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Vinte anos depois do "acórdão Bosman", que liberalizou o mercado e transformou os craques em milionários, o homem que esteve na sua base tornou-se alcoólico e vive de subsídios...
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Nunca foi um grande jogador, mas o belga Jean-Marc Bosman ficará para sempre ligado à história do futebol. Esta terça-feira, dia 15, completam-se 20 anos desde que o Tribunal de Justiça da União Europeia deu razão à queixa contra a FIFA do então jogador do RFC Liège e aboliu as indemnizações para futebolistas em final de contrato e as restrições sobre a utilização e transferências de jogadores comunitários.
Esta nova realidade do futebol mundial, que depois se estenderia a outras modalidades, veio permitir uma abertura de fronteiras e uma liberalização do mercado de transferências, o que resultou na utilização sem limites de jogadores estrangeiros (primeiro comunitários e depois todos) pelas equipas nacionais e no aumento progressivo dos salários dos melhores jogadores, que podem agora sair mais facilmente de um clube. O certo é que o ‘acórdão Bosman’ criou grandes milionários, mas, ironicamente, deixou na pobreza o homem que desafiou os poderes da FIFA e do desporto-rei. Sem clube e sem interessados, terminou a carreira e começou o suplício.
"Depois do julgamento, recebi um milhão de euros de indemnização. Paguei 33% de impostos e 30% aos meus advogados. Desde 1995, fui um bom cidadão belga, que paga os seus impostos, mas que não tem salário. Vendi uma casa e agora tenho outra. É o único bem que me resta", contou em recente entrevista o ex-jogador que, em abril de 1996, esteve em Lisboa a convite de Record para contar o seu caso.
Depois entrou em depressão, deu-se ao álcool e foi acusado de violência sobre a mulher e a filha. Foi detido e condenado a fazer trabalho comunitário. Hoje, aos 51 anos, tem uma nova companheira e mais dois filhos. Faz ‘biscates’ para a Câmara de Liège e recebe um subsídio do Estado. E quando lhe perguntam sobre qual o seu jogador preferido, responde: "Gosto de todos, porque lutei por todos eles."
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