A brutal evolução de Kosgei em quatro anos: das 2:48 horas no Porto ao recorde do Mundo

Atleta queniana leva nove maratonas e registou uma melhoria de 34 (!) minutos em quatro anos

Atleta que é desde domingo a maratonista mais rápida da história, a queniana Brigid Kosgei será provavelmente também a atleta que registou uma maior evolução na mítica distância nos últimos tempos. Apenas com 25 anos, a africana tem no seu palmarés nove maratonas e da primeira para a mais recente conseguiu uma brutal evolução de 34 minutos. Um registo absolutamente estratosférico, ao qual o nosso país está diretamente ligado.

É que a primeira maratona da queniana foi precisamente em Portugal. Em 2015, no Porto, na sua primeira aventura na distância, ainda com o estatuto de desconhecida, a africana venceu com um modesto tempo de 2:47:59 horas. Na altura, ao observar-se esse tempo, poucos apostariam naquilo que se seguiria.

No ano seguinte, já depois de ter melhorado para 2:27:45 em abril, na Maratona de Milão, Kosgei voltaria ao nosso país no segundo semestre, agora para fazer Lisboa em 2:24:45, um registo que lhe valeu o segundo posto na prova lusa. Nessa corrida, para lá de ter melhorado o seu recorde em três minutos exatos, a africana fixou também um novo recorde pessoal à 'meia': 1:12:24.

Chegados a 2017, começou a entrada na elite de topo para a jovem queniana. Em março melhorou em cinco minutos o seu melhor registo à meia maratona (1:07:35 em Verbania) e, semanas depois, na Maratona de Boston não foi além do nono posto, com 2:31:48 horas. Um registo que representaria um pequeno percalço antes do primeiro grande sinal de afirmação. Em Chicago, na primeira de três participações, foi segunda com 2:20:22, melhorando o seu registo em mais de quatro minutos. Antes, na preparação para esta maratona, tinha também melhorado a sua melhor marca à meia-maratona: 1:06:35 em Copenhaga.

E se em 2017 havia já deixado um aviso sério à navegação, em 2018 confirmou-o. No primeiro semestre voltou a melhorar o recorde à maratona (2:20:13), ao ser segunda em Londres, para depois, em Chicago, na sua terceira Major Marathon, conseguir a sua primeira grande vitória na elite. Um primeiro triunfo ao qual acrescentou um novo recorde, agora abaixo das 2:20: 2:18:35 horas. Já era uma das melhores do ano, mas o melhor estava mesmo para vir em 2019...

Em março, no Bahrain, melhorou num minuto e meio o seu recorde à meia maratona (1:05:28), isto antes de alcançar a segunda vitória numa Major, quando em Londres triunfou com 2:18:20, um novo recorde pessoal. Entretanto, em maio veio a Lisboa arrasar a concorrência na Corrida da Mulher (15:13 nos 5 quilómetros), antes de atacar um segundo semestre no qual deixou tudo de boca aberta. A primeira indicação surgiu em setembro, quando na Great North Run, em Newcastle, fixou um novo máximo mundial da meia maratona (não oficial), ao correr os 21,097 quilómetros em 1:04:28 horas. Era o aquecimento para o que chegaria no último domingo.

2:14:04 na maratona. Um novo recorde mundial com quase um minuto e meio de vantagem para o anterior máximo histórico de Paula Radcliffe e uma evolução de quatro minutos e 16 segundos de abril para outubro na mítica distância... Números assombrosos, que colocam a jovem atleta queniana a caminho do estatuto de lenda da modalidade. E ainda tem apenas 25 anos...

As maratonas de Brigid Kosgei

8 de novembro 2015: Maratona do Porto, 2:47:59 (1.ª)
3 de abril 2016: Milano City Marathon, 2:27:45 (1.ª)
2 de outubro 2016: Maratona de Lisboa, 2:24:45 (2.ª)
17 abril 2017: Boston Marathon, 2:31:48 (8.º)
8 de outubro 2017: Chicago Marathon, 2:20:22 (2.ª)
22 de abril 2018: London Marathon, 2:20:13 (2.ª)
7 de outubro de 2018: Chicago Marathon, 2:18:35 (1.ª)
28 de abril 2019: London Marathon, 2:18:20 (1.ª)
13 de outubro 2019: Chicago Marathon, 2:14:04 (1.ª)

Por Fábio Lima
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