Manuel Mendes: Um conquistador sem fim de validade

Maratonista, de 47 anos, dá o exemplo pela forma como vê os obstáculos e até faz parar os miúdos

Em 2016, Manuel Mendes entrou para a história do desporto paralímpico português ao alcançar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Hoje, com 47 anos, o maratonista da classe T46, natural de Guimarães, continua à procura de novos feitos e nem o adiamento dos Jogos de Tóquio lhe rouba o sonho. "É redutor olhar para isso quando estamos a perder vidas humanas. Aquilo que tiver de ser meu há-de ser, em 2021 ou 2022. Teve de ser assim. Não há que lamentar", salienta o atleta em declarações a Record.

A história de superação de Manuel Mendes é já conhecida, mas recordamos. Aos 9 anos, o nortenho ficou sem parte do braço esquerdo devido a um acidente com uma máquina agrícola, Mas, se no início houve complexos, hoje é um homem realizado. "Na adolescência, há dúvidas disto ou daquilo. Passei por alguns momentos complicados. Agora vejo-me como uma pessoa normal, que faz 97% das coisas com autonomia. Sou realizado a 300%... Tenho a minha família e os meus amigos. Com ou sem membros, cada um pode e tem de ser feliz", faz questão de sublinhar.

Pela forma como encara a vida, até a mais barulhenta criança gosta de ouvir a história deste maratonista. "Às vezes, vou falar a escolas e percebo que os miúdos têm um grande interesse. Uma vez, uma professora disse para eu ter paciência que eles eram barulhentos. No fim, deu-me os parabéns. Pela experiência, digo-lhes sempre que não vale a pena sofrer por uma coisa que é banal. Cada hora e cada minuto é tempo perdido", salienta. De resto, o tempo passa e o talento continua presente. Tenho a mesma força e vontade de há 10 ou 15 anos. Tenho a impressão que estava na minha melhor forma de sempre quando estava agora a treinar para os Mundiais", relata. Como bom vimaranense, é um conquistador... sem fim de validade.

"As medalhas são de um grande grupo"

Manuel Mendes continua a trabalhar numa empresa de máquinas de diversão, em Guimarães, e nem o patrão é esquecido na hora de partilhar os sucessos. "Conto com a bondade dele, que facilita para ir treinar quando é necessário. Tenho a sorte de estar rodeado por uma grande equipa, como o meu treinador [Ricardo Ribas]. Tenho a minha família, que me apoia imenso, bem como a autarquia, em Guimarães", frisa o maratonista, que já conquistou uma medalha de prata na Taça do Mundo de Londres, em 2018, e foi 4.º nos Mundiais de 2019, também em Londres. "As medalhas são de um grande grupo. Quando ganho, só sou nomeado para a ir levantar", diz, garantindo que o trabalho vai continuar a ser afincado. "Nunca ninguém me irá ver a arrastar-me no desporto paralímpico. É responsabilidade de cada um fazer tudo para apresentar resultados", conclui.

Por Rafael Soares
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Record mais

Citroën C4: Identidade renovada

O novo modelo da marca francesa para o segmento C (familiares compactos) chega no final do ano. Há motorizações gasolina, Diesel e versão elétrica

Notícias

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.

0