Um ano elétrico

Matrículas de ligeiros de passageiros 100% elétricos vão superar 35 mil unidades. Tesla é líder

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As contas de 2023 relativamente às matrículas de ligeiros de passageiros novos em Portugal só têm números definitivos no início desta semana, mas os factos são objetivos: até ao final de novembro foram matriculados 32.423 automóveis 100 por cento elétricos.

Este ano elétrico é, naturalmente, o melhor de sempre e aponta a tendência para o futuro próximo. Embora com algumas reservas, capazes de estender as metas no tempo, a verdade é que os construtores investiram (e continuam a investir) milhares de milhões de euros para cumprir o desígnio europeu de proibir a venda de automóveis novos com motores térmicos a partir de 2035.

O significado desta revolução é demasiado amplo para caber num texto, mas a evidência é inescapável: os ligeiros de passageiros 100 por cento elétricos vieram para ficar. Há questões de dimensão por resolver - recursos (ver caixa), produção, postos de carregamento; reconversão e destruição de milhares de postos de trabalho - mas a luz está ligada.

Portugal segue na linha da Europa e os números não enganam. A somar aos elétricos há ainda as soluções híbridas (auto recarregáveis ou ‘plug-in’) que, no conjunto, já ultrapassam os modelos a gasóleo e aproximam-se – a confirmar em 2024 – do total de automóveis com motores de combustão.

A Tesla liderava no final de novembro e prepara-se, aliás, para fechar 2023 como a marca que mais unidades elétricas comercializou no nosso país. BMW e Peugeot completam o pódio, mas o próximo ano vai trazer os resultados de novos ‘players’ como a BYD e entrada em cena de modelos que vão subir as quotas de construtores generalistas como a Citroën, a Renault ou a VW.

O desafio dos recursos

O relatório é da Globaldata e não podia ser mais claro: nos próximos dez anos a procura por matéria-prima (leia-se lítio, entre outras) essencial à produção de baterias para automóveis elétricos vai crescer exponencialmente.

A par deste salto, há outros também essenciais: construção das chamadas ‘giga factories’; evolução das cadeias de produção/reciclagem e, claro, evolução da tecnologia em termos de capacidade/durabilidade das baterias. Bem como a economia circular que lhe está associada.

Os valores desta ‘revolução industrial’ são brutais - só o setor das baterias deve significar 400.000 biliões de euros. Até 2035, o domínio de toda esta cadeia está nas mãos de empresas como a CATL, BYD, LG, Panasonic, Samsung ou SK. A China é o país dominante.

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