Semana #14: agora sim, estou pronto!

Jornalista Record cumpriu mais uma semana rumo à Maratona de Nova Iorque

Demorou a chegar, mas finalmente à 14.ª semana de treinos chegou aquele treino que há muito procurava nesta reta final de preparação. Um treino onde me tivesse sentido cómodo a ritmos rápidos, um treino em que conseguisse cumprir por completo aquilo que me fora apontado pelo treinador e, mais importante de tudo, um treino onde não sentisse qualquer incómodo físico. Esse treino finalmente chegou, a precisamente duas semanas do grande dia. Não podia (mesmo) ter chegado em melhor altura!

Ainda para mais num dia que acabou por se revelar especial, já que foi feito à margem da Maratona de Lisboa, uma prova onde vários amigos e conhecidos participaram, todos eles com resultados e feitos para mais tarde recordar. Uns estrearam-se e brilharam; outros melhoraram os seus recordes e voaram para marcas que há algum tempo viam como impossíveis... No fundo, a Maratona de Lisboa foi palco daquilo que um evento deste tipo deve sempre ser: um cenário de superação.

Da minha parte, tendo dorsal para participar, decidi que não era de todo uma boa ideia carregar as minhas pernas com mais uma maratona, pelo que o plano passou por fazer um treino longo de 30 quilómetros, dando uma ajuda a uma colega de equipa nos últimos 15 quilómetros. Como as estradas estavam fechadas no percurso do lado lisboeta logo desde as 8 horas, aproveitei e fiz ida e volta, arrancando em sentido inverso à prova no Cais do Sodré.

Fiz as contas ao ritmo e aos quilómetros de forma a conseguir chegar aos 26 da maratona (os meus 15) pelas 9:55 e, de forma incrível, mal cheguei a esse ponto encontrei logo quem procurava para seguir caminho, agora no sentido inverso. Vinha de fazer 15 quilómetros entre os 4'50 e os 5'00, para depois naquele momento baixar de forma súbita aos 4'30. De imediato senti-me bastante confortável naquela passada, apesar de temer que uns minutos depois pudesse pagar a fatura dessa mudança repentina de ritmo. Não aconteceu...

Ao lado da Rita Furtado, com quem já tinha partilhado alguns longos, do Daniel Veríssimo e do Nuno Alves, lá fomos para a fase final da maratona. A ideia era clara: rolar sempre entre os 4'30/4'35. Sem ir mais rápido para não queimar o cartuchos para a fase final; sem ir mais lento para não desperdiçar segundos que pudessem ser decisivos para a obtenção de uma marca. Para mim, confesso, era uma tarefa e peras e que de certa forma me assustava!

Nas últimas semanas até me tinha sentido num verdadeiro relógio suíço, capaz de me manter num determinado ritmo de forma consistente, mas o facto de estar em dúvida quanto à minha forma física (por causa da tal dor no isquiotibial) fazia-me encarar esta missão com algum receio, ainda que o facto de saber que não estava sozinho me tenha tranquilizado.

E a verdade é que os quilómetros foram passando e, no meio da adrenalina de estar integrado numa maratona, ia rolando como se nada fosse... Não vou dizer que foi fácil, porque não foi, mas nunca me senti verdadeiramente no limite. Nem quando começámos a 4'30, nem quando descemos aos 4'10 na parte final...

Aos 41 quilómetros da maratona, nos meus 30, encostei e acabei o meu treino. Era ali que tinha de ficar. Ali, a um quilómetro da meta, para deixar quem fez a maratona ter todo o protagonismo. Não que a fase final fosse de uma enorme loucura como noutras paragens, mas porque aquele momento final de consagração só deve ser vivido por quem conquistou mesmo a maratona. Seja onde for... Só quem correu os 42,195 quilómetros deve erguer os braços em celebração ao passar aquele pórtico. Assim como só quem correu os 42,195 quilómetros deve recolher aquela medalha... E, infelizmente, Lisboa voltou a ser palco de casos de pessoas que mesmo não correndo a distância foram lá até à meta recolher aquele pedaço de metal tão desejado. É assim que (ainda) somos...

Bem, tristezas à parte, o que importa aqui é mesmo o feito de quem correu mesmo a distância. Os meus amigos, os meus conhecidos... Mas em especial a Rita, uma verdadeira máquina disto da corrida, que com o acompanhamento certo do Ricardo Ribas chegou à Maratona de Lisboa e limpou quase dez minutos ao seu recorde. Quarta melhor portuguesa, uma prova praticamente perfeita, de mais para menos, que vai servir de grande exemplo para aquilo que quero fazer dentro de menos de duas semanas. Se fizer igual... faço a festa do ano!

Agora sim, vamos ao 'tapering'

Cumprida a 14.ª semana de preparação, outra vez acima dos 100 quilómetros - será a última nos três dígitos -, agora será finalmente hora de reduzir a carga. De começar a limar as arestas, de poupar as pernas, de tranquilizar a mente, de interiorizar que tudo fiz para que a 3 de novembro tudo dê certo. Nas últimas 14 semanas, naquele que terá sido o ciclo de preparação mais bem conseguido da minha parte, fiz tudo o que tinha a fazer. Agora não há mais nada a mexer. É confiar no que foi feito!

A décima quarta semana em números
» 103,6 km
» 8:34 horas
» 4'58 de ritmo médio
» 6 treinos de corrida e 1 treino de ginásio

Os meus treinos no Strava
14/10
: Calmo
15/10: Calmo
16/10: Séries longas
18/10: Progressivo
19/10: Calmo
20/10: Longo

Dica #15: preparem tudo com muita antecedência
(Recorda a dica #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11, #12, #13, #14)

Se tal como eu vão viajar para fora para correr uma maratona, de forma a não terem surpresas de última hora, o melhor conselho que posso dar no que a viagens diz respeito é mesmo preparar tudo com antecedência. Especialmente caso o destino em causa envolva qualquer tipo de questão burocrática para a entrada. No caso dos Estados Unidos, esse processo resolve-se de forma fácil com o pedido online do ESTA, mas há destinos bem mais complexos, como por exemplo a Rússia, que obriga à requisição de um visto.

Este tipo de questões deve ser a primeira das nossas preocupações, mas também não devemos esquecer todo o tipo de coisas que vamos precisar para a viagem e para a prova e tratar de as reunir o quanto antes. O ideal é termos à mão uma lista de tudo o que vamos precisar, tanto para a viagem, estadia ou corrida propriamente dita, de forma a que entremos na semana da viagem totalmente livres de surpresas. É que, acreditem, nos dias que antecedem a viagem ou prova vão de certeza deixar escapar até as coisas mais básicas...

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Tens alguma questão ou curiosidade sobre a minha preparação? Contacta-me através de fabior46@gmail.com

Por Fábio Lima
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