Nike Alpha Fly: as 'bombas' que levaram Kipchoge ao sub 2:00 na maratona

Fique a conhecer todos os pormenores do modelo

Três dias depois de Eliud Kipchoge ter quebrado a barreira que se pensava impossível (ao baixar das duas horas na maratona) e de Brigid Kosgei ter também ela batido um registo que muitos diziam inalcançável (novo recorde feminino), um dos grandes debates que se tem criado nos principais espaços da modalidade passa pela possível vantagem que ambos poderão ter tirado das sapatilhas que tinham ao seu dispor: ambas construídas pela Nike.

E se no caso de Kipchoge pouco importará em termos oficiais quaisquer benefícios que possa ter tirado, já que o registo não poderá ser homologado, o caso muda de figura para Kosgei, já que o seu recorde, conseguido com os já comercializados Nike Next%, irá mesmo ser certificado como oficial (isto caso a queniana não seja 'apanhada' num controlo antidoping, claro está).

Ainda assim, o que acontecerá caso a Nike coloque mesmo à venda as máquinas de Viena, as chamadas AlphaFly? Irá a IAAF intervir e decidir banir o modelo? Pouco se sabe até agora sobre essa possibilidade, mas Sebastian Coe, o presidente do organismo, já garantiu nos últimos meses que estará a ser conduzido um estudo para determinar se alguma ação irá ser tomada, tanto sobre essas novas sapatilhas, como até mesmo em relação às Next% ou as Vaporfly 4%. O resultado, ao que parece, será anunciado no final do ano.

Mas, então, o que tinha Kipchoge nos pés?

Primeiro de tudo, de forma a esclarecer todas as dúvidas, há que referir que o modelo utilizado em Viena pelo queniano nada tem a ver com o Next%, aquele que foi utilizado este ano em Londres, numa maratona onde Kipchoge fixou a segunda melhor marca da história (2:02:38).

As diferenças são bem visíveis a olho nu e também na própria ficha técnica do modelo. A começar desde logo pelo 'drop' (a diferença de altura entre a biqueira e o calcanhar), que dos 8 mm do Next% (32 à frente e 40 atrás) passa para 9mm no modelo de Viena, com 42mm à frente de uns incríveis 51mm atrás.

Mas as diferenças não se ficam por aí. Aliás, essa parece ser a diferença que tem menos impacto na resposta da sapatilha. Na prática, tal como nos carros, é necessário levantar o capô para se perceber que tipo de máquinas temos em mãos e aqui o caso é mais ou menos o mesmo.

E debaixo desse capô mora o grande segredo destas sapatilhas: as quatro cápsulas de Air, que têm como propósito amortecer o impacto de cada passada e, ao mesmo tempo, utilizar parte da energia para avançar para a(s) seguinte(s). Quatro cápsulas colocadas em blocos de dois (uma em cima da outra), que segundo dados não oficiais (revelados por portais especializados) podem melhorar o rendimento em 6%.

E não bastasse a presença dessas cápsulas ar que têm como propósito claro servir como uma espécie de 'mola', a Nike manteve também a aposta na placa de carbono, colocando não uma, mas sim três placas deste tipo. Placas que têm também como objetivo absorver e utilizar a energia da passada e que, combinadas com tudo o resto, prometem ajudar o corredor a ser 'empurrado' para a frente e, por isso, correr mais rápido.

É certo que isto também pode ser o marketing da Nike a funcionar, mas como contra factos não há argumentos... basta olhar para os resultados (ver abaixo). E, para mais, a moda das placas de carbono parece estar para durar, já que são cada vez mais as marcas a apostar nelas. Resta saber se a IAAF irá colocar um travão nesta febre...

Nike arrasa nos últimos anos

É certo que as condições de treino melhoram, os atletas têm ao seu dispor novas técnicas que lhes permitem correr mais rápido e recuperar melhor, mas não deixa de ser curioso o facto de a Nike dar uma autêntica tareia à concorrência nos tempos mais recentes conseguidos em maratonas. Especialmente no lado masculino, onde sete dos dez melhores tempos da história foram conseguidos por atletas patrocinados pela marca norte-americana. No lado feminino o número reduz para quatro, mas também com recorde.

Os Vaporfly no top-10 masculino

1.º Eliud Kipchoge - Berlim 2018 - Vaporfly Elite Upper
2.º Kenenisa Bekele - Berlim 2019 - Vaporfly NEXT%
3.º Eliud Kipchoge - Londres 2019 - Vaporfly NEXT%
4.º Birhanu Legese - Berlim 2019 - Vaporfly NEXT%
5.º Mosinet Geremew - Londres 2019 - Vaporfly NEXT%
7.º Kenenisa Bekele - Berlim 2016 - Zoom Vaporfly 4%
8.º Eliud Kipchoge - Londres 2016 - Prototipo Zoom Vaporfly Elite

Os Vaporfly no top-10 feminino
 
1.ª Brigid Kosgei - Chicago 2019 - ZoomX Vaporfly Next%
4.ª Ruth Chepngetich - Dubai 2019 - Zoom Vaporfly 4% Flyknit
8.ª Tirunesh Dibaba - Londres 2017 - Zoom Vaporfly 4%
10.ª Brigid Kosgei - Londres 2019 - ZoomX Vaporfly Next%

Por Fábio Lima
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