Alain Prost e o acidente que vitimou Senna: «Uma parte de mim também morreu»

Francês foi o grande rival de Ayrton Senna e nunca esqueceu o brasileiro

À distância, a rivalidade entre Ayrton Senna e Alain Prost talvez só tenha algum paralelo com outra ‘discussão’ de arquirrivais: Niki Lauda e James Hunt, já passada ao cinema com o filme ‘Rush’. E entre a chegada de Senna à Fórmula 1, em 1984, e o final da carreira de Prost, em 1993, passaram dez anos onde houve de tudo. Foram companheiros de equipa na McLaren-Honda, protagonizaram grandes duelos em pista, acidentes, momentos de ‘frisson’ (como no GP de Portugal de 1988, quando Senna apertou o gaulês junto ao muro das boxes), enfim, uma relação truculenta que Alain Prost, hoje com 64 anos, nunca esquecerá.

O francês colabora com o Instituto Ayrton Senna – Educação do Futuro (ONG criada em 1994 pela família de Senna), mas os primeiros anos a seguir à morte do piloto brasileiro não foram fáceis. Só em 1998 o tetracampeão mundial (1985, 1986, 1989 e 1993) se dispôs a dar uma entrevista sobre aquela década de rivalidade, digamos, exacerbada. "Quando ele morreu, disse que senti que uma parte de mim também tinha morrido, porque as nossas carreiras estavam tão interligadas. Realmente quis dizer aquilo, mas sei que algumas pessoas não acharam que fui sincero", afirmou nessa entrevista.

Prost revisitou vários episódios, como o toque intencional em Suzuka em 1990; relembrou que a rivalidade começou numa corrida em 1984 com carros de série na inauguração do atual circuito de Nurburgring, passou em revista as dificuldades nos tempos da McLaren – "Nunca tive com a Honda a relação que Ayrton teve", admitiu o piloto francês – e foi assertivo na definição de Senna. "Ele era muito rápido e muito melhor do que eu nas qualificações, muito mais comprometido. Foi muito bem-sucedido em tudo o que importava para ele, tudo o que ele definiu como metas para si", disse.

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Na primeira pessoa

A autoconfiança e a filosofia de vida de Ayrton Senna servem ainda hoje de inspiração para muitos. Alguns dos pensamentos expressos pelo piloto brasileiro funcionam mesmo como faróis de motivação e atitude perante a vida. Eis alguns exemplos:

"Sou muito competitivo. Gosto de fazer bem as coisas, gosto de ser o melhor"

"Aprendo sempre com as minhas limitações"

"Não existe meio-termo no empenho, no compromisso, no esforço e na dedicação. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz"

"Sinto-me um privilegiado. Poucos podem fazer o que querem na vida e fazerem profissionalmente o que era apenas um passatempo"

"Vencer é o que importa. O resto é a consequência"

"Cada piloto tem o seu limite. O meu fica acima do dos outros"

"Quando você se senta num carro de corrida e compete para vencer, o segundo ou o terceiro lugar não satisfazem. Ou se compromete com o objetivo da vitória ou não"

"Não tenho ídolos. Admiro o trabalho, a dedicação e a competência"

"O segundo nada mais é do que o primeiro dos que perderam"

Por Paulo Renato Soares
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