Um dia para colocar o Garmin fēnix 8 à prova: deu para quase tudo...

Novo modelo da marca norte-americana parece estar a um nível muito avançado. Mas falta testar a fundo...

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Quando em agosto apresentou o fenix 8, a Garmin deu-o a conhecer como o mais eficiente relógio desta gama até à data. E não podia ser de outra forma, já que se tratava da última evolução. Mas havia sempre a dúvida: será que a evolução apresentada justificava também o incremento de preço para lá dos 1.000 euros?

Foi um pouco isso que tentámos esclarecer na semana passada, quando estivemos em Lanzarote a convite da marca norte-americana para colocar à prova o modelo estrela da nova temporada. Não foi um teste exaustivo, porque apenas tivemos o relógio disponível para uso por pouco mais de 30 horas, mas sempre serviu para tirar algumas dúvidas, acrescentar dados positivos e negativos e confirmar outros dados de realce. Ainda assim, apenas pouco mais de um dia de utilização é bastante insuficiente para perceber se vale ou não a pena investir neste fenix 8. A uma primeira vista, se a utilização for de desportos radicais ou de ultra endurance, sim. Se for simplesmente para correr, ciclismo ou ginásio, o Forerunner continua a ser a melhor aposta na Garmin.

Mas centremo-nos naquilo que vimos neste fenix 8. E a primeira coisa que apontamos é um pouco contrário ao que habitualmente fazemos, já que normalmente descartamos o aspeto visual como fator importante. Mas neste caso é necessário fazê-lo, porque a incorporação de um ecrã AMOLED é uma adição muito importante neste relógio, já que lhe dá uma toda nova dinâmica, com uma maior nitidez e vivacidade daquilo que temos no visor. Algo que é especialmente importante em ambientes como, por exemplo, aquele que encontramos em Lanzarote - com um sol forte sempre a bater. Ainda do ponto de vista visual, mas neste caso na construção, o fenix 8 não desilude. É robusto, resistente e nota-se um trabalho de qualidade premium na sua construção. E isso garante desde logo um relógio capaz de resistir a praticamente todas as condições.

Isto num modelo que ficou ainda mais leve em comparação com o anterior (passa a ter 73 gramas), o que é sempre de enaltecer. Ainda assim, a versão de 47mm ainda se sente algo grande no pulso - então se for a de 51mm... -, especialmente se forem como quem escreve este artigo - alguém que aprecia relógios um pouco mais pequenos. Mas aí uma questão de gosto. E, como se costuma dizer, gostos não se discutem.

A performance desportiva

Confessamos que por aqui somos mais de utilizar um relógio de desporto pura e simplesmente para treinar e/ou competir, do que para dar demasiada atenção aos dados de saúde que ele nos apresenta - com exceção, talvez, ao sensor cardíaco, que é sempre um indicador importante para saber como o treino está a correr. E, por isso, vamos centrar a nossa análise naquilo que vimos nestas cerca de 30 horas de teste com este modelo, nas quais utilizamos vários modos de treino, nomeadamente corrida, bicicleta indoor, treino de força, mergulho, trail running, surf e ioga.

Comecemos a nossa pequena análise nos dois modos que envolvem água, porque foram duas estreias para quem efetuou o teste. Nunca tínhamos surfado, nem tínhamos feito mergulho, por isso a base de análise será sempre sem ponto de comparação com outros modelos, mas também serviu para perceber que tipo de dados nos são apresentados. Antes de falar disso, de notar que a construção do relógio permite uma resistência superior neste tipo de ambientes, o que confere uma resistência à água para mergulhos de 40 metros.

Em relação aos dados, no surf o relógio foi capaz de nos apresentar o número de ondas que fizemos (não vamos dizer surfar, para não insultar ninguém...), a mais larga, a velocidade máxima que atingimos e ainda o ritmo cardíaco. Já no mergulho, regista a profundidade, o tempo de imersão e ainda a temperatura da água que encontra.

Passando às atividades mais normais, nomeadamente corrida, caminhada ou bicicleta, aí o fenix 8 apresentou-se como habitual. Sem comprometer. Colocámo-lo à prova tendo como comparação outros dois modelos (Coros Pace 3 e Huawei Watch GT 5 Pro) - um deles é o nosso relógio diário, o outro um que estamos a testar em paralelo. A comparação talvez não seja justa, já que o preço do fenix consegue ser bem superior ao dos outros dois (juntos), mas como temos tido sempre bons dados nesses dois modelos, era uma boa oportunidade para comparar.

E a verdade é que o Garmin se comportou quase sempre em linha com aquilo que o Coros apresentou, tanto a nível de distâncias e ritmos, como também em relação ao sensor cardíaco (neste caso em comparação com as métricas de uma banda da Wahoo). O único que fugiu um pouco nos dados foi o Huawei, mas nunca mais do que uns ligeiríssimos metros. Um aspeto que nos agradou bastante foi a fiabilidade do sensor cardíaco, o Gen 5 Elevate, que nos apresentou dados muito consistentes com aqueles que obtivemos a partir da banda cardíaca.

Em termos de autonomia, a Garmin promete que o modelo de 43mm chegue aos 11 dias (modo smartwatch), 22 horas (GPS always on) e 10 dias (em modo Expedição GPS); quanto ao de 47mm, pode chegar aos 14 dias em modo smartwatch, 33 horas com o GPS always on e a 18 dias no modo Expedição GPS; já a versão de 51mm, promete 29 dias em modo smartwatch, 65 horas em GPS always on e 29 dias em modo Expedição GPS. As versões Solar vão dos 18 a 29 dias na função smartwatch, das 58 às 129 horas em GPS Always On e dos 37 aos 115 dias em modo Expedição GPS.

Nota final para a presença de topográficos pré-instalados e de um maior detalhe na apresentação dos mesmos.

Em suma, sem termos muito mais dados de análise do que aqueles que nos foram permitidos recolher - e à espera de ter possibilidade de um teste mais exaustivo -, o Garmin fenix 8 é definitivamente um relógio soberbo. Soberbo para quem faz dos desportos radicais ou de endurance a sua praia. Mas excessivamente soberbo para quem tem uma utilização mais normal, para quem se limita a correr ou fazer desporto de forma regular, sem entrar em grandes loucuras. Sim, o aspeto de smartwatch ainda faz hesitar, especialmente com a interessante adição do altifalante e microfone ou da lanterna LED (com duas cores, que alternam enquanto corremos), mas mesmo assim continuamos a defender que este é um modelo que está cada vez mais premium e cada vez mais proibitivo na questão do preço.

Arranca nos 999 euros na versão mais 'básica' e chega aos 1.199€. Tem disponíveis três tamanhos diferentes - 43 mm, 47 mm e 51 mm - e surge com diferentes opções, nomeadamente a de ecrã AMOLED, a que conta com função de carregamento solar e ainda uma outra versão económica, o fenix E.

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