Maratona de Sevilha: Como correr em casa

Sevilha voltou a não desiludir. O percurso mudou, mas o ambiente continua a ser incrível

Já é uma espécie de tradição de início de ano para cada vez mais portugueses. Cruzar a fronteira, fazer várias centenas de quilómetros para correr uma das mais emblemáticas maratonas de Espanha. Sevilha tem sido o destino escolhido para os corredores lusos se desafiarem, muitos deles até estreantes na distância que até assusta os profissionais e os mais batidos nestas andanças.

Falar sobre o que por ali se vive é ao mesmo tempo fácil e complicado. Fácil porque há tanto para contar, complicado porque é difícil resumi-lo. Afinal de contas, são 42 quilómetros de vivências, de momentos emocionantes, de dores e barreiras superadas até chegar àquela meta, que este ano se mudou para a zona central da cidade (uma mudança provisória, mas que até achamos que se deve tornar definitiva).

Ali, em Sevilha, voltámos a ser felizes. A cidade tem qualquer coisa de diferente do que estamos habituados e talvez por isso haja tanto português a escolher esta maratona. Uns falam nela como sendo "indescritível", outros apontam o último domingo como "um momento para jamais esquecer". Outros destacam o carrossel de emoções que se vive ao longo dos 42 km, que na prática não são mais do que a recompensa pelo trabalho que foi feito até àquele dia.

Todos eram estreantes. Todos passaram por Sevilha com nota elevada. E nem o muro - esse monstro que tantos temem - apareceu para travar os sonhos que por ali estavam para ser vividos e contados. Talvez pelo ambiente ou pelo ânimo transmitido pelos milhares de sevilhanos (e muitos portugueses) que saíram às ruas, os quilómetros foram passando como se nada fosse...

Coração e pernas...

É normal dizer-se que uma maratona é feita com 30 quilómetros de pernas, 10 de cabeça, 2 de coração e 195 metros de lágrimas nos olhos, mas de Sevilha houve quem tenha saído com outras contas. "São 39 quilómetros com o coração e 3,195 com as pernas", atirou uma das portuguesas que por ali brilharam na estreia. Nesses 39 km não houve muro, não houve quebras de ritmo. Houve animação, houve bandas no percurso a animar os corredores, voluntários de nota máxima no apoio aos corredores e um entusiasmo incrível de todos os que estavam na beira da estrada. Os graúdos soltavam aqui e ali uns "ánimo campeón", uns "ya está hecho". Os miúdos, encantados com toda aquela multidão, estendiam as mãos e davam-nos ‘hi5’s’, sorriam-nos e faziam-nos voar. Eles não sabiam, mas com aqueles gestos transmitiam-nos energias positivas, empurravam-nos até à meta.

Com aqueles momentos, praticamente a cada passo dado, dificilmente teríamos espaço para deixar a nossa mente pensar em dores, no número de quilómetros que tínhamos feito, nos que ainda tínhamos pela frente. Era mesmo possível estarmos a divertir-nos no meio daquela monstruosidade que é a maratona.

E nós divertimo-nos muito. Sorrimos, vibrámos com a loucura que se viveu nas ruas, agradecemos o apoio, demos a mão a quem nos apoiava e no final saímos com um novo recorde pessoal (e com um super split negativo!). O que mais dizer desta maratona? Sevilha é ouro. Continua a ser e promete ser ainda mais dourada.

Leia a crónica completa.

Por Fábio Lima
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