Experiência: Desafiar os meus limites na Rock'n'Roll Maratona de Lisboa

A história de como superei todas as barreiras para me tornar um maratonista...

• Foto: Inês Gomes Lourenço

Dia 15 de outubro. O dia em que coloquei em prática tudo aquilo que trabalhei nos últimos quatro meses e meio. Foram meses de preparação, mais de mil quilómetros percorridos e de 100 horas passadas por essas estradas para chegar ao dia da verdade. Para se ser maratonista é preciso ter muito treino, levar o corpo ao limite e deixá-lo apto para o impacto a que vai ser submetido. Desengane-se quem pensa que correr uma maratona é só correr… e já está. Há muitos pontos fundamentais, desde o treino bem estruturado, a alimentação bem cuidada (culpado!), a hidratação e o reforço muscular. Importante foi igualmente a semana da prova, com muito descanso, para deixar as pernas (e a mente) prontas para o que aí vinha.

Fiz tudo isso e senti-me pronto para quebrar a barreira dos 42.195 metros. Chegou a hora da partida. Oito horas, em Cascais. Mais de cinco mil pessoas juntas pelo amor à corrida, pela vontade de superarem os seus limites. Uns já batidos nestas andanças e certamente muitos estreantes, como eu. Apesar de novato, tinha plena confiança de que aquilo ia ser ‘peanuts’. Não foi. Por culpa própria.

Como manda a ‘regra’, o início foi controlado, de modo a reservar energia para os quilómetros finais, onde cada réstia da mesma faria a diferença. Ao longo do percurso, e como fazia bastante calor, foi importante a hidratação. Havia uns 15 pontos de abastecimento ao longo do percurso e não falhei algum. Apanhava sempre duas garrafas de água. Uma para me refrescar, outra para beber. Importante foi também levar alimento para ingerir, aqui optando por algo já testado. Por conselho de um amigo carregado de experiência, testei puré de fruta (sim, daqueles dos bebés) nos treinos longos e mantive o que tinha experimentado. Levei quatro e dividi pelo percurso. Tinha tudo planeado, mas para enfrentar o desconhecido… até o melhor plano pode falhar.

Especialmente quando cometi o meu maior erro. Já sozinho (comecei com mais dois amigos, que entretanto ficaram para trás), aos 36 km decidi imprimir um ritmo mais forte. Aguentei até aos 38. Comecei em quebra, com o corpo a pedir alimento a cada metro. Dei-lhe, de forma espaçada, uma banana, um puré de fruta e uma geleia. Não chegava! Aos 40… cãibras! Faltavam dois mil metros e tinha batido no tão temido muro. Socorri-me da última esperança, uma cápsula de magnésio, que um dos meus amigos me deu. Tinha tentado manter-me fiel à lógica de não experimentar nada novo, mas aqui… valia tudo! Tomei e as cãibras foram ao ar! Não havia cãibras; havia pernas pesadas e um corpo (e mente) já a dar as últimas. Andei pouco mais de um quilómetro e, de repente, começo a ouvir cada vez mais barulho. A meta estava a aproximar-se. "Vai, está quase!". "Força, tu consegues!". Ouvia e ainda tinha força para dizer um "obrigado". E pensei "se cheguei aqui… agora vou até ao fim!" Passei o Cais do Sodré, entrei no empedrado e foi como se as dores tivessem desaparecido. Não consigo explicar, mas ali parecia que a minha prova estava a começar. Aumentei o ritmo, cerrei o punho, fechei os olhos, sorri, voltei a cerrar o punho, empurrado por todas as palmas, pelos gritos que ia ouvindo enquanto passava. Curva à esquerda. Curva à direita. Curva à direita. Um último sprint para a meta e… está feito!

E agora? Agora venha a próxima… em Sevilha.

DICAS

Treino. Para se correr uma maratona é necessário ser consistente na preparação e cumprir todas as etapas. Procurem alguém com experiência na área e sigam o plano à risca. Não é isso que vai tornar a maratona mais fácil; mas vai torná-la menos difícil...

Alimentação. Tal como um carro, o nosso corpo necessita de combustível para fazer todos estes quilómetros. Devemos optar por uma alimentação cuidada e, nas semanas que antecedem a prova, reforçar a ingestão de hidratos de carbono. Outra dica importante: bebam muita água! Vai fazer a diferença...

Descanso. Repousar é tão importante quanto treinar. É que, sem descanso, não vão render tanto no treino e muito provavelmente na própria prova.

Segue a minha aventura em

www.instagram.com/fabior46

https://runnerafazerdeconta.wordpress.com

Por Fábio Lima
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