Experimentar o Trail com um craque

Armando Teixeira treinou com amadores na mata do Jamor para promover o Estrela Grande Trail, nos próximos dias 21 e 22, em Manteigas

Não é todos os dias que temos a oportunidade de treinar na companhia de um craque e a vida já me ensinou que é mesmo curta demais para deixarmos passar oportunidades. Por isso, neste fim de semana não perdi a hipótese e aceitei o repto de correr 40 minutos pela mata do Estádio Nacional com Armando Teixeira, uma das principais figuras do Trail nacional e com projecção internacional. Ocasião para ouvir conselhos de quem sabe a propósito da divulgação do Estrela Grande Trail 2022, que decorre nos próximos dias 21 e 22, em Manteigas. Os participantes podem escolher entre três distâncias (15, 26 e 49 quilómetros) e confesso que fiquei com vontade de experimentar, apesar de ser fã confesso de corrida em estrada.

"Não há problema nenhum pois 90% dos nossos treinos são feitos em estrada", diz Armando Teixeira para ajudar a convencer os mais indecisos como é o meu caso, acrescentando: "Nem sempre conseguimos treinar em zonas tão bonitas como esta mata aqui do Jamor ou Monsanto. Muitas vezes fazemos treino de força no ginásio para nos prepararmos para os declives. Além disso, quem já domina a técnica de corrida em estrada parte em vantagem para o Trail. Isto apesar de ser diferente pois na estrada o foco é chegar o mais depressa possível, enquanto no Trail não é assim."

O ultramaratonista, de 46 anos, já fez alguns dos percursos mais exigentes como a Ronda del Cims, um ultra trail em Andorra com 168 quilómetros, ou os 330 quilómetros da Corrida dos Gigantes que lhe levaram 94 horas a completar. "A privação do sono é um obstáculo difícil já que retira lucidez e capacidade de raciocínio", admite, considerando que qualquer pessoa pode percorrer grandes distâncias mas desde que a preparação seja feito passo a passo e com acompanhamento especializado. Por isso, o evento contou também com a partilha de experiências de Luís Pinto e Susana Francisco, treinadores do Plano Nacional de Marcha e Corrida, os quais deram conselhos úteis sobre planos de treino e nutrição.

Depois de reiterar a ideia que "ser ultramaratonista de montanha é uma arte" e que "a prova mental é tão ou mais dura do que a física", o atleta da Maia que nem gostava de correr e só começou a fazê-lo aos 33 anos deixou o convite a todos para participarem no EGT. "Acredito que ainda haja muitas pessoas que só conhecem a Serra da Estrela das visitas à Torre para verem a neve, mas a Serra é muito mais do que isso e esta prova vai mostrar outros encantos da zona", afirmou Armando Teixeira. De referir que durante todo o evento, corrida incluída, o craque revelou-se sempre simpático e disponível para esclarecer toda e qualquer dúvida das dezenas de participantes no treino matinal, revelando uma humildade própria dos grandes campeões. Obrigado e, quem sabe, se um destes dias não experimento uns trilhos.
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