Maratona de Paris: A experiência de Pedro Pereira

Sou Pedro Pereira, triatleta do Estoril Praia/Credibom e ASICS Frontrunner.

Comecei a correr no ano de 2002/2003 tendo feita a minha primeira maratona no ano de 2014 em Sevilla.

Neste momento conto com 8 Maratonas:
3 em Sevilla 2014/16/18
1 no Porto 2015
1 Lisboa 2017
1 Valência 2018
1 Barcelona 2019
1 Paris 2019

Este ano não planeava fazer maratonas. Após fazer a maratona de Valência em Dezembro de 2018 em 2h59 minutos o objectivo de 2019 passava apenas pelo Triatlo e Triatlo de Longa distância (Ironman), mas sendo a ASICS uma das marcas patrocinadoras das Maratonas de Barcelona e de Paris, a ASICS juntou um evento de encontro de Frontrunners às Maratonas destas duas cidades. Assim, foi irrecusável o convite de viajar até Paris para mais um Meeting Internacional de ASICS Frontrunners com o Auge do encontroa ser a Grandiosa Maratona.

Para a maratona de Paris não efectuei qualquer treino específico ou treino longo, pois parti sempre com a ideia que iria fazer a maratona num ritmo calmo/confortável e em que o objectivo seria vivênciar tudo o que a distância e esta maratona em particular me pudesse oferecer.

A semana da prova foi difícil, pois estive doente com ums amigdalite bacteriana (inclusivé levei penicilina) e porque na noite anterior á viagem para Paris o meu trabalho levou-me até Viseu para um concerto o que roubou-me uma noite de sono. Mas estava com vontade de ir correr 42195metros em Paris e apenas uma catástrofe impediria-me de fazê-lo.

O dia da Maratona:

Acordei por volta das 6h da manhã e já com a prévia informação que o nosso hostel não teria pequeno almoço quente, mas que iria fornecer um pequeno almoço "take away". Que belo pequeno almoço para Maratonistas: um sumo, um sumo tipo néctar, uma maçã e um bolo tipo "madalena"!! Fiquei logo danado, mas como só ia em modo turístico, rapidamente passei por cima disso, até porque levei de reserva uma "Salt bar" de uma marca portuguesa de nutrição e porque ao chegar à zona VIP das marcas patrocinadoras a ASICS tinha alguns bons alimentos(só que a hora da partida aproximava-se a passos largos).

Paris amanheceu com Sol, só que estava bem frio. Ouvi imensas pessoas dizer que estariam cerca de 2graus.

Eu não gosto de frio, mas gosto de correr de t-shirt de alças, então parti para esta prova com alças, mas com manguitos e um Buff no pescoço.

Fui caminhando até à zona de partida, passando pelo Arco do Triunfo e vendo milhares de atletas a prepararem se para correr, tal como eu os 42195metros da Cidade Luz. Nestas centenas de metros pude ver um pequeno grupo do Correr Lisboa onde dei o famoso grito: Bora Vicentes!

8h32 É dado o arranque para o bloco de atletas onde eu estava inserido. Estive ate segundo antes da partida com um plástico a proteger me do frio.

Neste preciso momento estou a começar a minha oitava aventura na Maratona e já sei ao que vou. É uma distância que adoro e que sei respeitar. Não importa muito as sensações, mas sim a inteligência e capacidade de resiliência e sofrimento. E sim, eu iria sofrer, pois "Quem não treina, não anda". Fui sempre de forma serena e calma e vivi os 42195 metros de Maratona, com o ritmo a baixar nos últimos Km resultado da fadiga devido ao acumular de kms e falta de treinos para a distância. Neste momento é quando entra a questão psicólogica e de capacidade de sofrimento. E lá fui eu buscar a minha oitava "carica"...após 3h27 a medalha já cá canta!!!

A Cidade de Paris é bem bonita, mas nada amiga dos maratonistas:

- Piso irregular e em muitas partes com calçada, o famoso Pavé da prova de Ciclismo Paris-Roubaix

- Muitas subidas e falsos planos, perdi a conta aos tunéis que descemos e subimos, mas lembro me muito bem da subida dura e em calçada junto ao Km 34

- Havia pouco público, o público apareceu já após a Meia-Maratona e não era muito efusivo. Havia algumas excepções que eram as Fan Zones. Ao Km 29 os ingleses, ao km 30 os chineses, ao km 30,5 os Americanos (aqui sim, que espirito, os americanos estavam eufóricos e evocavam a sua maratona de Chicago) ao km 35 a Fan zone da Maratona de Paris e ao km 41 a ASICS com um Dj e algumas dezenas de Frontrunners a animar todos quanto lá passavam. Os vários corpos de bombeiros da cidade eram das pessoas que mais davam aquela energia extra através do seu incentivo. A organização esforçou-se para animar os atletas, tendo para além destas Fanzones imensos grupos a tocar. A maioria eram grupos de percussão com rirmos de samba, mas o que marcou me mais foi no Bosque de Vincennes onde estava um grupo de Trompas de Caça( instrumento primitivo do que eu toco).

Alguns reparos à organização:

-Abastecimentos eram maioritariamente apenas de um lado da estrada

-Não havia geis nas bancas de reabastecimento, mas havia sempre fruta desde bem cedo.

-percurso duro e autêntico "rompe pernas"

- as zonas dos bosques são despidas de público o que só serve para desanimar e juntar metros de desnível positivo nas pernas

- apesar de estarmos numa cidade histórica e turística o percurso não passa assim em tantos pontos "chave" da cidade. Alguns passa perto, mas se não conhecermos bem a cidade não notamos a sua presença.

- a medalha deste ano não foi do meu agrado, no meu entender é demasiado simples e sem ter simbolos da cidade

Pontos positivos:

-uma das maratonas mais famosas no mundo

-correr com cerca de 50/60 mil pessoas é único

- as estradas eram sempre largas e espaçosas onde fluiam bem os milhares de atletas

- óptima feira do corredor onde imensos voluntários estavam sempre ao nosso dispor

-rede de transportes óptima para ir e voltar da Maratona

- reta após a meta bem grande, para os atletas irem recuperando ou receber a medalha e não afectarem a zona de meta

- organização no geral é muito boa

Foi óptimo viver isto tudo, cada maratona e cada medalha têm a sua história.

Deixo a resalva para a minha avaliação ao público:

Fiz 5 maratonas em Espanha onde o público é doido por maratonas, onde em alguns troços das mesmas parece estarmos numa etapa de montanha do Tour de França.

A maratona de Paris 2020 já tem inscrições abertas, aproveita para correr esta Enorme prova, nesta bela cidade. Vai de certo ser uma boa experiência, não vai ser é fácil alcançar Recordes Pessoais neste percurso.

Au Revoir

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