Semana #12: confiança reforçada num momento inesperado

Jornalista Record cumpriu mais uma semana rumo à Maratona de Nova Iorque

Semana 12 de preparação rumo à Maratona de Nova Iorque.

Poderia ter sido uma semana normal, com uma data de treinos bem ou mal sucedidos, com mil peripécias para contar, mas não foi o caso. Bem, até foi, mas não da forma como normalmente sucede numa preparação para uma maratona... É que, devido ao meu calendário anormal que vocês já começam a conhecer, o último domingo foi dia de colocar mais uma maratona no currículo (curiosamente a 12.ª), uma maratona que até à véspera era apenas para concluir. Era... mas não foi!

Com Nova Iorque ao virar da esquina (falta menos de um mês...), o meu treinador pediu-me para ir a Mira, ao Get Ready Center, fazer um teste que tinha como propósito aferir a minha evolução, perceber em que nível estou para atacar esta fase final e também definir qual o objetivo real que posso almejar para essa prova alvo.

Um teste muito simples, onde recolhemos uma pequena amostra de sangue enquanto damos umas voltinhas a um percurso previamente definido, mas que faz a diferença entre treinar/competir da forma correta ou incorreta, pois é baseado nos dados que o nosso corpo dá. Não há cá fórmulas matemáticas de 'conversão' dos registos dos 10 ou 21 quilómetros. Aqui é tudo com base científica!

Recordo-me que depois de o ter feito pela primeira vez os meus treinos mudaram por completo. Pode ser estranho, mas passaram a ser mais acessíveis. Basicamente porque deixei de treinar para lá dos meus limites. Passei a treinar no ponto certo, no ponto que promoveria de uma forma mais correta a minha evolução. E os resultados não poderiam ter sido mais positivos...

Tanto que, analisados os números, o plano para Lyon mudou de forma radical. Ao invés de ser para acabar em 3:45 horas, esta maratona serviu de teste para Nova Iorque, especialmente nos últimos 15 quilómetros, onde a ideia era andar perto do ritmo que quererei impor nessa prova alvo.

Soube desse plano na véspera, apanhado um pouco de surpresa enquanto andava tranquilo pelas ruas da cidade. Não entrei em pânico e encarei de forma positiva o desafio. Comecei a fazer contas de cabeça e de repente cheguei a uma conclusão 'assustadora': "Mas isto vai dar recorde!". Aqui veio um bocadinho de pânico, confesso, mas não havia nada a fazer. Se tenho um treinador é para confiar nas ordens que ele me dá, porque ele saberá bem melhor do que eu aquilo que é bom ou não para mim. E lá fui!

O dia da verdade

E chegou a manhã de domingo. Sem entrar em grandes pormenores sobre como foi a prova (deixarei isso para a minha análise da mesma), lá me apresentei à partida com a lição bem estudada e com a confiança do meu lado. Estava bem, soltinho, confortável e, na verdade, nem me sentia muito pressionado pela necessidade de ter de fazer um registo que significaria bater o meu recorde. Estava com a mente limpa, como diz o grande Eliud Kipchoge...

A prova começou e fui seguindo os parciais indicados. Passei o primeiro bloco de 7 quilómetros, acelerei um pouco mais para o segundo (de 10) e depois um pouco mais para o terceiro (também de 10). Estava tudo a correr dentro dos conformes e cheguei aos 27 quilómetros com a sensação de que tinha energia suficiente no depósito para fazer aquilo que tinha no plano.

Os primeiros quilómetros desta fase final foram feitos de forma mais ou menos confortável, ainda que o perfil da prova não fosse o mais acessível para este tipo de brincadeiras (eu depois explico...), e lá consegui ir encaixando os parciais que me tinham sido apontados. Tudo mudaria um pouco ali pelos 35 quilómetros, onde o tal perfil da prova e a falta de profissionalismo da organização me fizeram pagar um pouco a fatura. Acusei o cansaço e perdi ligeiramente o gás na fase final. Nada de muito preocupante, porque sendo treino ou não, isto era sempre uma maratona, não é verdade?

Cruzei a linha de meta em 3:19:56 horas. Um novo recorde por dois minutos.

Que melhor indicador para Nova Iorque poderia ter? Agora é recuperar bem desta maratona e atacar as quatro semanas que faltam para o grande dia. A confiança, essa, está claramente reforçada!

A décima segunda semana em números
» 88,3 km
» 7:12 horas
» 4'54 de ritmo médio
» 4 treinos de corrida e 1 prova

Os meus treinos no Strava
30/09: Calmo
01/09: Séries longas
03/10: Calmo
04/10: Teste
06/10: Prova

Dica #14: Testem tudo antes do dia da prova
(Recorda a dica #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12)

Esta é uma dica básica, mas que muitos se esquecem de seguir. Os treinos, para lá de servirem para colocar o nosso corpo na forma desejada, também servem para testarmos tudo o que vamos ter de fazer no dia da prova. Desde roupa à nutrição até passando pelos horários.

É essencial habituar o nosso corpo aos horários das provas alvo (daí que numa prova feita nos Estados Unidos seja necessária uma adaptação prévia à diferença horária), mas também é essencial percebermos o que funciona connosco a nível de nutrição. Qual o pequeno almoço certo, qual o almoço/jantar da véspera, qual a energia intratreino que queremos seguir. Isto deve ser tudo testado antes do dia da verdade.

Tempo não faltará, até porque a preparação para uma maratona dura em média entre três a quatro meses. Nesse período - não me lixem! - terão tempo para testar tudo e mais alguma coisa para chegarem ao dia da verdade com a certeza de que estão a usar aquilo que funciona melhor convosco. E lembrem-se... NADA DE COISAS NOVAS NO DIA DA PROVA!

Por Fábio Lima
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