Semana #7: Um belo puxão de orelhas...

Jornalista Record cumpriu mais uma semana rumo à Maratona de Nova Iorque

Isto está a passar a voar!

Ainda há uns dias estava a começar a preparação, com aquele friozinho na barriga que se sente sempre que se abraça a preparação de uma maratona (seja a primeira ou a vigésima), e agora já estou a entrar na fase final da primeira metade da preparação. Passou mesmo a voar...

Não sei se por os treinos estarem mais fáceis (não me parece, até porque tenho batido recordes de carga de forma regular e rodado a ritmos que há uns meses achava complicados...) ou se se trata simplesmente de estar a desfrutar muito mais desta jornada por tudo aquilo que me rodeia, mas a verdade é que esta preparação tem sido a mais prazerosa e a que menos me tem custado cumprir.

Mas não pensem que não me tenho aplicado! Bem pelo contrário! Tenho-me aplicado e muito! Até demasiado... Tanto que acabei a sétima semana de preparação com um belo puxão de orelhas do meu treinador por causa de uma verdadeira parvoíce feita no longo da praxe. Basicamente quis andar mais rápido do que devia e levei logo um correctivo para aprender a respeitar o plano...

Era o treino mais complicado até ao momento, mesmo que não fosse o mais longo (já tinha feito 37 e 35 nas semanas anteriores), mas sim porque tinha ritmos elevados a cumprir. Eram 30 quilómetros, repartidos em blocos de 10 quilómetros a 4'55 (na verdade era a 4'50, mas decorei mal o plano...), 4'45 e 4'35, algo que muito provavelmente me levaria a fazer a minha passagem mais rápida de sempre aos 30k (que até então tinha sido feita na Maratona de Barcelona). Se tudo corresse bem, era isso que ia acontecer...

Lá saí para o treino acompanhado pela Rita Furtado, uma corredora do mesmo grupo de treino e que, tal como eu, também tem uma pancada (saudável) por maratonas. Tendo ritmos similares, era a companhia certa. Ainda recrutámos dois amigos (Nuno e Tiago, muito obrigado!) para o apoio da hidratação e só havia mesmo uma coisa que ninguém podia fazer por nós: correr... e rápido!

Sexta-feira de manhã, 7:02, tiro de partida! Arrancámos e rapidamente entrámos no ritmo desejado. Estava fácil e íamos bem confortáveis. Chegámos aos 10k no parcial indicado e era hora de apertar. Pé no acelerador e lá fomos. A puxar à vez, lá nos fomos ajudando e motivando mutuamente, sempre dentro dos parciais indicados.

17, 18, 19... E agora é que vão ser elas. Chegou o 20.º quilómetro e tínhamos de voltar a esticar o ritmo. Uma bela tarefa para quem já sentia as pernas pesadas e, para piorar tudo, vinha desde os 10/12 quilómetros com um desconforto intestinal. Não sei o que se passou, porque nisto dos longos não invento e faço sempre tudo igual - desde o dia anterior, ao pequeno almoço e os geis intratreino -, mas este não era o dia. O desconforto instalou-se, foi-se agravando e levou-me mesmo a pensar em parar. Até estava relativamente bem de pernas, mas havia ali algo a incomodar me e a impedir-me de correr confortável.

Pensei parar, mas não o fiz. Tinha a Rita ali comigo, com quem me tinha comprometido a (tentar) acompanhar, mas também o Tiago, que desde o quilómetro 13 nos acompanhava de bicicleta (qual atleta de elite qual quê...). Lá me fui aguentando... e ainda bem que o fiz!

Já dentro desses tais 10 quilómetros finais fomos correndo e, uns à risca, outros abaixo, outros algo acima, fomos conseguindo cumprir o planeado... até que chegou o 28.º quilómetro. Aí decidi tentar forçar um bocadinho e ao invés dos 'receitados' 4:35, fiz a fase final a 4'23 e 4'21. Se me senti bem? Muito bem! Se me fez bem? Segundo o meu treinador... não. Vai daí, sai raspanete para a mesa do canto!

"Estes últimos quilómetros tão rápidos são asneira da grossa", limitou-se ele a dizer-me depois de ver os parciais, para depois acrescentar que com isto só me "estrago"... Por melhor que me sinta, não me posso esquecer que já levo 28 quilómetros nas pernas e que, para todos os efeitos, venho em défice. O que isso provoca? Um desgaste desnecessário no corpo. Um desgaste que não estava no plano e ao qual eu me submeti... de forma estúpida!

Ouvi o que ele me disse, interiorizei e prometi a mim mesmo que não voltarei a fazer tal coisa. Se o ritmo está lá no plano é para ser cumprido. Só assim vou conseguir evoluir de forma correta. Basicamente há que saber dar os passos certos, na hora certa, e não tentar atalhar caminho, o que na prática foi o que tentei fazer (inconscientemente) neste treino.

Quanto ao desfecho do tal treino, esquecendo o puxão de orelhas, foi um treino do caraças! Acabei-o em 2:22:08 horas, nuns incríveis 1:32 minutos mais rápido do que o meu melhor tempo de passagem aos 30 quilómetros - o tal na Maratona de Barcelona, onde nessa altura, recordo-me, estava totalmente a penar, já sem saber o que tinha nas pernas, pois parecia que transportava comigo dois pedregulhos enormes...

E o resto da semana? Bem, o resto da semana foi mais uma vez um 'passeio' tranquilo, mesmo com alguns treinos bem 'assustadores' pelo caminho. Especialmente as séries de 6000 metros (duas vezes), que me impunham respeito só de olhar para elas no plano. Mas cheguei lá e fi-las sem espinhas e cumprindo na totalidade aquilo que me tinha sido proposto no plano de treinos. Houve também espaço para a habitual 'reunião familiar' de fim de semana no longo da praxe. Enfim, foi mais uma semana em cheio. Venha a próxima!

A sétima semana em números

» 96.38 km
» 8:06 horas
» 5'03 de ritmo médio
» 6 treinos de corrida
» 1 treino de ginásio

Os meus treinos no Strava

26/08: Calmo
27/08: Séries longas
28/08: Calmo
30/08: Longo progressivo
31/08: Calmo
01/09: Progressivo

Dica #8: respeitar o plano de treinos
(Recorda a dica #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7)

Na verdade esta dica estava guardada para a próxima semana, mas nem de propósito... Tinha de ser antecipada por causa daquilo que fiz no meu treino. É que, sabem... quando o vosso treinador vos coloca um determinado treino a um determinado ritmo, não é porque nesse dia acordou virado para Meca e que, por isso, lhe achou bem que aqueles números ali estivessem.

Se os colocou nesse dia específico, nesse ritmo e distâncias específicos, foi porque é esse o caminho certo para chegarem ao vosso objetivo.

Não façam mais um ou dois quilómetros ou parciais mais rápidos só "porque se sentem bem". Isto não funciona assim. Se o vosso plano tem 10 quilómetros a 5:00, mesmo que o vosso ritmo de prova seja a 4:00, respeitem. O vosso treinador saberá o que está a fazer, certamente em grande parte dos casos bem mais do que nós (no meu caso, então, muito mais...).

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Tens alguma questão ou curiosidade sobre a minha preparação? Contacta-me através de fabior46@gmail.com

Por Fábio Lima
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