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Roque Júnior: «É apenas uma questão de tempo para Ronaldo voltar a marcar»

Antigo central esteve em Portugal e analisa problemas que o reforço da Juve está a encontrar

8. Cristiano Ronaldo (do Real Madrid para a Juventus por 105 milhões; valor esperado: 116,5 milhões. Diferença: 11,5 milhões)
8. Cristiano Ronaldo (do Real Madrid para a Juventus por 105 milhões; valor esperado: 116,5 milhões. Diferença: 11,5 milhões)
8. Cristiano Ronaldo (do Real Madrid para a Juventus por 105 milhões; valor esperado: 116,5 milhões. Diferença: 11,5 milhões)

O brasileiro Roque Júnior, antigo central do Milan, de 42 anos, esteve em Portugal e analisa problemas que o reforço da Juve está a encontrar


RECORD - Como é que vida de um campeão do Mundo no Brasil?

ROQUE JÚNIOR - Só temos a noção da importância de conquistar um Mundial com o tempo. Vencemos o campeonato do Mundo em 2002 e ainda se fala dessa conquista. É muito gratificante ter sido campeão do Mundo. É uma conquista lembrada para o resto da vida, em todos os lugares aonde vou. No Brasil são poucos os jogadores que conseguem jogar na seleção brasileira. Integrar os 23 jogadores é difícil e ainda mais complicado fazer parte da equipa titular na final.

R - Qual foi o segredo da vitória do Brasil no Mundial de 2002?

RJ - Todas as equipas que conseguem vencer um Mundial apresentam muita qualidade, mas o mais importante é haver uma equipa focada num único objetivo. Durante aquele mês do Mundial não pensamos em mais nada. Estávamos apenas focados no Mundial. Nós tínhamos a noção da importância daquele momento. É uma competição que junta os melhores jogadores do Mundo e se não estivermos focados no mesmo objetivo não conseguimos obter o sucesso. Estar focado não é apenas uma conversa. É estar com postura, treinar no máximo, exigindo empenho dos colegas e com o próprio desempenho. Muitas pessoas dizem que estão focadas, mas não apresentam uma postura correta. Nós tínhamos grandes jogadores na seleção do Brasil que apresentaram uma postura vencedora.

R - Qual o papel do Luíz Felipe Scolari na conquista desse Mundial?

RJ - O Scolari é um grande gestor de pessoas. Consegue tirar o melhor dos jogadores e coloca todos as pessoas no mesmo objetivo, centrado num desafio maior. Conseguiu fazer história em Portugal e não ganhou o Euro-2004 por mero acaso. Ganhou na China e Brasil. É muito competente e boa pessoa.

R - A nova geração pode vencer um Mundial pelo Brasil?

RJ - Sim. Agora é preciso haver um foco coletivo. Existem bons jogadores, mas não há um foco de todos os jogadores. No Brasil existem sempre muitos bons jogadores. É uma equipa que se renova com facilidade e apresenta muitos jogadores novos em cada Mundial. Agora é importante haver um foco de todos os jogadores para se conseguir vencer o Mundial.

R - Quem considera o melhor jogador do Mundo da atualidade?

RJ - Considero que o Messi e o Cristiano Ronaldo estão acima do Neymar. É preciso avaliar todas as características dos jogadores e verificar o que conseguem ganhar. O Cristiano Ronaldo, avaliado na globalidade está acima dos outros porque conseguiu ganhar muitas competições. Se analisar apenas a qualidade de jogo o Messi é o melhor.

R - O Cristiano Ronaldo transferiu-se para a Juventus e ainda não conseguiu marcar nenhum golo em Itália. Como jogou no Milan pode contar a dificuldade que existe em marcar golos na Serie A?

RJ - A principal característica do futebol italiano são os esquemas defensivos. As equipas pensam, primeiro, em não sofrer, e só depois em marcar ao adversário. O Cristiano Ronaldo vai encontrar mais dificuldades em Itália, em comparação com o futebol inglês e espanhol, porque existem marcações defensivas mais exigentes. Apesar de ter mais dificuldades acredito que vai marcar golos, como sempre fez, mas precisa de se adaptar ao futebol italiano e à forma de jogar da Juventus. Agora todos falam deste assunto, porque Cristiano Ronaldo sempre habituou as pessoas a marcar muitos golos. Agora é apenas uma questão de tempo para voltar a marcar em Itália.

R - A grande referência do futebol português em Itália foi o Rui Costa. Como foi jogar ao seu lado no Milan?

RJ - O Rui Costa jogou com uma grande equipa no Milan. Nós tínhamos grandes jogadores como o Dida, Maldini, Costacurta, Albertini, Gatusso, Serginho, Seedorf, Shevchenko e Tomasson. O Rui Costa também tinha uma grande qualidade e guardo boas memórias do tempo em que jogava no Milan.

R - Após o final da carreira apostou na sua formação para continuar ligado ao futebol?

RJ - Sim. Tenho um curso de gestão desportiva e marketing. Tirei cinco cursos de treinador, dois cursos de gestão e um curso de scouting. Uma coisa é saber jogar futebol e outra coisa é entender e saber ensinar. Tinha a intenção de realizar vários cursos para aumentar as minhas competências para estar ligado ao futebol e ajudar as minhas equipas a ganhar dentro de campo.

R - É importante os jogadores apostarem na sua formação?

RJ - É fundamental para todos os jogadores, mesmo para quem consegue chegar a patamares elevados. Os jovens devem pensar em conciliar o futebol com os estudos, porque são poucos os jogadores que chegam a profissionais. Quem gosta de futebol pode apostar na formação pessoal porque aumentou o número de cargos na estrutura das equipas profissionais. Existem mais departamentos que precisam de pessoas a trabalhar para melhorar a qualidade da organização das estruturas dos clubes.

Ex-defesa entre ilustres com Dida, Cafú e Ronaldinho

O que existe em comum entre Roque Júnior, Ronaldinho Gaúcho, Dida e Cafú? Os quatro ex-internacionais brasileiros são os únicos jogadores que venceram um Mundial, uma Liga dos Campeões e uma Taça Libertadores. Roque Júnior começou por vencer a Libertadores, com o Palmeiras, em 1999, depois conquistou o Mundial de 2002 como titular do Brasil, e venceu a Champions em 2002/03, pelo Milan. Agora diretor do futebol da Ferroviária, Roque Júnior esteve em Portugal no âmbito da parceria que o clube brasileiro estabeleceu com o Santa Clara.

Por Luís Silva
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