Pedro Martins: «Nunca admiti baixar a fasquia»

O crédito de colocar o V. Guimarães no Jamor, superando ainda o rival Sp. Braga na classificação, não evitou a saída em janeiro

• Foto: Movenotícias

RECORD - Após levar o V. Guimarães ao 4.º lugar e à final da Taça de Portugal, antecipava ter uma temporada seguinte tão conturbada?

PEDRO MARTINS - Depois da época que fizemos, as expectativas estavam elevadas a todos os níveis. E era natural que estivessem. Na época anterior projetámos muitos jogadores que permitiram um encaixe significativo. Portanto, era preciso tempo. E deu-se a saída de jogadores muito importantes na nossa estrutura, e falo sobretudo do Marega e do Hernâni. Não tendo paciência, e nunca tendo admitido baixar a fasquia, dado que entendo que quem está no Vitória tem é de a elevar porque se trata de um grande clube, sabia que ia ter um ano difícil, muito difícil mesmo. Que não era fácil fazermos o mesmo campeonato. Nunca tivemos esse tempo, nem essa paz que era necessária.

R - Tentou preparar-se para esse impacto que já perspetivava?

PM - Tínhamos um planeamento, mas cuja execução foi feita tarde, tendo em conta a exigência de uma competição como a nossa.

R - Perante isso, só o treinador é que sentia que o ano ia ser difícil e que era necessário estar alerta?

PM - Alertei sempre as pessoas. Todos os problemas que surgem, tudo o que é Vitória, tem de ser resolvido dentro da estrutura e ficar por aí. Não sou homem de falar publicamente, vai contra os meus princípios e mesmo que isso acarrete danos profissionais, é algo que vou levar comigo para sempre. Por isso, fiz esse alerta dentro do clube. E recordo-me bem de ter essa conversa com a administração. Não queria baixar a fasquia depois de termos elevado o Vitória a um patamar de acordo com a sua grandeza e não queríamos perder essa dinâmica que tinha sido perdida para o rival ao longo dos últimos 10/15 anos, pelo que esse espaço estava a ser reconquistado. Infelizmente, as coisas não correram bem.

R - Houve algo feito à sua revelia?

PM - A planificação da época foi da minha responsabilidade. Sou plenamente responsável. Agora, a execução não me cabia a mim. Passei as férias no complexo, a trabalhar, porque sabia que ia ser um ano difícil e que iríamos perder muitos jogadores. Tinha a noção disso.

R - Que explicação lhe foi dada para a construção do plantel não decorrer como seria o ideal?

PM - A parte financeira foi sempre o grande entrave. Dou este exemplo: Quisemos o Fransérgio e o Dyego Sousa e não conseguimos. Eram dois jogadores muito importantes para o que pretendíamos.

R - Criou-se um problema de falta de reposição do talento perdido?

PM - Sim. E a qualidade que veio, veio tarde.

R - A remodelação da defesa, com várias saídas e entradas, era um ponto crítico que o preocupava?

PM - Perdemos praticamente a defesa titular. Até o Pedro Henrique veio 15 dias depois de a época começar. Foi um entrave. Praticamente perdemos oito jogadores que eram importantes na estrutura. Nomeadamente o Prince, que apesar de não ter jogado muito era válido e útil, sobretudo tendo em conta que estava prevista a saída do Josué. Acabou por entrar na altura o Jubal.

R - Estando garantida a fase de grupos da Liga Europa, foi um risco fazer tantas alterações no plantel?

PM - O que eu digo é isto: a partir de agora, o Vitória vai ter de tomar uma decisão. Se quer fazer boas épocas, os seus ativos não podem ser vendidos com a frequência com que têm sido. Ou então vai vender os seus ativos, porque há necessidade financeira de o fazer, isso eu respeito, mas sob pena de ser sempre hipotecado o futuro desportivo do clube.

R - Essa é a chave para acontecer, de forma consistente, a tal aproximação ao topo da tabela?

PM - Depois de uma grande campanha, e para ser conseguida essa consistência, é fundamental manter a estabilidade do grupo.

Por Vítor Pinto
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