Maratona de Berlim: a experiência de Mariana Passos

No dia 29/09 corri a minha primeira Major, a Maratona de Berlim. A expectativa era enorme, afinal estamos a falar de uma das maiores maratonas do mundo, a mais rápida e numa cidade emblemática.

Parti com a segurança de que tinha treinado para fazer uma boa prova, e que nem a chuva iria atrapalhar. Se uma major tem muita coisa boa, um dos pontos negativos é a quantidade de pessoas. E isso é sentido desde a partida até à chegada. Durante 42km senti que tinha sempre pessoas para ultrapassar, para me desviar. Claro que os primeiros 15/20km foram os mais complicados, visto que éramos muitos corredores, a quererem impor o seu ritmo e a terem que ir desviando e ultrapassando dezenas de outros corredores, o que levava a que muitas vezes tivéssemos que abrandar o ritmo.

Mas o problema maior, na minha opinião, foram os postos de abastecimento. A água servida em copos de plástico, postos curtos e sem muitas mesas, obrigava a que muitos corredores parassem, causando uma grande confusão e por consequência eu tinha que parar ou abrandar demasiado para conseguir chegar a um copo de água. No segundo posto de abastecimento, como não consegui apanhar água, quando estiquei a mão, deram-me um chá quente, que tive que deitar fora. Manter um ritmo constante com estes percalços não é fácil, passar de um pace de 4’50 para 5’20 e ter que voltar a acelerar para compensar estes segundos a mais em cada posto de abastecimento.

A verdade é que são mais de 40 mil pessoas a correr uma maratona e todos sabemos a dificuldade que existe para se conseguir chegar a todos. E sem dúvida que é uma grande prova.

Esta foi a minha melhor maratona, até hoje, não apenas pelo tempo que fiz, mas pelas sensações vividas. Corri os 42.195km de forma tranquila, os kms passavam de forma rápida, quando dei por isso estava nos 35km. O apoio ia aumentando, e mesmo com chuva, as pessoas estavam ali, prontas para dar um hi5, um sorriso e o que fosse preciso. Apesar dos alemães serem conhecidos pela frieza, naquele momento não foi o que senti.

Berlim é uma cidade cheia de história, muito marcada pela guerra e correr nas suas ruas é um privilégio. Chegar aos 42km e passar pelas Portas de Brandemburgo, ver a meta tão perto e sentir que tudo faz sentido. Que os meses de treino, os kms percorridos, as noites com poucas horas de sono valeram a pena para viver aquele momento, para ainda ter força para acelerar no final e pensar: "Um dia ainda volto a fazer esta prova!"

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