Maratona de Berlim: a experiência de Ana Teresa Santos

Não era a primeira maratona fora do país mas seria uma muito especial e que os quatro que gostamos de viajar e correr por aí, queríamos muito fazer. A Maratona de Berlim. Não é uma maratona qualquer. É uma major e essa diferença começa a notar-se quando é para fazer a inscrição. Abertas as inscrições, lá fomos tentar a nossa sorte. Não sendo possível incluir os quatro numa inscrição, foram feitas inscrições por casal. Um foi bafejado pela sorte e eu e a minha lebre acabámos por tomar a decisão de conseguir a inscrição, mais cara, através de agência. 

Com dorsal garantido, seguem-se os treinos. Pela primeira vez com um verdadeiro plano de treino de preparação para a maratona do trainingtheonlinedistance  Ao longo dos treinos, km a km, dos muitos que foram feitos, notava-se evolução e a confiança aumentava. 

Voo para Berlim e à chegada, chuva e uma molha até ao apartamento onde íamos ficar. Restava torcer para que a constipação, a vir, fosse só depois da prova. Assim, foi... 

Na véspera do grande dia, logo pela manhã, o Ribas envia-nos o plano para a prova. As borboletas na barriga apareceram. Por momentos fui invadida por um conjunto de emoções. Mas depressa tomei o pensamento de que seria mais um treino, um bocadinho mais longo e com mais companhia. Na prática não é isso mas ajuda pensar assim para ir mais tranquila. Se o treinador diz que consigo e que está ao meu alcance, eu acredito nele e tenho de acreditar em mim! Assim fiz. 

Diz a experiência que não consigo seguir a linha e acabo por fazer sempre mais distância, e por isso mesmo, há que controlar pelo relógio mas também a passagem das marcações ao longo prova. Não gosto de fazer contas de cabeça, na prova ainda menos, e há que gastar as energias onde são verdadeiramente necessárias. Papel no bolso dos calções com as passagens de 5 em 5 kms para os tempos pretendidos.

De manhã, andar um bocadinho a pé, apanhar o metro e chegar até ao recinto da partida. Bons acessos como se quer neste tipo de provas. 

Ida à casa de banho, numa das muitas que estavam disponíveis. Roupa no bengaleiro e seguir (ao frio) até ao bloco.

Entrada no bloco de partida e esperar, ao frio, pelo tão desejado momento.

9h25 e lá vamos nós devagarinho até atravessarmos a linha de partida. Segundo o plano íamos os quatro ao mesmo ritmo até aos 10km e assim foi. Já sabia que a água era em copos, mas ainda não sabia bem como seria essa experiência. Isso não fez parte dos treinos! O primeiro abastecimento foi o que se pode dizer de um pequeno desastre. Parar para apanhar o copo, sair sem tropeçar e com o mínimo de encontrões. Ao beber, água pela boca, nariz e muita falta de jeito à mistura. Passar sem escorregar nos copos de plástico, acertar o ritmo e seguir. No imediato a vontade seria de não parar em mais nenhum abastecimento mas isso seria incompatível com o objetivo de chegar ao fim. A hidratação é fundamental. Não há alternativa. Mesmo gastando mais tempo nos abastecimentos, as paragens eram obrigatórias e teríamos umas quantas hipóteses até ao fim da prova para praticar...

Passados os 10km, o Renato e a Camila seguiram com o seu plano que era um pouco mais ambicioso e eu segui com o Nelson o nosso.

Próxima etapa, meia maratona. A chuva começa a cair. No km 25 seguia-se a mudança de ritmo. Chuva e vários abastecimentos depois, chegava aos 35km e onde deveria mudar novamente de ritmo para cumprir o plano progressivo. Ao longo da prova ia passando por outros participantes, o que em algumas partes do percurso requeria mais atenção. Em especial nos primeiros kms e lá para o km 38 onde torna mais exigente as manobras de ultrapassagem. Foco e concentração. Mais importante que ir rápido é ir bem e não tropeçar. Com a chuva o papel dos tempos passou a uma bolinha de papel onde não dava para ver os tempos. Os óculos estavam completamente cheios de gotas e para consultar o relógio, só sem óculos. Esquecidos os tempos, foi seguir até ao fim.

O último abastecimento não refletiu o conhecimento adquirido nos anteriores e quase que me perdia da lebre. Mas nada que um compasso de espera e alguma calma não resolvesse, e lá fomos nós rumo à tão desejada meta. Feita a última curva, Portas de Brandenburgo à vista e é dar o último esforço até à meta. 

Está feita! Molhada, sorridente e de medalha ao peito. 

De uma major esperamos uma boa organização e foi isso que aconteceu com exceção da parte dos copos de plástico. Se fossem de papel ainda conseguia perceber... assim nem por isso!!!

Autor: Ana Teresa Santos 

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