Roberto Martínez: viver o futebol o quanto antes

Assinou contrato profissional aos 16 anos; com 33 já era jogador -treinador. E até o cargo de selecionador surgiu mais cedo do que o planeado

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Em 2007, então com 33 anos, Roberto Martínez era jogador do Swansea, equipa que estava no terceiro escalão do futebol inglês. Nesse ano, o médio passou a acumular a função de treinador. Alcançou a subida de divisão na segunda época e em 2009 mudou-se para o Wigan – outro emblema que defendera enquanto jogador – numa altura em que já era técnico principal. Um dos momentos mais altos da carreira, e que ainda perdura passados dez anos, aconteceu quando venceu a Taça de Inglaterra frente ao poderoso Manchester City ao comando de uma equipa que, ainda assim, acabaria por descer de divisão nessa época. O feito conseguido no Estádio de Wembley valeu a Martínez a mudança para o Everton. Vincent Kompany, que estava naquela equipa do City surpreendida pelo Wigan, viria a reencontrar o espanhol na seleção da Bélgica. "Não é possível ter uma conversa sobre futebol com ele e não aprender algo novo ou aprender algo acerca do seu profundo conhecimento do jogo", atirou Kompany no documentário da BBC. Os dois fizeram parte da caminhada histórica no Mundial’2018: 3.º lugar. Somam-se ainda o 4.º na Liga das Nações em 2021, quartos de final no Euro’2020 e a saída prematura na fase de grupos do Mundial’2022 para a seleção líder do ranking FIFA durante quatro anos. A decisão de Roberto Martínez em abandonar a Bélgica já estava tomada antes do Campeonato do Mundo e a ideia passava, apurou Record, por voltar a treinar um clube. Só que o convite da FPF agradou de imediato ao espanhol pelo aliciante de orientar uma seleção que considera ter imensa qualidade a nível individual e coletiva, assim como o potencial para ter uma palavra a dizer nas grandes competições – o México também tentou a contratação. Como acontecera antes, a vida trocou-lhe as voltas. "Futebol de seleções nunca esteve nos meus planos. Estaria nos meus planos nos anos mais tarde da minha carreira quando é preciso abrandar", revelou Roberto Martínez. No entanto, seja num clube ou seleção, o mais importante para o espanhol é cumprir o maior desejo. "Não existe sensação melhor do que a bola no fundo das redes. A segunda melhor é ser treinador: pode-se tentar ajudar um jogador a ganhar um jogo. Isso dá uma grande satisfação", admitiu. Satisfação foi também o que sentiu por representar o Saragoça, clube a duas horas de Balaguer, cidade onde nasceu, e com o qual assinou contrato profissional aos 16 anos. Tudo começou cedo para Martínez e era mesmo o que ele queria: "Nasci com a ideia de viver através do futebol".

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