adidas Hyperboost Edge: a nova grande aposta da marca das três riscas

A nossa análise ao primeiro 'super trainer' da casa alemã

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Adidas lança Hyperboost Edge, a nova aposta da marca para treino
Adidas lança Hyperboost Edge, a nova aposta da marca para treino

Depois de em 2025 ter tomado o mercado do running de assalto com umas adizero Evo SL que rapidamente se tornaram no maior best-seller da história da marca – e quiçá até em absoluto -, a adidas entra em 2026 com uma novidade que se apresenta com a mesma vontade de afirmação. Disruptivas no design, inovadoras em tudo o que apresentam, as adidas Hyperboost Edge são a resposta (bem tardia) da marca alemã ao cada vez mais competitivo segmento das ‘super-trainers’.

Há quem já as tente apelidar de modelo do ano, mas por aqui não vamos tão longe. E provavelmente não o serão, a não ser que com o passar do tempo se revelem em algo que, até agora, não foram. Se são um excelente modelo de corrida e uma aposta certeira da marca das três riscas? Sem dúvida alguma. Mas tem pontos que não podemos deixar passar em claro. Porque uma experiência de corrida que podia ser absolutamente incrível teve ali pontos que, por pequenos que sejam, fazem baixar a nota.

A parte positiva disto tudo? É que a adidas tem aqui um excelente ponto de partida para que uma segunda versão seja absolutamente incrível!

Sensação de corrida

Testar sapatilhas é um exercício engraçado. E são modelos como estes que fazem com que tal suceda. Porque é sempre uma caixinha de surpresas e, por vezes, há sapatilhas que a princípio não causam boa impressão e que, com o passar do tempo, nos vão conquistando. As Hyperboost Edge não nos chegaram a conquistar em absoluto, mas temos de dizer que a sensação inicial foi totalmente inversa daquela que tivemos há uns dias, quando corremos a Maratona de Cluj com elas.

Integradas no competitivo mercado das ‘super trainers’, estas novas sapatilhas da adidas tinham de ser amortecidas, protetoras para longa distância e, também, responsivas. É um pouco tudo aquilo que um ‘super trainer’ deve ser. As Hyperboost Edge preenchem todos os requisitos, muito graças à mais recente inovação da adidas, a espuma Hyperboost Pro. Um novo composto em ePEBA, um composto que é mais visto em modelos de performance do que propriamente neste tipo.

O resultado mais visível disso foi mesmo na tal maratona que fizemos recentemente. Terminámos tranquilamente em 3:16:00 (sim, ao segundo!) e tivemos o melhor dos dois mundos. Uma resposta ao nível do que precisávamos para correr perto dos 4’40/km sem ter de forçar demasiado, mas também o nível de proteção e amortecimento necessários para que, no dia seguinte, tivéssemos as pernas como se nada fosse. Esse para nós foi o teste definitivo. Ainda que não o seja para dar o ‘triunfo’…

Porque as Hyperboost Edge parecem ficar um pouco aquém daquilo que oferecem algum dos concorrentes neste particular. Na verdade, ganham num lado, perdem no outro… Por exemplo, em comparação com as Saucony Azura sentimos que perdem um pouco no retorno de energia, ainda que ganhem no amortecimento. Já em relação às ASICS Superblast 3, um modelo que recentemente começámos a testar, notamos desde já que a resposta também é menor – e o amortecimento/proteção maiores.

O upper

É o maior calcanhar de Aquiles deste modelo. Pouco ventilado – e se isso se sente agora, imagine-se no verão! -, com um ajuste complexo e um contorno do calcanhar que não agradará a todos. Mas, mesmo assim, pareceu-nos uma questão de adaptação. É estranho. Muito estranho.

Estranho porque, a princípio, o upper nos apertava imenso. Uma sensação que apenas tínhamos sentido anteriormente noutros dois modelos. Ambos da adidas: Boston 12 e Adios Pro 3. Mas, ao contrário desses dois, que sempre nos provocaram esse problemas, as Hyperboost Edge foram deixando de fazê-lo. Quase como se se fossem adaptando ao nosso pé, deixando de apertar tanto e ficando com um ajuste praticamente perfeito.

De tal forma que, depois das dúvidas iniciais, não hesitámos em usá-las na Meia Maratona de Madrid e, uma semana depois, na Maratona de Cluj. Se numa meia o teste era exigente, na maratona foi a confirmação final. As Hyperboost Edge foram perfeitas neste particular do ajuste.

O que dificilmente mudará será a questão da respirabilidade. Quando as temperaturas subirem, é bem provável que muitos passem por problemas e terminem com os pés a ‘assar’. Essa é, na nossa opinião, a maior problemática deste modelo e algo que merece uma atenção muito especial na eventual segunda versão.

Outro dado a ter em conta é o contorno do calcanhar. A adidas apostou em algo bastante rígido, que poderá provocar alguns problemas a quem tem a zona do tornozelo ou do Aquiles um pouco mais sensível. Parece-nos uma opção algo discutível, que a marca alemã poderá ter de retificar também numa nova versão.

O composto de sola

É uma das estrelas de todo o conjunto (juntamente com a nova espuma). Parece incrível, mas a adidas conseguiu aplicar uma superfície completa de borracha na sola num modelo que tem pouco mais de 250 gramas. Ao invés de inserir Continental, a marca alemã optou por colocar a borracha Lighttraxxion em todo o comprimento. A camada pode ser fina, o que poderia comprometer a durabilidade, mas este tipo de composto é bem mais durável e resistente do que os tradicionais, pelo que nesse particular não haverá qualquer compromisso.

Tanto na durabilidade, como na tração. Nesse particular, tivemos a oportunidade de testar o grip em condições bem complexas, com vários quilómetros em calçada molhada e estradas de alcatrão com alguma terra batida solta. Em todos os contextos não tivemos qualquer problema de tração, nem ‘fugas’ inesperadas.

Análise aos novos Adidas Hyperboost Edge, a grande aposta da marca
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Valem a pena?

É um ponto que depende da perspetiva e da carteira de cada um. As Hyperboost Edge são, como dissemos na introdução, um excelente ponto de partida para algo muito, muito bom. Têm os seus defeitos, precisam de ser mexidas para serem próximas da perfeição numa segunda versão, mas ganham muitos pontos pela espuma super responsiva para este peso e também pelo composto da sola, tanto pela durabilidade como pela tração de grande nível.

Se valem os 200 euros? Depende da carteira. Mas em termos de durabilidade vs. preço, acreditamos que estão em linha com esse valor. Quanto às sensações de corrida, havendo umas Saucony Azura um pouco mais baratas e entregando um comportamento global similar… tudo fica mais ‘complexo’.

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