O drama que mudou a vida de Wilfred Bungei: «Bebi uma garrafa de vodka e pensaram que tinha morrido»

Antigo campeão olímpico dos 800 metros caiu nas 'malhas' do álcool e passou por dificuldades

• Foto: Getty Images

Campeão olímpico dos 800 metros nos Jogos de Pequim'2008 e prata nos Mundiais de Edmonton em 2001, o queniano Wilfred Bungei assumiu esta semana, em entrevista à BBC, ter sido mais um caso de um atleta bem sucedido que passou por dificuldades após deixar o desporto de alto nível. No caso do queniano, agora com 39 anos, o problema foi mesmo o álcool, uma vício que o acompanhou praticamente desde o dia em que abandonou as pistas.

O ponto mais baixo desde vício surgiu em 2012, no dia em que o seu terceiro filho nasceu. Era um dia de festa, porque pela primeira vez Bungei teve a chance de assistir ao parto - nos outros dois não esteve presente por estar a competir -, mas a celebração acabou da pior forma. Com a desculpa de necessitar de beber para ter coragem de assistir ao parto, o queniano decidiu puxar da garrafa de vodka para beber um copo. O problema é que não foi apenas um...

"Há sempre essa mentira - 'deixa-me só beber um ou dois copos para ver isto a acontecer'. Escolhi beber um shot de vodka, mas acabei por beber um litro num curto espaço de tempo. Não sei o que aconteceu, mas sei que acabei numa valeta... As pessoas pensaram até que tinha morrido!", lembrou o antigo atleta, que um ano antes tinha perdido um dos seus melhores amigos, o mítico Samuel Wanjiru, precisamente por um incidente relacionado com o álcool.

Provavelmente alertado por aquilo que sucedera a si e ao seu amigo, Bungei decidiu procurar ajuda semanas depois, algo que poucos no Quénia têm a coragem de fazer. "Muitos recusam procurar tratamento porque no que ao alcoolismo diz respeito a única forma de te tratares é passares por um período de reabilitação", declarou o atleta, que após se submeter a um tratamento de reabilitação de seis semanas não mais voltou a beber.

Um dia que o queniano jamais esquecerá e que para si significa mais do que qualquer outro. "Não celebro o meu aniversário, mas celebro o dia em que parei de beber. Faz-me sentir orgulhoso de mim. Faz sentir controlo sobre a mim vida", assumiu.

Um problema recorrente

Na ótica de Wilfred Bungei, a principal causa para que o álcool seja tantas vezes procurado pelos atletas quenianos passa pelo facto de a sua vida mudar radicalmente assim que deixam o profissionalismo. "Ao seres atleta, apenas tiras uns 20 dias por ano durante um período de 13 ou 14 épocas. Por isso, quando te retiras ficas simplesmente sem nada para fazer... Lembro-me que comprava uma garrafa de vinho, sentava-me e, num ápice, mal sem perceber, já tinha acabado. Depois disso ia comprar outra... Assim, do nada, no espaço de ano e meio, a minha vida tornou-se num caos", revelou o atleta, que na mesma entrevista assumiu que até os seus filhos tinham medo de si.

"Os miúdos ficavam sempre com receio quando eu conduzia o carro, porque muitas vezes eu ia beber a um bar e depois conduzia até casa. Acabas por beber demasiado e as crianças estão a ver-te a conduzir daquela forma... Não é nada seguro. Lembro-me que uma vez tive um acidente e o meu filho me disse: 'pai, é isto que acontece'. De cada vez que me viam a beber uma ou duas garrafas simplesmente não queriam estar no carro comigo e isso afetou-me imenso", lembrou o atleta, que assume ter a vontade de, com o seu depoimento, ajudar quem atravessa idêntico drama.

Por Fábio Lima
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