Carlos dos Santos: Seleção norte-americana, sangue português e coração benfiquista

Jovem guarda-redes deixou Filadélfia, onde vivia com os pais, para singrar no Seixal

Carlos dos Santos ostenta no sangue uma sui generis história da emigração portuguesa. O guarda-redes, de 17 anos, nasceu em Filadélfia e é filho de pais portugueses que viajaram para os Estados Unidos na década de 1980 em busca de uma vida melhor. CJ, como é conhecido, viveu em terras do Tio Sam até 2016, ano em que ingressou no Benfica, onde atualmente joga pela equipa de juniores.

"Sou de Almada,ia de férias para Portugal e lembrei-me de procurar uma escolinha de guarda-redes. O Benfica entrou em contacto comigo e na altura o CJ tinha 12 anos", começa por explicar o pai, também ele Carlos dos Santos, a Record."Ficaram de olho nele até aos 15 anos, quando me mandaram um mail da prospeção a dizer que estava sob observação", vinca, revelando o porquê de ter acedido ao pedido de Nuno Gomes em deixar o filho menor viajar para Portugal com o intuito de fazer testes no Caixa Futebol Campus. "Pensei naquilo que o meu pai me tinha dito em 1989. O Pinto da Costa tinha estado em Filadélfia e perguntou-me se eu, guarda-redes então com 19 anos na Universidade de Temple, queria ir fazer testes pelo FC Porto. Disse que sim mas o meu pai não deixou", recorda o agora pai e ídolo do jovem guardião que entretanto se estreou pela seleção sub-20 norte-americana com somente 17 anos e que é chamado ocasionalmente aos treinos da equipa B do Benfica.

Fã de Thibaut Courtois, CJ está a finalizar o ensino secundário e conta arrancar para uma licenciatura online a partir de setembro. A mãe Anabela, natural de Coimbra, não esconde as saudades do filho que vive no Caixa Futebol Campus, a mais de 5.500 quilómetros de Filadélfia, de onde saiu e onde ainda tem "uma grande reputação". Contudo, naturalmente, quer que CJ seja bem sucedido. "É interessante ver o contrário da vida que eu tive em criança, voltando para Portugal, para realizar o seu sonho. Sempre tive esse orgulho e sempre o apoiei para seguir o que ele quisesse. Digo-lhe para fazer o melhor. Faz o que gostas e diverte-te. Se assim não for não vale a pena", assume.

Além de ser norte-americano, o Carlos dos Santos mais novo tem também passaporte português, o que lhe possibilitará alinhar pela Seleção Nacional caso a situação se possa consumar no futuro. Pela vontade do pai do jogador, a decisão estaria tomada desde já. "Se essa oportunidade existir, eu vou fazer força no sentido de que ele venha a jogar por Portugal. Mas só com o tempo é que vamos saber isso", frisa o progenitor de CJ, também ligado ao desporto. Além de professor de português e castelhano nos EUA, é treinador de futebol e basquetebol.

"O CJ nasceu nos Estados Unidos mas a história do Benfica ele já a sabe há muito tempo", conta-nos o pai, Carlos dos Santos, revelando admiração pela determinação do filho, aparentemente indiferente à convivência com algumas lendas do Benfica nas camadas jovens. "Quando começou nos juvenis, o Chalana era um dos treinadores. E eu perguntava-lhe: ‘Tu sabes quem é o Chalana?’ Ele dizia que sim. ‘Então o Chalana está contigo no campo todos os dias?’ Ele apenas respondia: ‘Eu sei quem é o Chalana, pai, mas é o meu treinador. Eu tenho de treinar e não posso estar a pensar nele’", lembra, bem-disposto.

Keaton é amigo e exemplo

O pai Carlos dos Santos agradece o facto de CJ ter uma relação próxima com Keaton Parks, médio norte-americano que se treina regularmente às ordens de Rui Vitória. "Digo-lhe para tomar conta do meu filho. Estou-lhe muito agradecido. Está a jogar bem e a integrar-se bem no Benfica, servindo de exemplo para o CJ. São amigos. Ao fim ao cabo, o CJ é português, mas nasceu nos Estados Unidos e é norte-americano. Tendo uma pessoa que fala inglês com ele, facilita", vinca, apontando para uma "muito maior maturidade" desde que se mudou para o Seixal. "Tem crescido muito enquanto pessoa e enquanto guarda-redes", revela o progenitor, que salientou ainda que "a independência em relação aos pais tem sido muito boa" para a evolução intelectual.

Quanto ao seu futuro como futebolista, o pai acredita que "todos os sacrifícios feitos irão dar certo", até pela qualidade que existe no Caixa Futebol Campus: "Ele chegou a um nível muito mais alto por causa do Benfica. Treinar-se todos os dias com jogadores como o João Félix ou o Umaro Embaló... Eu fui guarda-redes e treinador dele até aos 12 anos. Tenho muita fé no potencial do CJ. O sonho de jogar no Benfica já foi concretizado mas há outros!"

Por Flávio Miguel Silva
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