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Maratona de Boston: A prova mais desejada

Corre-se amanhã a 123.ª edição da mais antiga (e mais exclusiva) prova de 42,195 km do Mundo

Quando amanhã se colocarem na partida da 123ª edição da Maratona de Boston, os mais de 30 mil inscritos não estarão apenas a enfrentar uma maratona. Estarão a preparar-se para correr a maratona das maratonas, a mais antiga e, provavelmente, a mais exclusiva e emblemática das que se disputam na atualidade. Ali só entra quem corre rápido e estar na partida é para muitos uma espécie de objetivo de vida. E nem os atentados de 2013, que deixaram três mortos e mais de 200 feridos, retiraram brilho à prova. Antes pelo contrário.

Está quase a chegar a Maratona de Boston

Depois desses brutais ataques, Boston ganhou mais força, levou as pessoas a unirem-se ainda mais à volta daquele evento anual, transformando-o no cenário mais desejado por milhões dos corredores. Mas, então, o que distingue Boston das demais provas e leva tantos a desejarem lá estar? Nada melhor do que procurar a resposta junto de quem lá esteve em 2018, uma edição disputada nas mais complicadas condições de sempre.

"Era o meu sonho. Era a maratona que mais queria fazer, pois queria conhecer aquele povo, por ser tão diferente, tão positivo. Por terem feito da maior desgraça que lhes aconteceu uma coisa boa", refere Catarina Coito. O relato, com muita emoção à mistura, traduz bem aquilo que por ali se vive. E nem mesmo a tempestade do ano passado (este ano a previsão é igual...) fez ninguém arredar pé daquele palco. "Ninguém pensava em não correr a prova, pois fazer aquela maratona, seja em que condições for, é indescritível. É tudo fantástico. Mesmo com aquele temporal, as pessoas saem todas às ruas, os voluntários ajudam ao máximo e nota-se que as pessoas são genuinamente dóceis e agradecem-te por estares lá a correr", lembra esta médica dentista de 42 anos, que cumpriu em Boston o sonho de correr a sua primeira ‘Major’.

Também presente à partida em 2018 esteve Ana Luís Reis, uma corredora do Porto que chegou a Boston lesionada e sem grandes ambições de concluir a prova. Mas nada que a impedisse de viver aquele ambiente... "Depois de ler e ver o que era Boston não resisti e fui na mesma". Uma decisão da qual não se arrepende... nem por um bocadinho.

"Por lá vive-se um ambiente único. Respira-se a maratona. As pessoas são incríveis, nota-se que são afáveis e tentam sempre ajudar. Parece que a cidade foi pensada para receber os maratonistas. Tudo gira à volta da maratona", explica Ana Luís, que em Boston abandonou à passagem dos 22 quilómetros - estava planeado que assim fosse. E mesmo não tendo chegado ao final, o desejo para o futuro é claro: "É memorável. Adorava poder voltar lá...".

Um sentimento que também é partilhado por André Gouveia, que depois de 12 maratonas não tem dúvidas em colocar Boston... lá no topo. "É "A" Maratona. É a mais antiga e com mais história e a que todos os corredores, sejam profissionais ou amadores como eu, desejam um dia participar", explica este corredor, que no ano passado viu as más condições atmosféricas 'sabotarem' o seu plano de fazer uma prova rápida. Mesmo assim, 2018 foi inesquecível. "Fica na história como a mais difícil maratona de Boston com condições atmosféricas bastante adversas, muito frio (temperaturas negativas), muita chuva e vento. Não foi a minha melhor maratona mas foi de longe a mais sofrida e saborosa! Terminar foi um sonho e um acto de sobrevivência", considerou o atleta de 39 anos.

Vítimas lembradas

Os atentados foram há seis anos, mas em Boston nunca se esquece aqueles que perderam a vida ou que foram afetados pelo ataque daquele fatídico 15 de abril. Ano após ano, para lá de celebrar a superação de quem se desafia na prova, Boston une-se em torno deles, em várias homenagens que se prolongam desde os dias prévios até aos dias posteriores à prova, que tem a curiosidade de se disputar a uma segunda-feira, sempre no ‘Patriots Day’.

No dia seguinte, por exemplo, o memorial que está instalado na zona de meta (onde os ataques foram perpetrados) enche-se de pessoas para prestar o seu tributo às vítimas, mas também daqueles que querem por uma última vez sentir a vibração de uma meta que é "única". "Sente-se um espírito e adrenalina brutal", explica Ana Luís.

Armada africana assume favoritismo

Com a meteorologia novamente em jogo, irá Boston assistir à vitória de um ‘outsider’ ou os africanos irão repor a normalidade e levar para casa a vitória nesta ‘Major’? A resposta a esta questão apenas chegará ao início da tarde de amanhã, mas o elenco presente merece muito respeito. Nos homens, os favoritos a sucederem a Yuki Kawauchi – também ele presente – são Lawrence Cherono (2:04:06 h), Lemi Berhanu Hayle (2:04:33), Lelisa Desisa (2:04:45) e Geoffrey Kirui (2:06:27). Já nas senhoras, igualmente com a campeã Des Linden presente, as principais candidatas são as africanas Worknesh Degefa (2:17:41), Edna Kiplagat (2:19:50) e Mare Dibaba (2:19:52)

Por Fábio Lima
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