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Paralímpicos: Hino à superação

Conheça alguns dos heróis de PyeongChang

Os Jogos Paralímpicos de PyeongChang estão recheados de autênticas histórias de vida, mas há uma que chama a atenção... Oksana Masters é norte-americana mas nasceu na Ucrânia, com a sua vida a ficar marcada logo no seu primeiro dia de vida: nasceu com cinco dedos em cada mão mas sem polegares; uma tíbia mais larga do que outra; apenas um rim; e com seis dedos em cada pé. Estas deformações aconteceram devido à exposição de radiações que resultaram do acidente nuclear de Chernobyl de 1986. Esta história pode piorar? Sim... Abandonada pelos próprios pais, por não conseguirem suportar os gastos médicos, Masters passou por três orfanatos sem encontrar uma família de acolhimento. Durante sete anos frequentou várias instituições pobres, onde reinavam os abusos físicos e sexuais. "Quando tinha sete anos e meio, uma maravilhosa mulher americana adotou-me", explica Oksana, sobre a médica Gay Masters, que não podia ter filhos e levou-a para os Estados Unidos.

Com 13 anos, a jovem teve de amputar uma perna devido às dores que causavam as malformações e, mais tarde, a outra. Depois de sucessivas operações para reconstruir os polegares, Masters agarrou no desporto e tornou-se num exemplo de superação que comove o movimento paralímpico. "Quando entrava na água comecei a ter uma sensação de liberdade e de controlo que não tinha há muitos anos. Comecei a fazer remo e tornei-me mais rápida e forte", contou Masters, que se apaixonou por Rob Jones, um veterano da Marinha que perdeu as pernas ao explodir uma mina. 

Jovem de 15 anos faz história

A próxima história tem como protagonista um atleta de um país sem qualquer tradição nos desportos de inverno. Cristian Ribera nasceu há 15 anos no... Brasil e é o desportista mais jovem a participar em PyeongChang. Na modalidade de esqui de fundo, o brasileiro conquistou um histórico 6º lugar na prova de 15 km (fez 46.35 minutos), tendo festejado como se tivesse ganho o ouro! E não foi caso para menos, já que se trata da melhor classificação de sempre do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno.

Sob o lema de vida ‘Não há vitória sem dor’, o jovem Cristian nasceu com artrogripose – doença congénita rara que afeta os músculos, tendões e articulações – e foi obrigado a fazer... 21 operações às pernas quando era criança. E eis como desta condicionante física surgiu a ideia de apostar nos desportos de inverno. "Depois das operações, para movimentar-me com mais facilidade em casa, ocorreu-me a ideia de começar a usar patins de esqui. Dessa forma conseguia obter mais equilíbrio", contou Cristian Ribera, que também já experimentou natação, ténis, capoeira e atletismo, antes de se iniciar a esquiar de forma mais séria em 2015. Após o feito na Coreia do Sul, o brasileiro dedicou o seu brilhante resultado a uma pessoa bem especial: "Foi uma experiência muito bonita. Agora vou já falar com a minha mãe e agradecer todos os cêntimos que gastou comigo!" 

Loira entre homens

Se vir uma loira no meio de um jogo de hóquei no gelo em PyeongChang não fique surpreendido... porque é a norueguesa Lena Schroeder. A famosa hoquista, de 24 anos, é a única mulher que participa nesta modalidade nos Jogos Paralímpicos e, no meio de 135 participantes masculinos, dá o seu contributo à sua seleção. Desde os Jogos de Lillehammer’1994, edição onde foi incluída pela primeira vez esta modalidade, que uma mulher não participava em hóquei no gelo. Schroeder igualou o feito da sua compatriota Bri Mjaasund Oejen.

"Não podes deixar de jogar hóquei só por seres mulher. Os Paralímpicos têm como objetivo ajudar a inclusão de todos. É importante dar visibilidade às mulheres e mostrar que também podem ser tão boas como os homens", disse a norueguesa, que se iniciou a praticar hóquei com 15 anos, depois de ter nascido com espinha bífida. "Percebo o mediatismo que a minha presença pode ter, porque sou a única mulher em competição. Quero mostrar que sou tão boa quanto os restantes atletas", prosseguiu a hoquista, que viu o seu treinador Magnus Bogle dar-lhe moral: "Ela é boa e quem beneficia com isso é a seleção. O jogo é tão rápido, com jogadas tão vertiginosas, que é quase impossível reparar que é uma mulher. Ninguém pensa nisso."
Questionada se sente algum tipo de tratamento diferenciado no balneário, Lena faz uma revelação: "Sou igual a todos. Vestimo-nos no mesmo sítio e até tenho de esperar pela minha vez para tomar banho!" 

Um Messi do... gelo

Na equipa de hóquei no gelo da Coreia do Sul brilha... Messi, ou melhor, Jung Seung Hwan. Considerado um dos mais velozes do Mundo em cima de um trenó, o hoquista de 32 anos teve um grave acidente quando tinha apenas cinco, sendo obrigado a amputar a perna esquerda. O craque paralímpico encontrou no desporto o seu refúgio e força de vontade, tornando-se um autêntico ídolo do país, onde é comparado com o craque argentino do Barcelona, devido à sua qualidade técnica bem acima da média. Jung Seung Hwan iniciou-se nesta modalidade em 2004 e tem conquistado alguns títulos.

Contudo, o sul-coreano também tem tido alguns problemas com lesões. Por exemplo, fraturou vários dedos durante uma sessão de treino antes do Mundial de 2012, na Noruega, tendo ainda fraturado as costelas mais tarde num encontro diante dos Estados Unidos, nos Jogos Paralímpicos de Sochi’2014. O porta-bandeira da Coreia do Sul nas últimas Olimpíadas sonha ganhar o ouro na competição que se disputa em PyeongChang. "Quando entro em campo penso em todas as pessoas com dificuldades. Se jogar bem e o público desfrutar, então estou a ajudar todos. Adoro o que faço", comentou o ‘Messi do gelo’. 
Por Diogo Jesus
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