Miguel Falé: «Voltei a jogar com felicidade»
Jovem de 20 anos representa o CD Mafra desde janeiro
Liga Portugal – Nasceu e cresceu em Redondo, no Alentejo, mas fez os primeiros anos de formação no SL Benfica. Como foi essa experiência?
Miguel Falé – Dei os primeiros toques na bola ainda no Redondense, mas os passos iniciais foram no SL Benfica. Entrei lá criança e saí quase um homem. Foi uma oportunidade que a maioria dos miúdos da minha idade não tinha, que era jogar num clube grande. Infelizmente no Alentejo não temos as melhores condições. Sinto que as bases, onde aprendi tudo, foi no SL Benfica e isso ajudou-me muito na minha carreira.
LP – Mas treinava e jogava a quase duas horas de casa. Foi certamente um grande sacrifício...
MF – Claro que sim, principalmente para os meus pais, que sempre fizeram tudo por mim. Foi o dinheiro em gasóleo, portagens, era muito tempo na estrada. Fizeram isto para o filho cumprir o sonho e é um sentimento de orgulho enorme para eles, mas também para mim.
LP - Nos sub-15 mudou-se para Braga, depois de uma temporada perto de casa, no Lusitano de Évora. Como foi ficar longe da família tão jovem? E que conselhos pode dar aos jovens nessa situação?
MF – Estive seis meses no Lusitano e em janeiro fui para Braga, mas não consegui ficar. Era longe, eu só tinha 14 anos... Chorava muito e, por isso, voltei para casa, onde acabei o ano no Lusitano. No ano seguinte voltei em definitivo para Braga, não foi fácil, mas o clube voltou a dar-me a mão. Disseram-me que tinha valor e que gostavam de mim. O conselho que tenho para dar é continuarem sempre a trabalhar e estarem rodeados de boas pessoas, que acreditem em ti. Depois, e principalmente, é acreditares em ti próprio e no valor que tens. Tens de ser feliz a jogar.
LP - Teve uma ascensão meteórica no SC Braga e, aos 17 anos, chegou a estreia na equipa principal, sob comando técnico do mister Carlos Carvalhal. Como foi essa fase da sua vida?
MF – Foi muito bom. Estrear-me na Liga Portugal Betclic foi o cumprir de um sonho, bem como integrar uma equipa principal, onde lidava com pessoas que já viviam futebol há muitos anos. Foi especial, em particular, porque foi no SC Braga, um clube por quem tenho um carinho muito especial. Estou também muito grato ao mister Carvalhal, que acreditou em mim, e também ao mister Custódio, que me ajudou a subir.
LP - Chegou, em janeiro deste ano, ao CD Mafra, depois de ter estado por empréstimo em Espanha, ao Castellón. Como foi esta mudança?
MF – Não estava à espera, mas foi um projeto que me agradou imenso e tem sido muito bom. É um clube familiar, onde é muito bom trabalhar. É leve e, se calhar não tendo as condições que tinha em Braga, todo o staff faz com que seja melhor. Aqui voltei a jogar com a felicidade que gosto e num projeto que toda a gente abraça.
LP - Está a dar os primeiros passos na Liga Portugal SABSEG. O que está a achar da prova?
MF – Surpreendeu-me, principalmente pela intensidade dos jogos, mas também o equilíbrio. Jogues contra uma equipa a lutar pela subida ou pela manutenção, os jogos são sempre difíceis. Sentes que não há jogos fáceis, vais ter de lutar o mesmo, porque as equipas têm todas muita qualidade.
"Este balneário é especial"
LP - O balneário do CD Mafra marca pela representatividade de nações, contando com jogadores brasileiros, dinamarqueses, australianos, islandeses, nigerianos, entre outros. Como é essa convivência?
MF – Este balneário é especial mesmo por isso. Há imensas nacionalidades, além de portugueses de norte a sul. Todos temos uma forma de pensar diferente, mas diariamente remamos todos para o mesmo lado e cada um à sua maneira dá o seu melhor. É uma verdadeira família. Eles já tinham isto formado, eu cheguei em janeiro e, na primeira vez que entrei no balneário, senti que já aqui estava desde o início da época. É mesmo muito bom.
LP - Balneário que é liderado pelo mister Jorge Silas, consagrado no futebol nacional. Que ensinamentos lhe tem passado?
MF – Principalmente diz-nos para não termos medo de jogar. Por exemplo, muitas vezes queremos jogar ao primeiro toque, mas ele pede para dar dois e não um, se for preciso três, quatro ou até conduzir a bola. Ele sentiu isso, certamente. Ele passa essa alegria para dentro de campo, para não termos medo de errar. Aqui ninguém cai em cima depois do erro, mas sim se não tiveres a atitude certa. Isso é, para mim, a forma correta de ver o futebol e de lidar com um grupo de atletas. É uma mentalidade muito boa.
Autor: André Bucho/Liga Portugal