Maratona de Berlim: a experiência de Camila Gomes

Não é a nossa primeira maratona, é a quinta. Desde que fizemos a primeira que o vício, não da corrida, porque esse já existia há algum tempo, mas sim o da maratona se instalou de imediato. Correr uma maratona não é só correr, correr uma maratona é uma mistura de sentimentos e sensações ao longo dos 42,195K.

Sentimentos e sensações essas que se acumulam durante os meses de preparação e que durante a prova são expelidos por cada poro do nosso corpo. E para a Maratona de Berlim 2019 não foi diferente, com a agravante de ser a nossa primeira MAJOR.

Para esta maratona tivemos o prazer de contar com o conhecimento, simpatia e amizade de uma pessoa que merece tudo de bom, o atleta olímpico Ricardo Ribas. Se há um ano nos dissesem que iamos conviver com este "monstro" do atletismo mundial nós nunca acreditariamos.

Voltando a Berlim, partimos de Lisboa dia 27/09 e no avião iam muitos atletas para o mesmo que nós. No ar já se sentia um certo nervosismo por se estar a aproximar o grande dia. Chegados a Berlim só deu tempo de comer qualquer coisa e ir levantar os dorsais para ficarmos já despachados. A feira de uma MAJOR é outro mundo, tudo é em grande e extremamente bem organizado. O sábado foi passado a passear, pouco, e a poupar as energias para o dia seguinte. As indicações do Ribas chegaram neste dia, com tempo suficiente para assimilarmos tudo, fazermos as contas dos ritmos e escrever tudo numa cábula para levar. A noite passou, já com o nervosismo a aumentar. Quando esperam alguma coisa de nós, sentimos a obrigação de corresponder e dar o nosso melhor, dai o nervosismo.

Domingo, chegou o grande dia! Depois do pequeno almoço fomos para a partida de metro (fácil acesso e gratuito para os corredores no dia da corrida) foi largar a roupa nos locais indicados e ir para o respectivo bloco de partida, tudo muito bem organizado e com staff a indicar os caminhos e a fornecer mapas do recinto. Estava frio, e a juntar com os nervos parecia que nevava. São muitas pessoas, mesmo muitas pessoas. Nunca tínhamos estado numa prova desta dimensão.

A hora aproximava-se e os nervos a aumentarem, mas ao chegamos à linha de partida tudo desapareceu como que por magia. Estavamos ali para correr, é isso que adoramos fazer e era isso que íamos fazer. Os kms vão passando sempre controlando os ritmos, vendo os tempos de passagem. Tudo corre dentro do previsto, pena os abastecimentos serem muito confusos, e beber por copos de plástico não ajudar em nada. Mas o importante é correr e era isso que íamos a fazer, e bem.

Quando faltavam 5 kms o Renato pergunta-me: "como estás?" Respondo: "bem" e ele diz: "está feita". Aí vem a primeira emoção à flor da pele. Depois foi só gerir, tentar apertar um pouco até ao fim e fazer pela primeira vez sub 3:40h, e logo numa MAJOR.

Quando cruzámos a linha de meta e vimos que tínhamos cumprido o nosso objetivo, as lágrimas começaram a cair de alegria e da sensação de dever cumprido, só quem corre percebe o que se sente. Foram meses e meses de preparação, de privações que a maioria das pessoas não compreende. Mas quem corre sabe que o fazemos por muito, mas muito prazer. Nesta aventura de Berlim fomos juntos, como sempre, com o Nelson e a Ana, e os quatro concluímos com sucesso uma MAJOR.

A Maratona de Berlim é especial, é grande em tudo e quem conseguir ir que vá e aproveite cada segundo. Depois de passado a meta tudo muito bem organizado, a entrega das medalhas, a entrega do saco da fruta e da água, chá quente e bebidas energéticas, a cerveja e o acesso aos roupeiros sem confusões e tudo muito fluído.

Está feita e que venha a próxima maratona :)

Autor: Camila Gomes

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