Navegar é preciso

A Regata Internacional Tall Ships Races passa por Lisboa com o objetivo de reaproximar os portugueses da sua histórica ligação ao mar

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A Regata Internacional Tall Ships Races passa por Lisboa com o objetivo de reaproximar os portugueses da sua histórica ligação ao mar. E, quem quiser, terá a oportunidade de navegar no Tejo.

Foi através do mar que Portugal expandiu as fronteiras e espalhou a sua cultura pelo Mundo, transformando-se numa das mais importantes nações da sociedade moderna. Mais de cinco séculos depois do início desta história, a regata Tall Ships Races faz escala em Lisboa com a missão de reforçar os laços entre os portugueses e a tradição que levou o país a navegar muito além dos limites geográficos. Este é o maior festival náutico gratuito da Europa e o maior evento do género a acontecer em Portugal este ano.

"Portugal mostrou-se ao Mundo através dos nossos marinheiros. Existe uma relação histórica muito grande e fortemente afetiva entre os portugueses e o mar, que vem desde a época dos Descobrimentos e que se tem vindo a reforçar nos últimos anos através de vários eventos e atividades", explica à ‘Revista Record’ João Lúcio, presidente da Associação Portuguesa de Treino de Vela (Aporvela), uma das organizadoras do evento internacional.

A edição deste ano da regata terá largada em Antuérpia (Bélgica), a 7 de julho, e chega à capital portuguesa no dia 25. Os veleiros da Tall Ships Races permanecerão por quatro dias no novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa, entre Santa Apolónia e o Terreiro do Paço, antes de seguirem para Cádis e Corunha, as duas etapas finais.

Jovens ao mar

Quando a regata esteve em Lisboa pela última vez, em 2012, cerca de 300 jovens tiveram a oportunidade de subir aos convés dos barcos e percorrer uma das etapas. O objetivo deste ano é ‘abrir os decks’ a 500 pessoas.

"Em 2012, o evento gerou 9,1 milhões de euros de retorno económico direto. Para este ano, são esperados mais de 50 grandes veleiros de todo o Mundo, 3.500 jovens tripulantes de várias nacionalidades e cerca de um milhão de visitantes", sublinha João Lúcio.

A principal missão desta prova náutica não é, no entanto, engordar o saldo bancário. Por trás da iniciativa de trazer a regata a Lisboa está o desejo de aproximar os jovens ao mar. "Mantemos uma especial ligação à juventude e todos os anos embarcamos jovens a partir dos 15 anos nos grandes veleiros que participam na Tall Ships Races", explica.

Apesar de os jovens serem o principal público-alvo, não há limite de idade para quem quiser participar. A única exigência é a de ter, no mínimo, 15 anos. Os preços variam entre os 400 e os 2.630 euros – dependendo do trecho e do veleiro escolhidos – e incluem alojamento com pensão completa a bordo. As inscrições já estão abertas no tallshipslisboa.com e a experiência é inesquecível, garante a Aporvela.

"É uma experiência única do ponto de vista da interculturalidade e do desafio, que consegue proporcionar a aprendizagem de novos conceitos, práticas e procedimentos através da arte da marinharia e navegação, integrando a importância do espírito de equipa, resiliência e curiosidade no crescimento enquanto pessoa", explica João Lúcio.

Para quem não está disposto a gastar dinheiro, mas quer estar envolvido na passagem da Tall Ships Races por Lisboa, é possível trabalhar como voluntário. Também não faltarão opções para quem só planeia aproveitar o evento. É que, a par, serão realizados concertos e diversos tipos de espetáculos, sendo que os grandes veleiros da prova estarão abertos para visitas.

"Durante os quatro dias do evento, vamos criar um espaço em que todos os portugueses, de todas as idades, possam redescobrir e ter contacto com o mar, quer através da oportunidade única que os visitantes terão de subir a bordo e conhecer cada um dos navios, quer por via dos programas da Aporvela para incentivar aos jovens portugueses a partir dos 15 anos a embarcar na regata", explica João Lúcio.

A seguir por este caminho, a histórica ligação entre Portugal e o mar está assegurada por, pelo menos, mais algumas gerações.

Aprender e sentir

Participar na regata é também uma oportunidade única para aprender. Durante o tempo a bordo, o tripulante participa em todas as atividades que tornam possível a navegação do veleiro. Ajudará nos trabalhos de manutenção, a subir ao mastro, a içar as velas... e é possível até mesmo conhecer a responsabilidade de assumir o comando do leme numa noite de céu estrelado. Nada mau para uma aventura.

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