Polémica nos Estados Unidos: Nike acusada de cortar patrocínios a atletas grávidas

Alysia Montaño deu voz a um tema que tem dado que falar

Alysia Montaño deu voz a um tema que tem dado que falar
Alysia Montaño deu voz a um tema que tem dado que falar • Foto: Getty Images

Numa altura em que se tem destacado pelos vários vídeos e campanhas nas quais defende a igualdade, a Nike está a braços com uma crise interna nos Estados Unidos, devido às acusações da velocista Alysia Montaño, que em declarações ao 'New York Times' revelou que a marca lhe cortou o patrocínio em 2014 por estar grávida. Uma acusação que vai totalmente contra a imagem que a marca tem passado precisamente nesses últimos anúncios, nomeadamente o mais recente, que exultava o papel das mães corredoras, e que levou mesmo Alysia a assumir uma postura irónica e de sátira precisamente a propósito dessas campanhas.

"A indústria do desporto permite aos homens ter uma carreira plena. Mas se uma mulher atleta decide ter um filho, essa indústria coloca-a de lado, inclusivamente quando está na sua melhor fase. As empresas como a Nike dizem-nos 'atreve-te a sonhar com a loucura', mas eu digo 'e que tal se deixarem de tratar as nossas gravidezes como se fossem lesões?", questiona a corredora, que foi por duas vezes medalha de bronze na prova dos 800 metros dos Mundiais de atletismo (em 2011 e 2013).

As acusações de Alysia Montaño levaram mesmo a uma reação oficial por parte da Nike, que em resposta à CBS News reconheceu que havia uma "inconsistência na abordagem nos mais diversos desportos" e que em 2018 padronizou a situação, "de forma a que nenhuma atleta feminina fosse penalizada financeiramente pela sua gravidez".

Por Fábio Lima
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