No domingo, em Sevilha, Samuel Barata vai ver Samuel Freire, o seu colega de treino no recente estágio no Quénia, estrear-se na maratona e é com conhecimento de causa que fala da experiência de ter uma primeira maratona… com poucos motivos para sorrir. Mas com muitos para lembrar pelos ensinamentos que deu. A Record, durante uma longa entrevista que poderá ler na íntegra nos próximos dias, o atleta de 30 anos partilhou esses seus ensinamentos e não hesitou em deixar algumas dicas para os demais. Profissionais e amadores.
RECORD - Tiveste uma má experiência na primeira maratona [Tóquio, em 2019, com 2:24:15]…
SAMUEL BARATA - Disse ao Samuel isso. Não é vergonha nenhuma ter uma primeira má experiência, faz parte da vida. Provavelmente a tua também foi… A do António Sousa também.
R - Tem piada, porque tiveste uma má experiência, podias ter pensado ‘não quero voltar a fazer aquilo’, mas voltaste…
SB - Aprende-se muito. Fiz a primeira em 2019, depois houve a Covid, houve anos complicados. Voltei à pista, voltei a fazer provas de base, bater recordes pessoais, dos 5.000 aos 10.000 e depois voltei à maratona e as coisas correram bem.
R - No domingo, o Samuel Freire vai estrear-se na maratona. Que conselho lhe dás?
SB - É a sua primeira abordagem à distância. Está bem, está em excelente forma, só que vamos com muita cautela. Há uma marca de sonho, mas preferimos que corra mais devagar do que pode. Está a correr fácil a 3’05, 3’00 ao quilómetro, mas a ideia é correr mais lento. Na maratona estamos bem aos 35km, mas aos 38 estamos na valeta. Como é a estreia, ele sabe que tem de correr muito tranquilo, como se fosse um treino longo – um pouco mais rápido, claro -, como aqueles que fazemos ao domingo de manhã. Confortável, descontraído, ir aos abastecimentos, tomar os géis… Os quilómetros vão passando e estar o mais descontraído possível. Acho que vai fazer uma grande prova. Tem de pensar que quando começar a doer, porque vai doer, tem de agarrar o touro pelos cornos (risos). Acho que vai correr bem. A preparação foi quase perfeita. Esteve doente na altura da São Silvestre da Amadora. Mas o estar aqui, a dormir, correr e comer, está só focado nisto. Fez treinos muitos bons e isso dá confiança. Treinámos com o Michael Somers, que tem 2:08 na maratona, e ele deu-lhe uma tareia! Num dia bom, se Sevilha estiver bom tempo, sem vento, se encaixar num ritmo, pode fazer um grande resultado.
R – E que conselho dás aos atletas amadores?
SB - É abordar a prova consoante o seu estado de forma. Não é correr à maluca. Sabendo o ritmo, é correr o mais certo. A maratona só começa aos 35 km. É tentar ser paciente e abordar a distância ao ritmo a que treinaram. Se treinaram para a 4’00/km, se saírem a 3’40/km… já foste! A minha primeira, não tenho vergonha do resultado que fiz, porque foi uma aprendizagem brutal. Aprendi imenso! Até me mete confusão muita gente à primeira fazer 2:05, 2:06. É incrível. Na maratona tem de se aprender a ouvir o corpo.
Por Fábio Lima