algo em especial aos corredores, particularmente aos maratonistas. Ali, naquelas seis cidades, correm-se as maratonas mais exclusivas do Mundo, as World Marathon Majors. Aquelas nas quais todos querem entrar, mas que apenas uma pequena parte tem a real chance de correr.

E se finalizar uma já é um feito de realce, mais incrível se torna conseguir concluir as seis. Nessa lista de ilustres há apenas 25 portugueses, sendo Carla Morgado a mais recente. A aveirense, radicada há vários anos em Lisboa, completou o circuito há três semanas, em Tóquio, para levar para casa a ainda mais exclusiva ‘Six Star medal’, atribuída a todos os que completam as seis maratonas.

"Nem gostava de correr..."

Carla tem um percurso de maratonas (são já 26 no total!) que se iniciou no Porto, em 2010, apesar de admitir que alguns anos antes "nem gostava de correr". Fê-lo por desafio de um amigo e, desde então, não mais parou - e até repetiu o Porto em mais quatro ocasiões.

Daí em diante, começou a colecionar maratonas e em 2014 deu o passo que faltava: correr uma das World Marathon Majors. Na altura, nem "fazia ideia do que eram", mas assim que percebeu a dinâmica do circuito... ficou rendida. De tal forma que, a partir daí, o objetivo não era só correr maratonas, mas sim conseguir acabar as restantes cinco.

Seguiu em busca de completar o circuito, fechando-o no Japão, numa prova da qual saiu com sabor agridoce. "Ia com elevadas expectativas, mas o mau tempo acabou por retirar algum brilho à experiência", confessa, apontando nomeadamente a inesperada desorganização nipónica, assim como as condições que não lhe permitiram desfrutar da prova tanto quanto gostaria... ou correr um pouco mais rápido.

"O percurso é plano e citadino, mas o que realço mesmo são os voluntários. Tínhamos dez mil para 30 mil corredores. Não fosse o tempo e tivesse eu feito um melhor tempo... e teria sido a prova perfeita", admite, com humor, esta diretora financeira, que normalmente treina três vezes por semana e que em Tóquio fez um tempo abaixo das quatro horas (o seu recorde é de 3:42 horas).

De resto, de notar que os tempos não são algo que procupe muito a atleta aveirense. Mesmo que confesse que, naturalmente, gostava de correr mais rápido, Carla deixa claro que anda nisto das maratonas especialmente para se divertir, para fugir um pouco da sua rotina e também para fazer um pouco de turismo.

"Adoro viajar e conheço praticamente todo o mundo. Aproveito as maratonas para conciliar um pouco tudo: a viagem, o aspeto social e o desporto. Não corro pelos tempos. Em Tóquio, por exemplo, fiquei lá dez dias. A corrida faz parte da minha vida, de tal forma que tenho sempre uma mala comigo com equipamento", admite.

E por falar em viagens, Carla Morgado deixa um conselho a quem tenciona fazer a Maratona de Tóquio: "Podem tentar entrar por sorteio, mas aconselho vivamente que viajem por agência, tal como eu fiz, com a Endeavor. Todos todas as mordomias, para lá de uma festa final absolutamente incrível. Essa festa é exclusiva para esse tipo de corredores e nunca tinha visto nada assim. De tal forma que, depois daquela festa, ficou quase impossível dizer que não gostei desta maratona", confessa

A 'pancada' das regras

Um dos aspetos que de certa forma irritou Carla Morgado neste contacto com a prova nipónica acabou por ser a forma (excessiva, segundo a própria) como os japoneses seguem as regras. Mesmo que algo pareça mais prático, como por exemplo quando, com todas as estradas fechadas, os "voluntários não deixavam os corredores passar para o outro lado da rua com o semáforo em vermelho".

Isso e as casas de banho durante a prova, que surpreenderam... pela negativa. É que, ao contrário do normal, não estavam colocadas ao lado do percurso, mas sim numa zona afastada do mesmo, por vezes a mais de meio quilómetro!

E qual foi a melhor?

Sendo uma das pessoas que faz parte de um restrito grupo de corredores que já fez o circuito, aproveitámos a oportunidade para questionar sobre qual foi, então, a maratona na qual mais gostou de participar. A resposta veio... em duas partes. "Escolho Chicago pela organização, porque foi perfeita. Lembro-me que estava doente e só acabei por ter sido naquele ambiente. Aliás, na semana passada, aquando da Meia Maratona de Lisboa, lembrei-me de Chicago, porque lá até colocaram alcatifas nas pontes para tornar a passagem dos corredores mais agradável".

Já pela emoção a escolha recai em Nova Iorque. "É uma prova que tem uma mística muito especial. Desde logo pela logística da partida, passando pelo facto de no percurso corrermos nos cinco bairros, todos com públicos diferentes. O final é horrível, porque é a subir, mas mesmo assim até fiz o meu melhor tempo das seis lá!".

Quanto às europeias, enaltece o incrível apoio popular que se sente em Londres, ainda que por vezes até tenha tido vontade de... mandar calar as pessoas, de tantos berros que ouvia. Quanto a Berlim, fala numa "prova engraçada e plana"... e pouco mais.

Por Fábio Lima
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