Jake Robertson em Lisboa para "destruir o recorde da Nova Zelândia"
Atleta aponta ao máximo do seu irmão Zane e até olha para uma marca próxima dos 59' baixos
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Vencedor da edição de 2017 da EDP Meia Maratona de Lisboa, o neozelandês Jake Robertson está de volta à capital portuguesa e, uma vez mais, com vontade de brilhar. Seis anos volvidos, Jake continua a ter aqueles 1:00.01 como recorde pessoal, uma marca que assume querer bater no domingo. Mas o atleta de 33 anos não quer apenas isso. Quer destruir o recorde nacional do seu país, os 59.47 do seu irmão gémeo Zane. É o próprio que o assume sem rodeios.
"Estive doente durante duas semanas, mas consegui treinar mesmo assim. Nos últimos 10 dias treinei muito bem e a minha confiança cresceu. As minhas expectativas para domingo são de tentar o recorde nacional da Nova Zelândia. Estou farto de desperdiçar oportunidades. Espero aproveitar esta e 'destruir' totalmente o recorde nacional. Acho que posso até correr nos 59 baixos no domingo. Mas vamos ver como a corrida se desenrola, a humidade, a temperatura... Se formos todos para 57', vamos todos 'morrer'. Vou ter de dar tudo, não há outra hipótese", atirou.
Na conversa com Record, Jake Robertson falou da vitória de 2017 e lembrou que, tal como agora, a prova portuguesa era falada pela possibilidade de novo recorde mundial. "Muita gente falava de um novo recorde do Mundo. Naquela altura correr nos 57' era algo que ninguém tinha feito e foi isso que tentaram. Lembro-me de estar tão confiante. Tentei seguir o atleta que ia na frente, mas corri a minha corrida e, quando o vi a 'morrer', percebi que ia ganhar a corrida. Foi uma boa memória. Na altura vinha de uma lesão, foi a minha primeira prova depois dessa paragem".
Lisboa surge cerca de um mês depois da Meia Maratona de Verona, onde o neozelandês fez 1:00.21, isto apesar de não ser num percurso rápido. Por isso, assume sentir-se capaz de correr bem melhor do que esse registo. "Fazendo uma boa comparação, depois de ter ficado doente fiz repetições de 1 quilómetro na pista e senti-me muito melhor, fiz tempos mais rápidos. Talvez o período parado tenha ajudado e também a prova tenha puxado pelo meu ritmo. A sensação geral é que me sinto melhor agora do que em Itália."
Um neozelandês... muito queniano
Apesar de ter nascido em Hamilton, na Nova Zelândia, há 33 anos, Jake Robertson vive no Quénia desde 2007. Uma mudança que na altura deu bastante que falar, mas da qual o atleta não se arrepende. "Na altura Iten era uma aldeia, agora é uma vila. A vida por lá mudou, tal como a minha própria vida. Estou sempre ocupado, tenho um filho, construí uma casa. A vida é onde queres fazê-la. A minha vida agora é lá."
Há 16 anos no Quénia - praticamente metade da sua vida! -, é com conhecimento de causa que aborda o segredo dos atletas locais. "Gosto de dizer que és aquilo que te rodeia. Os quenianos quando treinam não é por diversão, é a dar tudo. É algo muito importante por lá. Um em cada cem vai conseguir. Sobrevivem àquela vida dura, sacrificam imenso, têm uma vida muito dura, o ambiente é também muito importante. A altitude... Há muitas coisas, não há um segredo claro. A vida no dia a dia, estarem focados em apenas um objetivo, uma vida baseada na corrida. Quase que vivem como monges".