A morte do Bordéus: um histórico feito em cinzas
Já foi o Bordéus de Pauleta. De Chalana, Zidane ou Tigana. Já foi uma potência do futebol gaulês, seis vezes campeão. Agora, enterrado em dívidas, perdeu o estatuto profissional e vai jogar a 4.ª divisão
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Foi fundado em 1881, como associação eclética dedicada à ginástica e ao tiro desportivo. Em 1919 iniciou a atividade no futebol e em 1937 passou a ostentar o estatuto de clube profissional do qual agora, quase 90 anos depois, se vê obrigado a abdicar como consequência do arrastar de uma crise financeira que deixou uma dívida de cerca de 40 milhões de euros. Evitou-se o desaparecimento, mas a nova realidade vai passar pelo National 2, o 4.º escalão do futebol gaulês, na condição de equipa amadora. Jogadores e funcionários, que há um mês tinham contrato, ficaram sem emprego. A academia, uma das maiores de França, fechou, deixando milhares de jovens à procura de um novo clube para continuar a perseguir o seu sonho. O novo estádio, inaugurado em 2016, arrisca passar a ser um elefante branco, demasiado grande para a nova dimensão do clube. E a cidade de Bordéus, que se habituou a ver futebol do mais alto gabarito, fica à deriva, como a maior do país sem um equipa de futebol profissional, na esperança de que o seu Girondins se consiga reerguer. O futuro é incerto, mas o passado inapagável.