Ana Mota Veiga: Sucesso a trote muito... Convicto

Cavaleira paralímpica conta a Record as dificuldades que teve e fala da parceria na pista com o ‘companheiro’

O paradressage em Portugal tem em Ana Mota Veiga uma das suas figuras principais. A cavaleira, de 46 anos, já esteve nos Jogos Paralímpicos de 2016 mesmo depois de ter passado por um abalo e continua a dar cartas. Tudo começou a partir da hipoterapia, utilizada como método terapêutico para a paralisia cerebral da qual é portadora. "A minha mãe gostava de animais e lá me punha em cima do cavalo. Quando tinha 12 ou 13 anos, comprou-me um e aos 20 comecei a ter aulas", explica Ana Mota Veiga, que é também audiologista. Desde os primeiros trotes ao sucesso, o caminho foi lento – começou a competir em 2009 – mas compensador. Em 2015, morreu Vento, o fiel cavalo de sempre, e ficou com os Jogos em risco – os cavaleiros vão a zeros no ‘ranking’ quando a montada sai de cena –, mas deu a volta por cima com o seu Convicto e ficou em 17.ª no Rio de Janeiro. "O mais difícil da minha carreira foi quando perdi o meu cavalo. Fiquei sem saber se continuava. Depois, apareceu o Convicto e pensei melhor", realça.

Ana Mota Veiga treina três vezes por semana com o seu cavalo. Afinal, o segredo pode estar na relação entre os protagonistas. "É uma amizade, um companheirismo que aparece ali", reforça. No meio da adrenalina do paradressage, Ana Mota Veiga aparenta ser uma pessoa calma... e antes da hora da verdade, foge sempre à confusão. "Gosto sempre de meditar durante um bom bocado. Ajuda-me a manter o foco. Não gosto de agitação nem de andar para todo o lado. A minha treinadora e a minha mãe ajudam-me a organizar as coisas", salienta, lamentando apenas que continue a faltar representatividade do desporto em Portugal. "Não há competitividade. É um desporto dispendioso que, por esse motivo, poucas pessoas conseguem fazer. Devia haver mais apoios. Na equitação adaptada, os cavaleiros têm algum tipo de incapacidade e precisam de mais ajuda", sublinha.

Atenção extra na adaptação após a viagem

Ana Mota Veiga mostra-se atenta a todos os pormenores. Um dos mais importantes está na forma como ajuda a que o cavalo se adapte às diferentes viagens. "Ele já sabe as rotinas. Nas viagens, ou estou eu a recebê-lo ou vai alguém que ele conhece. Não quero que ele chegue a um sítio e não haja ninguém que o conheça. É como uma criança. Se enviarmos uma num avião, era chato se depois ninguém estiver à espera", brinca.

Uma das viagens que Ana gostaria de ter feito este ano era para Tóquio, mas os Jogos, como é sabido, foram adiados. "Não havia condições, ponto final. Mas claro que me preparei para isso. Devia estar agora a fazer as malas", frisa, sem esquecer que ainda não sabia se era ela a ocupar a quota de Portugal. "Em 2016, entrar no Estádio Olímpico e ver o carinho que os brasileiros têm pelos portugueses soube mesmo bem. É muito gratificante estar nos Jogos", conclui.

Por Rafael Soares
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