Farid Walizadeh: «Não queria ser mais um cadáver nas montanhas»
Roubou para comer, esteve em coma, tentou fugir e foi apanhado, mas chegou a Portugal e tem a vida pela qual sempre lutou
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Esta travessia a que Farid Walizadeh foi obrigado teve muitos obstáculos e é impossível imaginar a brutalidade deste desafio. Porém, ficou ainda mais difícil quando, no Paquistão, ficou sozinho. "Perdi o grupo e houve vezes que não sabia para onde ia. Em certos lugares fui mesmo à toa", explica, abordando a questão do medo, porque, no fundo, era apenas um menino de 8 anos: "Isso é algo muito estranho, porque ali é tudo perigoso, por isso nem pensas no medo. Não conhecia esse sentimento. Era tudo mau. Havia pessoas más, polícias que nos batiam, animais perigosos, as montanhas, o frio... Eu fazia o máximo para continuar a andar e o medo não ocupava nenhum espaço na minha cabeça."