Allyson Felix arrasa Nike: «Quiseram cortar o meu patrocínio em 70% por ter sido mãe»

Atleta norte-americana junta-se ao coro de críticas à marca norte-americana

• Foto: Getty Images

Alysia Montaño e Kara Goucher abriram a caixa de pandora, ao colocarem em xeque a forma como a Nike trata as mulheres que decidam ter filhos, mas a polémica ganhou outros contornos esta semana, quando a campeoníssima Allyson Felix decidiu também ela quebrar o silêncio e tornar públicas as conversações que teve com a marca norte-americana no momento em que decidiu também ela começar a construir família.

"Montaño e Goucher contaram histórias que nós atletas sabemos que são verdade, mas que temos medo de dizer publicamente. Se tivermos filhos, arriscamos cortes nos nossos patrocínios durante a gravidez e depois disso. É um exemplo de uma indústria desportiva onde as regras são feitas maioritariamente por homens e para os homens", atirou a atleta de 33 anos, num artigo de opinião no 'New York Times', no qual revelou que a sua decisão de se associar à Nike há dez anos se deveu aos valores que pensava que a marca tinha nesta matéria.

Uma visão que, ainda assim, percebeu que era contrária àquela que imaginava assim que decidiu ter filhos. Especialmente quando essa decisão surgiu numa altura em que negociava uma renovação contratual. "Senti a pressão de voltar à minha forma o mais rápido possível depois do nascimento da minha filha, mesmo depois de ter sido obrigada a uma operação de urgência às 32 semanas, por causa de uma complicação da gravidez que colocou a minha vida e a da minha bebé em risco. Nessa altura as negociações não iam bem. Apesar das minhas vitórias, a Nike queria pagar-me 70% menos do que antes. Se é isso que acham que eu valho, aceito-o. O que não aceito é que isso seja definido pela maternidade. Pedi à Nike para colocar uma cláusula onde garantisse que não seria penalizada pela falta de resultados nos primeiros meses pós-gravidez. Queria impor novas regras. Se eu, uma das atletas mais reputadas da Nike, não poderia tê-lo, quem mais o poderia? A Nike negou. Temos estado num impasse desde então", admitiu a corredora.

Félix assegura, ainda assim, que aquilo que aponta não é apenas direcionado à marca norte-americana, mas sim a todas as que têm este tipo de práticas. "O meu desapontamento não é só com a Nike, mas também pela forma como a indústria de material desportivo trata as mulheres atletas. Isto não é apenas sobre a gravidez. Podemos estar ao lado das marcas que nos patrocinam, mas temos também de os responsabilizar quando nos 'comercializam' para chamar a próxima geração de atletas e consumidores", escreveu.

"É dito aos atletas para se calarem e apenas 'jogarem'. Dizem-nos que não querem saber das nossas questões. Dizem-nos que somos apenas animadores, para correr rápido, para saltar alto, para atirar o mais longe. E não arranjar problemas. Mas a gravidez não é um problema. Para as mulheres pode e deve ser parte de uma carreira desportiva de sucesso, como as minhas colegas mostraram e que eu espero mostrar. A proteção na gravidez não deve ser apenas limita aos olímpicos. Todas as mulheres nos Estados Unidos merecem essa proteção", finalizou a corredora, que mesmo assim aplaude a decisão comunicada pela Nike de tentar criar no futuro uma linha de orientação de igualdade.

Allyson Felix, refira-se, é uma das atletas norte-americanas mais bem sucedidas da história, contando no seu palmarés com nove medalhas olímpicas (seis ouros e três pratas), para lá de ter também 16 medalhas de Campeonatos do Mundo (11 delas de ouro).

Por Fábio Lima
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