O Natal de Kipchoge: «Calha a uma quarta-feira... por isso tenho 20 quilómetros para fazer»

Atleta queniano já trabalha de olho na Maratona de Londres

• Foto: Getty Images

A quadra é festiva, mas nem isso faz com que Eliud Kipchoge descure os treinos de olho na Maratona de Londres. Em entrevista ao 'The Telegraph', o atleta queniano deixou bem patente o seu profissionalismo e foco rumo aos próximos objetivos, ao revelar que o dia de Natal será um dia como qualquer outro no que a preparação diz respeito.

"Calha a uma quarta-feira este ano, por isso vai ser um dia de treino calmo. Vou só fazer uns 20 quilómetros", atirou o atleta de 35 anos, que normalmente chega aos 220 quilómetros por semana quando está em plena preparação para os seus objetivos.

E por falar em objetivo, Kipchoge não esconde que na sua mira está uma maratona abaixo das duas horas, mas agora num evento oficial. "Mostrei a todos que o caminho para quebrar essa barreira é possível. Não faltará muito até vermos um atleta a conseguir fazê-lo numa prova oficial. Não farão falta dez anos...", declarou o queniano, que em Viena, num evento privado, correu os 42 quilómetros e 195 metros em 1:59:41 horas.

Para 2020 há vários desafios na mira, nomeadamente a defesa do título olímpico em Tóquio, mas por agora Kipchoge apenas pensa numa prova de cada vez. "De momento estou apenas focado em Londres. Apenas tenho uma mente e duas pernas. Ainda tenho em mim a vontade de antes. Mesmo quando estou cansado e acabo de acordar, começo a correr e ao fim de 10 minutos sinto a energia a vir. Confio que aqueles que me viram em Viena ficaram inspirados. Acredito que mudaram a sua opinião. Em muitas coisas ainda sou o mesmo Eliud. O que mudou foi a mentalidade de acreditar que tudo é possível se acreditamos em nós mesmos", frisou o queniano.

Nada de álcool ou 'fast food'

Ao contrário de muitos amadores e até profissionais, nem mesmo o facto de ter atingido o seu objetivo fez Kipchoge fugir ao seu plano habitual. Ao 'Telegraph', o queniano garantiu que após completar o INEOS 1:59 Challenge não tocou numa gota de álcool, nem comeu qualquer tipo de 'fast food'. A celebração do atleta foi apenas feita em família, ao lado da sua esposa e três filhos, muito provavelmente acompanhado de um jantar à base de ugali, uma comida típica do Quénia.

A polémica das sapatilhas

Quando a conversa chega aos recordes, muito se tem dito e escrito sobre a possível influência decisiva das sapatilhas criadas pela Nike, as Vaporfly, tanto as Next%, as 4% como as AlphaFly. Kipchoge nega que os modelos em causa possam dar vantagem aos corredores e assume que tudo está na sua mente e até aproveitou para fazer uma peculiar comparação com a Fórmula 1.

"O que faz o ser humano é a sua consciência. Se não acreditares que podes correr rápido nem mesmo as melhores sapatilhas te vão permitir fazê-lo. Os atletas já perceberam que têm de fazer certas coisas de forma a sentirem-se verdadeiros desportistas. Agradeço à Nike pelas boas sapatilhas que criou, mas acima de tudo está a pessoa. Dou-vos um exemplo: temos dez equipas na Fórmula 1, com motores fantásticos e pneus incríveis da Pirelli, mas apenas o Lewis Hamilton ganha. Porquê? Porque é focado e um piloto muito profissional. Conheci-o em Abu Dhabi e percebi que o que faz ganhar não é pneu, mas sim ele mesmo", finalizou o atleta queniano.

Por Fábio Lima
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