HOKA Tecton X2: uma 'bomba' para os trails

A nossa análise ao modelo de performance da marca francesa

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Se as corridas de estrada estão cada vez mais rápidas, com cada vez mais atletas a exigir modelos capazes de extrair segundos preciosos ao quilómetro, no mundo do trail a realidade não está muito longe da mesma situação. Já não se busca apenas modelos estáveis, confortáveis e capazes de proteger os pés, como também se tenta encontrar um equilíbrio para dar um extra de velocidade para quando temos algum tipo de objetivo de tempo. É certo que normalmente o corredor de trail não se foca tanto no tempo, mas antes na experiência. Ainda assim, se o foco passar por tentar bater um determinado registo, então ter nos pés a 'máquina' certa é, por vezes, algo essencial.

E nesse aspeto, arriscamos dizer que não há como enganar na escolha se formos para os Hoka Tecton X2. A primeira versão já tinha recolhido boas impressões e a segunda ficou ainda melhor. Não havia muito para mudar, mas o que mudou foi claramente para melhor.

Comecemos pelas especificações, que são as melhores de toda a gama de modelos de performance de trail. São somente 249 gramas (um peso pluma no mundo do trail), para uma sapatilha com uns habituais 5mm de drop (32/27). O peso é desde logo algo que favorece a corrida rápida, mas a dúvida persistia em saber se esse peso a menos representaria igualmente uma perda de estabilidade. A resposta foi negativa.

Esse peso baixo conseguiu-se essencialmente com a utilização de um material na zona superior (o chamado Matryx) que é bastante leve e fino, sem que isso comprometa a proteção dos nossos pés. Depois, essa mesma malha é igualmente bastante respirável (o que se agradece para provas longas) e permite igualmente que o pé esteja bem sujeito, sem que o aperte em demasiada - o mesmo se aplica aos dedos, que não ficam excessivamente presos de movimentos.

Depois, a meia-sola é algo que continua a ser uma fórmula de sucesso. A espuma ProFlyX é do melhor que há para estas condições e as placas de fibra de carbono paralelas fazem o resto. Que é como quem diz dar sensação de propulsão em cada passada independentemente do piso envolvido. É óbvio que em perfil rolante é bem mais notório, mas mesmo a subir dá para perceber que há algo ali a puxar-nos em diante. Além desta propulsão adicional, outra função importante das placas de fibra de carbono é também dar estabilidade à corrida - já assim o é na estrada -, o que aqui, num ambiente de trail, com um perfil muito instável, praticamente todos agradecem.

Outro ponto essencial no trail é também a sola. Quanto melhor tração, melhor. É assim na estrada. É ainda mais importante no trail, onde há mais pedras soltas ou pisos escorregadios. Com a borracha Vibram Megagrip - com uns 'bicos' de 4mm -, as Tecton X2 oferecem aquilo que todos desejam e agarram em praticamente todo o tipo de condições e ritmos. O único piso em que nos parecem algo 'soltas' é mesmo com lama demasiado solta. Aí, o facto de ter apenas 4mm de 'bicos' acaba por fazer perder a tração e torná-las uma opção menos boa. Em termos de durabilidade, é certo que não tivemos tempo de colocá-la em teste extensivo, mas a verdade é que os primeiros sinais são positivos.

O único problema deste modelo - o maior! - acaba por ser o preço, pois 220 euros para umas sapatilhas de trail não é propriamente algo muito simpático. Mas é o preço a pagar por um produto premium, que provavelmente não tem paralelo no mercado dos modelos de trail.

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