Semana #3: Nunca corremos sozinhos...

A 'turmaça' do início de treino de domingo
A 'turmaça' do início de treino de domingo
A 'turmaça' do início de treino de domingo

Depois de duas semanas em que me foquei um pouco mais no aspeto 'emotivo' da preparação da maratona, a partir de agora todas as minhas atualizações irão incidir muito mais nas sensações dos treinos, na evolução que vou tendo. É certo que vou partilhar dúvidas, receios e preocupação - porque faz parte -, mas agora que o plano vai começar a apertar é hora de iniciar uma abordagem diferente nas minhas crónicas.

E, então, como foi esta minha terceira semana? Calminha... inesperadamente calminha (e até tenho medo do que aí vem!) No total corri 81 quilómetros, divididos por seis treinos (três treinos calmos, um progressivo, um treino de séries longas e um longo) e, para variar um bocadinho, tive um dia de descanso...

Já não parava desde dia 9 de julho, dia em que fui para o Brasil e no qual decidi (por iniciativa própria) abdicar do treino, pois sabia que o cansaço acumulado da viagem (foram umas 18 horas até chegar a São Paulo...) acabaria invariavelmente por comprometer qualquer tipo de efeito positivo do trabalho que podia desenvolver. Abdiquei desse treino e ainda bem!

Sei que um dia é pouco para recarregar baterias de forma completa (muito mais quando estamos a preparar uma maratona), mas tanto esse como o mais recente me souberam efetivamente bastante bem e terão tido certamente um efeito positivo.

De tal forma que na quarta-feira, e depois de ter rolado a um ritmo calmo na véspera, 'saquei' um dos melhores treinos de séries longas que me recordo de ter feito. Não fiz nenhum parcial extraordinário, mas as sensações que tive foram mesmo muito positivas. Lembro-me que comecei algo preso, até porque vinha de um longo dia de trabalho, mas assim que comecei a entrar no ritmo... foi sempre a abrir. Tanto que cheguei ao final com a sensação de que o treino em vez de ter apenas duas repetições de 4000, poderia ter três ou quatro, que conseguiria fazer no 'pace' pretendido e até mais rápido.

A história mudou um bocadinho na quinta e sexta-feira, dias onde integrei também algum trabalho de reforço muscular. Provavelmente em face desse desgaste extra, no segundo dia já não me senti tão fresco para fazer o progressivo que tinha no plano (12k a terminar nos 4'35), mas mesmo a custo consegui ser perfeito na progressão quilómetro a quilómetro.

Num dia ajudas, no outro és ajudado

O título desta crónica não está lá ali ao acaso e cada vez mais sinto que neste mundo da corrida é mesmo assim. Podemos até fazer centenas de quilómetros sozinhos, mas teremos sempre alguém do nosso lado. Tanto pode ser pela simples mensagem de apoio, como pelo apoio direto, ao dar abastecimentos durante os longos, por exemplo.

Nesse aspeto, confesso que tenho tido muita sorte desde que entrei neste mundo, pois rodeei-me de pessoas que estão dispostas a tudo para ajudar nestas empreitadas. E quando assim é, é natural que queiramos retribuir e nos sintamos bem com isso. Foi isso mesmo que aconteceu no sábado.

Grande parte da minha "turma" fez o seu longo e, na companhia do grande Rui Ascensão - o criador do projeto 10 Kapas -, fui ajudar um bocadinho antes do meu treino (calmo, de 50'). Não fiz nada de mais, mas na verdade soube bastante bem ajudar e confesso que já estava com saudades de o fazer. Só quem anda nesta vida é que percebe, acreditem...

E depois veio o meu longo de domingo: 25 quilómetros progressivos, a tirar 10 segundos em blocos de 5k, a começar nos 5'10. Um belíssimo plano para um domingo de manhã, especialmente para quem conseguiu apenas dormir três horas (não fui para a 'noite', estive mesmo a trabalhar). Não foi o descanso ideal, mas foi o que deu...

7:30 já estava pronto a arrancar na Parede, juntamente com várias máquinas do Run Tejo, grande parte deles a apontar a grandes tempos em Berlim. Por isso, sabia que ia fazer grande parte do treino sozinho, algo que na verdade não me faz confusão, pois entendo que grande parte do sucesso de uma maratona está na nossa força mental, algo que só depende de nós mesmos. E às vezes treinar sozinho nestes longos é a melhor forma de trabalhar essa questão.

Neste treino, até aos 10k ainda tive companhia (um deles também é jornalista aqui no Record), mas dali em diante fui sempre a solo. Eu e o relógio, na tentativa de bater os parciais e fazer estes 25k ali na casa das duas horas.

Os quilómetros foram passando e tudo ia saindo de uma forma praticamente perfeita. Apenas vacilei ligeiramente ali pelos 16 quilómetros, quando desci para os 4'40, mas aí tive a sorte de contar com um abastecimento salvador de alguns elementos da minha equipa de treino. Foi uma simples água, mas soube a mais do que isso. Bebi, refresquei-me e lá fui até final. Cheguei aos 25k em 2:00:25 e com um perfil de treino progressivo bem conseguido. Missão cumprida!

Bem, semana #3 rumo a Nova Iorque fechada com 80 quilómetros e muito boas sensações. Venha a próxima, que já vai começar definitivamente a apertar, suspeito...

A terceira semana em números

» 81 km
» 6:42 horas
» 4'58 de ritmo médio
» 6 treinos de corrida
» 2 treinos de ginásio

Os meus treinos no Strava

30/07: Calmo
31/07: Séries longas
01/08: Calmo
02/08: Progressivo
03/08: Calmo
04/08: Longo

Dica #4: Escolher o calçado certo
(Relembra a dica #1, dica #2 e dica #3)

Bem, já vamos na terceira semana de treinos de olho em Nova Iorque e apenas agora vos trago um dos itens mais importantes para quem quer correr uma maratona e aquele que, arrisco dizer, mais dores de cabeça dá a quem se mete neste tipo de aventuras. Até eu, que vou a NY para a 12.ª maratona, ainda não sei bem aquilo que vou calçar no grande dia... Bem, na verdade a escolha já foi feita, mas por um atraso de envio ainda não tive qualquer chance de confirmar (nos treinos) que esta será mesmo a melhor opção.

E este é um ponto muito importante. Essencial diria mesmo. Testar nos treinos aquilo que vamos utilizar na prova. Nada de experiências no grande dia! Porque podemos (mesmo) deitar tudo a perder por causa da péssima ideia de no dia da prova utilizar algo totalmente novo, como por exemplo as sapatilhas.

Neste campo há soluções para todos os gostos, tanto no design como nas especificidades dos modelos, que tanto podem ser para treinos rápidos ou lentos, para corredores com maior ou menor necessidade de suporte e estabilidade, etc.

O mercado está cheio de soluções e até encontrarmos aquilo que melhor encaixa em nós poderemos fazer uma verdadeira travessia cheia de erros. Aqui o essencial é testarmos e vermos como nos sentimos. Há várias lojas que nos permitem até calçar os modelos e testá-los nas passadeiras que têm lá colocadas, pelo que se tiverem essa possibilidade... não se acanhem. E lembrem-se que o modelo que é certeiro para o vosso amigo muito provavelmente poderá não ser o ideal para vocês...

Uma dica extra: se vão correr uma maratona, comprem sempre um modelo com pelo menos um número acima, pois com o passar dos quilómetros o nosso pé tem tendência para 'inchar'. E caso isso suceda com umas sapatilhas apertadas... preparem-se para as tão temidas bolhas!

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Por Fábio Lima
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