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Do futebol ao skate

Jorge Simões recusou o Boavista para se dedicar à "tábua"

Tinha 9 anos e um futuro promissor no futebol. Jogava no Futebol Clube da Foz quando um dia, num dos fins de semana de descanso, deu um salto à casa do primo, no Porto, para bater umas bolas na rua. Coisas de miúdos. Quando o encontrou, estava a andar de skate. Jorge experimentou colocar-se em cima da tábua e não parou mais. Nessa tarde, a bola ficou esquecida e passaram horas a descer as ruas do bairro. O futebol? Empurrou-o para o lado, apesar do convite que recebeu para ir jogar no Boavista. "Quem não gostou muito e ficou um bocado preocupado foi o meu pai. Queria que eu tivesse ido treinar ao Boavista. Mas não dava. Nessa altura, pedi um skate à minha mãe e a ela não mo deu. Depois pedi à minha avó e ela lá me fez a vontade. Larguei o futebol. E comecei a andar de skate", recorda Jorge Simões à Revista Record.

A partir daí aprendeu as manobras sozinho, ou "com o jogo do Tony Hawk", confessa. "A minha mãe tem um cabeleireiro. Então, durante uns dois anos, só andava lá à porta do cabeleireiro de um lado para outro no skate. Depois é que a minha avó me disse que havia pessoas a andar de skate na Casa da Música. E eu fui lá! Aí comecei a andar mais e a evolução foi mais rápida porque fiz novos amigos e aprendi com eles", recorda. A primeira vitória foi aos 14 anos: "Era uma prova da DC. Competi em iniciados e ganhei. Nesse verão ganhei mais dois campeonatos na Póvoa de Varzim."

Profissionalismo

Hoje, com 20 anos, deixou a escola e persegue um sonho: o de ser profissional de skate, que afinal já é. Vive dos patrocínios e das vitórias nos campeonatos. Recentemente foi o grande vencedor da Final Mundial do Red Bull Skate Arcade, representando Portugal. A prova, que decorreu na Praça da Figueira, em Lisboa, recebeu os melhores atletas de 16 países para decidir o título mundial. E foi Jorge quem levou a melhor. "Foi muito divertido. Não havia muita rivalidade, houve ajuda de equipa, todos se apoiavam. E tive imensa gente do Porto que veio até Lisboa apoiar-me", recorda.

Mas, para Jorge, Lisboa e Porto são muito diferentes. "No Porto não há muitos skateparks. Fizeram um em Ramalde, com meia dúzia de rampas, mas mal medido. No Porto andamos mais nas ruas. Aqui em Lisboa acho que se anda mais nos parques. Acho que no Porto devíamos ter mais skateparks e em Lisboa deviam sair mais para a rua", defende.

Jorge confessa ainda que o skate está a ser mais aceite pela sociedade. "Às vezes os mais idosos dizem-nos que estamos a estragar os passeios, por andar de skate na rua. Mas sinto que está a ficar diferente. Já é muito mais aceite. Há cada vez mais gente a andar", diz o jovem de 20 anos que este ano apostou mais nas viagens. "Estive na China e nos EUA. Nesta modalidade é importante fazer filmes, viajar para ter nome. A principal cena é fazer vídeos nas ruas, é o que dá mérito ao skater", conta.

Para já tem um sonho: viver do skate. E um objetivo: "Ter uma tábua a dizer o meu nome. Isso significa que és profissional. Gostava muito", conclui.

PERFIL

Naturalidade: Porto
Idade: 20 anos
Maior sonho? Viver do skate
Uma viagem: Los Angeles e Dubai. "Não consigo escolher uma. No Dubai é brutal a cultura, haver mar por todo o lado. LA é a meca do skate, onde estão os pros e marcas."
Ídolos nacionais: Ricardo Fonseca, Francisco "França" Lopez, Ruben Rodrigues.
Uma Música: The Notorious B.I.G., "Juicy"
Um Filme: "O Último Samurai"
Patrocínios: DC Portugal, Kate Skate Shop, Jart Skateboards, MuckFuck Wheels, Monster Energy, Souljah
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