Caminho das estrelas

A crónica de António Carraça

Quando vejo, sentado no sofá da minha sala, o Real Madrid a jogar no Santiago Bernabéu, volto 33 anos atrás no tempo. Regresso a setembro de 1983.

Vestindo aquela ‘especial’ camisola azul do Belenenses, com a cruz de Cristo ao peito, jogámos contra o Castilha, nesse mítico estádio, onde já passearam a sua classe os maiores jogadores de futebol de todos os tempos.

Entrar para a 2.ª parte do jogo e ser recebido por cerca de 80 mil espectadores na bancada, foi um momento único e inesquecível. O verdadeiro futebol é isso mesmo. Jogadores e público. Muito público. Ainda mais porque conseguimos dignificar o clube e o futebol português, perante uma equipa que tinha Butragueño, Michel e Martín Vásquez, jogadores da ‘cantera blanca’ que marcaram o futebol espanhol.

O empate 2-2, após estarmos a vencer ao intervalo por 2-0, foi o menos importante. Realmente importante, foi o facto de o nosso futebol estar representado no 5.º Torneio Santiago Bernabéu e ter abrilhantado, antes do jogo principal entre o Real e o Hamburgo (então campeão europeu em título), uma noite de prestígio internacional.

E por esta já longínqua experiência, consigo vislumbrar os múltiplos sentimentos e as intensas sensações que os ‘meninos’ que eu e a minha estrutura do futebol de formação do Benfica vimos crescer, vivem e sentem quando jogam, exibindo todo o seu talento, nos estádios mais importantes do planeta. O que lhes passa pela cabeça quando se expõem para dezenas de milhares de espectadores no campo e perante milhões nas televisões de todo o Mundo. Como isso os motiva, levando em consideração os pelados onde jogavam e os balneários onde se equipavam há poucos anos. O que sentem quando olham para estrelas mundiais com quem disputam o jogo, ali ao seu lado, e que em tempos eram protagonistas nas suas coleções de cromos bem guardadas em casa. E como gerem esta multiplicidade de experiências ainda tão novos.

Observar a evolução e o crescimento de jovens jogadores como o Renato Sanches, João Cancelo, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro, Gonçalo Guedes, Hélder Costa, Bruno Varela e muitos outros, é algo que nos deixa orgulhosos e com plena consciência do dever cumprido. A nossa missão foi cumprida. O objetivo fundamental e prioritário de qualquer área de formação é formar e criar jogadores. Não equipas!

Mas isso só é possível e concretizável se existir qualidade e talento. Crianças e jovens que acreditam que é possível seguirem os seus sonhos. E que queiram. E que trabalhem. E que estudem para poderem ser mais inteligentes e responder aos desafios do jogo e das suas vidas.

Todos estes jovens jogadores, com caminho trilhado e orientado, já conseguiram passar uma etapa fundamental das suas carreiras: a da confirmação do talento e do carácter. Alicerçada nas suas convicções e de nunca esquecerem de onde vieram.

‘Putos’: o presente está mesmo aqui. Mereçam-no continuando a serem humildes, trabalhadores e solidários. Nunca esquecendo o passado e construindo o futuro sempre com referências e valores. E o vosso futuro vai fazer sentido...

Este é o vosso tempo! Aproveitem, partilhem e vivam felizes.

Por António Carraça
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